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RESENHA: BOY ERASED - UMA VERDADE ANULADA

22 de julho de 2019


Boy Erased: Uma verdade Anulada
Autor: Gerrard Conley

Editora:
 Intrínseca
Páginas
: 319 páginas
Resenha escrita por:
 Leonardo Santos

Em seu elogiado livro de estreia, Garrard Conley revisita as memórias do doloroso período em que participou de um programa de conversão que prometia “curá-lo” da sua homossexualidade. Garrard — filho de um pastor da igreja Batista, criado em uma cidadezinha conservadora no sul dos Estados Unidos — foi convencido pelos próprios pais a apagar uma parte de si. Em uma tentativa desesperada de agradá-los e de não ser expulso do convívio da família, ele quase se destruiu por completo, mas encontrou forças para buscar sua identidade e hoje é ativista contra as terapias de conversão.
Tocante e inspiradora, a história de Garrard é um acerto de contas com o passado, um panorama complexo das relações do autor com a família, com a fé e com a comunidade. O livro é o testemunho dos traumas e das consequências de se tentar aniquilar parte essencial de um ser humano.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje trago a resenha de um livro que mexeu muito comigo, o nome da obra é Boy Erased: Uma verdade Anulada, do escritor Garrard Conley. A obra autobiográfica retrata uma das fases mais conturbadas de sua vida, a sua integração a um programa religioso de reorientação sexual. Enfim, vamos a sinopse!


Filho de um dos pastores mais respeitados na cidade, Garrard sempre seguiu as escrituras à risca, desde criança o menino é instruído a seguir os passos do pai e se tornar outro grande pregador. Morando em uma cidade extremamente conservadora dos Estados Unidos, Garrard mantém um relacionamento com Chloe, esta que assim como ele vem de uma família que segue os doutrinamentos da igreja Batista. 

Porém, Garrard não se sente a vontade com a garota, e conforme o fim do ensino médio vai se aproximando e planos precisam ser feitos. O ano é 2004 e Garrard entra na faculdade para cursar Inglês, entretanto, após ser estuprado por um rapaz que dividia o quarto, decide contar aos pais sobre sua homossexualidade. O conflito com o descobrimento do desejo e culpa pelo pecado imposto pela doutrina da igreja assombra a mente do garoto, que é incitado pelos seus pais conservadores a participar do programa de doze passos impostos pela organização que promete a "reversão" de sua sexualidade. 

Pra começar esse foi um livro muito intenso, onde em muitas páginas eu me encontrava com uma indignação que passa os níveis "aceitáveis". Isso porque Garrard consegue transmitir sua visão religiosa com um sucesso impressionante, é extremamente fundamental ao leitor analisar o ambiente em que o protagonista cresceu e principalmente suas influências que estabeleceram a ideia de certo e errado. Instruído rigorosamente a seguir as escrituras dos testamentos bíblicos, conservadorismo é pouco pra definir o quando sua família era fechada, e foi nesse ambiente que Garrard cresceu, logo suas percepções sobre o que é pecado não vem propriamente dele, mas sim de seus ensinamentos religiosos levados ao pé da letra.

A partir daí podemos entender o porquê do protagonista esconder sua sexualidade até para si próprio, o melhor exemplo disso é seu relacionamento com Chloe, Garrard quer sentir atração pela menina, mas fica frustrado ao não conseguir. No entanto, o ápice do livro está no tal programa de "cura gay", que era realizado por algumas instituições no começo dos anos 2000. Garrard vai para uma dessas unidades, e é aí que começamos a leitura. 

O primeiro capítulo já se desenvolve com o protagonista chegando no programa e os capítulos vão se intercalando entre o "presente" e o passado, tal método é bom para entendermos um pouco mais sobre a história do rapaz, somos apresentados aos seus pais e toda sua transição do ensino médio para a faculdade. 

Não é preciso reforçar que temas pesados são retratados na obra, mas pensar que aquilo realmente aconteceu e continua acontecendo com vários adolescentes me tira o fôlego, talvez seja por isso que achei a leitura tão pesada. A construção do personagem em sua busca para se "livrar" do pecado com a conversão é compreensiva mediante ao ambiente preconceituoso e ignorante em que vive, porém a melhor parte é ver como ele vai se livrando desses valores ao perceber o quanto o programa de doze passos para a reversão é falho e prejudicial aos que participam. 

As falhas do programa são apresentadas de forma muito bem construída durante a narrativa, afinal esses programas de conversão causavam sequelas e traumas em grande porcentagem dos participantes, muitos viviam e vivem até hoje em estado de vergonha pelo simples ato de amar, e o mais triste de tudo isso é que programas parecidos com o que Gerrard passou ainda existem ao invés de ser abominados, cerca de 41 estados dos Estados Unidos permitem tais programas.

Não satisfeito só com o (excelente) material do livro, comecei a procurar mais sobre o autor e encontrei uma entrevista realizada pelo site Huffpost Brasil, ela é muito interessante e pode ser lida neste link.

No geral, Boy Erased é uma leitura mais do que fundamental para entender melhor como funciona o sistema de repressão religioso e como isso pode levar muitas pessoas ao trauma e até o suicídio, tornar essa história pública é mais do que necessária. 


A “cura gay” nos Estados Unidos e no Brasil 
Mesmo com a resolução da OMS, que retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, as chamadas “terapias de conversão sexual” são utilizadas mundo afora e se baseiam na teoria de que seria possível alterar a orientação sexual de uma pessoa.
A discussão a respeito do tema nos EUA é grande. Atualmente em 41 estados do país a prática é legalizada.
Recente estudo do Williams Institute, da faculdade de direito da Universidade da Califórnia, Los Angeles, alerta que 20 mil jovens LGBTs norte-americanos passarão pelo tratamento.
No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia já proibiu profissionais do ramo de tratar a transgeneridade como doença ou anomalia. Mas não há leis que impeçam esse procedimento. 
Trecho retirado deste link

4 comentários:

  1. Oi Leo! Desde toda a polêmica com o filme no Br, tentei ler o livro. Mas, conforme fui lendo sobre o que falava, fiquei me questionando se teria estômago para isso. Acho uma crueldade sem tamanho, uma pessoa submeter o próprio filho a uma coisa assim. Mesmo que exista uma crença, fico perguntando como não ligar, sabe? Não sei, posso estar sendo absurda. E eu nem sabia do estupro que ele sofreu. To aqui quase chorando e nem li. Acho que vou ver o filme primeiro, pra me preparar. Amei mesmo a resenha. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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    1. Eu acho uma boa ideia, realmente a história é pesada justamente por se tratar de algo real, veja o filme também que realmente faz jus ao livro

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  2. Bem polêmico esse livro, deve ser uma leitura bem melindrosa e emocionante, aquela que nos toca profundamente. Excelente indicação.

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    Respostas
    1. Sim! É uma leitura bem intensa mesmo, porém extremamente necessária!

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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