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RESENHA: O APARICIONISTA

15 de junho de 2020


O APARICIONISTA
Autor(a): Friedrich Schiller 
Editora: Clepsidra

Páginas: 182
Ano de publicação: 2020
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Único romance de Schiller, "O Aparicionista" foi produzido sob influência de clássicos britânicos como "O Castelo de Otranto" e "O Velho Barão Inglês", razão pela qual é considerado o primeiro romance gótico alemão. Sua contribuição para o gênero, porém, foi ímpar, especialmente pela maneira como a obra expande os limites do imaginário pseudomedieval típico da época.
Sua influência também foi estrondosa. Entre seus apreciadores, destacam-se Lord Byron, que escreveu "Oscar d'Alva" inspirado por ele; Ann Radcliffe, que pegou emprestado dele o modelo do "sobrenatural explicado"; M. G. Lewis, que incorporou vários elementos da trama no clássico "O Monge"; e Antônio Feliciano de Castilho, cujo "A Noite do Castelo" pode ser considerado um reconto de uma das passagens do romance.
As diversas partes de "O Aparicionista" foram publicadas originalmente entre 1787 e 1789. Planejada para ser composta de quatro livros, a obra teve somente os dois primeiros volumes finalizados (um narrativo e outro epistolar), permanecendo inacabada, o que não diminuiu sua força nem o interesse gerado por ela, a ponto de vários autores, como H. H. Ewers, terem se proposto a escrever sua própria solução para o desfecho do romance.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Aparicionista lançado pelo Sebo Clepsidra. O livro é de autoria de Friedrich Schiller  e tem tradução de Felipe Vale da Silva


Na história acompanhamos o jovem príncipe, que após uma fuga de seus deveres da corte de sua família no Sul da Alemanha, encontra prazer junto com seu amigo, o estimável Conde O, em Veneza. Por conta de ser uma figura importante, a identidade do príncipe deve ser mantida em segredo.

Entre uma rotina aberta, os dois perambulam pela cidade boêmia, entretanto uma figura estranha parece segui-los. Conforme essa perseguição se torna mais evidente, os amigos começam a reparar que "a coisa" que os persegue tem um tom quase mítico: é envolto de panos e tecidos e, ao contato com o sujeito (que descobrem ser conhecido por "o armênio"), notam que tal figura é possuidora de um conhecimento que beira ao sobrenatural.


Instigados por esse homem tão peculiar, Príncipe e o Conde O embarcam em uma espécie de ritual com a figura do armênio, e nisso uma espécie de contato com o sobrenatural parece se estabelecer. 

Pois bem, pra início de conversa (ou resenha), é importante informar alguns detalhes a respeito da enigmática obra de Friedrich Schiller! Escrito entre o período de 1787-1789 o romance foi muito inspirado pelo estilo gótico de escrita que emergia com total força, entretanto, desfaça todos os estigmas a respeito de romances góticos tradicionais, Friedrich desconstrói, ou melhor, mescla diversos categorias literárias em sua narrativa. 



Essa mistura foi um dos pontos que mais me atraiu durante a leitura de O Aparicionista, Schiller começa sua narrativa com um tom que beira o sobrenatural (e a partir daí já podemos identificar o gótico como conhecemos), entretanto conforme a narrativa se encaminha a atmosfera da história muda, agora temos o Príncipe como uma figura detetivesca digna de um Holmes (ou Dupin, caso prefira). Além disso o romance toca em questões políticas e filosóficas a respeito de sentimentos como dever, honra e amor. 

Mas Léo, tudo isso em uma narrativa só... Não fica confuso?

Pois é aí que a genialidade desde romance se sobressai, tudo se encaixa de uma forma genial. Acredito eu que seja por conta da forma como o livro é dividido. Na primeira parte temos uma narrativa comum, narrada pelo ponto de vista do Conde O, entretanto na segunda parte (intitulada Livro Segundo) a história se dá por outro modo: temos acesso a cartas entre Conde O e alguns outros personagens, tais cartas nos relatam o prosseguimento da história do Livro Primeiro, todavia, a segunda parte foca em outros aspectos do mundo criado por Schiller (como a política e a filosofia por trás dos personagens e da situação).



Mas vamos lá... O Aparicionista é complicado de se ler? 

Pra começo de conversa eu não tenho muita experiências em ler clássicos da literatura gótica, portanto fiquei com um pouco de medo ao iniciar a leitura de O Aparicionista, no entanto não encontrei nenhum grande problema ao mergulhar na obra. O livro conta com um prefácio escrito por CId Vale Ferreira e um posfácio escrito por Felipe Vale da Silva e AMBOS ajudam em muito a complementar a experiência de leitura. Além disso, durante a obra temos algumas notas de rodapé que nos auxiliam para a fluidez da história. 


Por fim, sim, eu indico o livro pra quem tiver interesse em sair da zona de conforto e se aventurar em uma trama completamente original e, diria até, surpreendente. O fato do livro ser inacabado não foi um fator tão prejudicial na minha leitura. Além disso, o livro é um prato cheio para quase todo tipo de público, visto que o autor trabalha com vários elementos em toda sua construção poética. 


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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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