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RESENHA: OS SETE MARIDOS DE EVELYN HUGO

17 de julho de 2020

Os sete maridos de Evelyn Hugo por [Taylor Jenkins Reid, Alexandre Boide]

OS SETE MARIDOS DE EVELYN HUGO
Autor(a): 
 Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Páginas: 360
Ano de publicação: 2019
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Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes ― seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, lançado pela editora Paralela. O livro é de autoria de  Taylor Jenkins Reid e tem tradução de Alexandre Boide. Atenção! Essa história contém temas como assédio físico e psicológico, leitores sensíveis a estes temas devem tomar cuidado. 


Monique Grant é uma jornalista em ascensão. Redatora de uma revista de médio porte, Monique se vê em um período complicado de sua vida por conta de seu divórcio em andamento e necessidade de produzir mais no trabalho para conseguir se sustentar.  Durante um dia de trabalho a redatora é chamada pela sua supervisora para realizar uma entrevista com ninguém mais do que Evelyn Hugo. 

Considerada uma lenda viva, Hugo é uma musa do cinema. Vencedora do Oscar e amada por gerações, a estrela teve uma carreira extremamente conturbada e preenchia os tablóides de fofoca com frequência. Além de ter uma carreira repleta de sucessos a atriz se casou com sete maridos durante sua vida toda, e agora, com oitenta anos, vive reclusa em seu apartamento em Nova York. 

Monique não faz a mínima ideia do porquê Hugo ordena que ela seja a única a obter a entrevista, e ao chegar no apartamento da mulher ela tem uma surpresa maior ainda: A estrela pede que ela escreva sua biografia! Narrando assim sua verdadeira história desde sua origem em Cuba até sua reclusão absoluta, conhecemos então a história de Evelyn Hugo. 

E MEUS AMIGOS, QUE HISTÓRIA. Todos acham que conhecem Evelyn Hugo, por conta de ser uma celebridade que direto estava nas capas de revistas, todos acreditam  nesse sentimento de conhecer a personalidade e história daquela mulher, mas conforme ela mesma vai narrando sua trajetória nós percebemos o quanto todos estavam errados. 



Iniciando pelo apagamento de sua identidade cubana, Evelyn teve que se distanciar de tudo aquilo que não fazia dela "americana" o suficiente. Aos 14 anos a garota embarca para uma Hollywood dos anos 50 em busca do sonho de provar que consegue obter tudo aquilo que deseja: o estrelato.

Talvez uma das características mais perspicazes em Evelyn Hugo seja a capacidade de entender como a indústria e as pessoas funcionam, aquilo o que as movem: o desejo. Todos a desejam e ela  sabe disso: seja por conta de seu rosto ou seios perfeitos, seu olhar hipnotizante... Evelyn sabe que possuí seu próprio campo magnético, e vê em um ambiente extremamente machista uma chance de obter o que deseja utilizando esse magnetismo. 

O grande mérito dessa narrativa está em tratar de tantos assuntos importantes de uma forma responsável e denunciadora. A autora Taylor Jenkins consegue trabalhar toda a crueldade que sabemos que existiu na terra onde os sonhos se tornavam realidade. Hollywood poderia até ostentar toda sua exuberância nas telonas, mas seus bastidores eram podres e completos de segredos e injustiças. 

Não vou me ater a todos os assuntos discutidos nesse livro (porque são muitos), mas entre eles dou um destaque como a autora mostra a objetificação da mulher como um símbolo sexual. ( Você precisa sorrir mais! Seja mais sexy nos seus filmes! Não fale tanto!) Evelyn era vista como um produto, mesmo com poder e influência os tablóides ainda insistiam que a atriz precisava de um homem em sua vida, e quando estava casada dizia que ela "precisava focar mais em ter dar um filho ao seu marido". Sempre ditando o que ela precisava ou não fazer, sempre colocando-a em um status onde, caso não seguisse o que a tradição patriarcal ordenava, seria menosprezada ou então ignorada por tudo e todos. 



Este "apagamento social" que atrizes sofriam e ainda sofrem é MUITO REAL, tanto é que durante a minha leitura diversas vezes eu me perguntei: Evelyn Hugo realmente existiu? A resposta é sim, seu nome pode ser fictício, entretanto serve como metáfora para muitas mulheres que lutam por um espaço. 

Outro ponto muito bem trabalhado no livro é a questão da representatividade dentro da história. Principalmente no que diz a respeito da comunidade LBGTQIA+. Eu, por exemplo, mesmo sendo grande fãs de livros que possuem tal evidência a comunidade, nunca havia lido um livro que falasse tão bem sobre a bissexualidade! Não entrarei em mais sobre o assunto para não entregar spoilers, mas preciso colocar esta nota porque ela é MUITO relevante dentro da história. Além disso temos personagens negras (como a própria redatora, Monique), personagens homossexuais e sim, todos são muito bem construídos e não estão ali para preencher um esteriótipo. 

Meu maior medo durante a leitura foi a história se ater muito aos maridos, visto que conhecemos os sete durante a narrativa, meu medo era de não ter tempo o suficiente para Evelyn já que tantos personagens iriam ser incluídos. Por sorte não é isso o que acontece, pelo contrário, cada um que entra na história é de forma bem natural, todos eles ajudam a construção da protagonista (seja seu desenvolvimento ou sua construção no geral). 

Por fim, meu último elogio a autora vai por conta da narrativa, ela flui muito bem e ficamos cada vez mais fascinados com a figura de Evelyn Hugo, seus relatos são impressionantes e sempre dão aquela sensação de querer ler mais um pouco. O final é merecedor da história e possuí ALTO teor emocional! Com certeza se tornou um dos meus favoritos do ano.

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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