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RESENHA: CIDADES AFUNDAM EM DIAS NORMAIS

24 de novembro de 2020


CIDADES AFUNDAM EM DIAS NORMAIS    

Autor(a): Aline Valek  
Editora: Rocco

Páginas: 255
Ano de publicação: 2020
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Da mesma autora de “As águas vivas não sabem de si”. Alto do Oeste é uma cidade no meio do Cerrado, que, no início desse século, afundou inexplicavelmente dentro de um lago. Apesar de insólita, essa submersão foi acontecendo de forma lenta e gradual, de modo que também foi aos poucos que seus habitantes foram “expulsos” pelo avançar das águas e obrigados a abandonar à cidade. Anos depois, uma seca extrema no cerrado voltou a revelar Alto do Oeste, e todos os resquícios da vida das pessoas daquele lugar antes da inundação vieram à tona novamente, como se fossilizados pelo barro que agora encobre todas as coisas. Ao saber da notícia, Kênia Lopes, uma antiga moradora da cidade, decidiu que precisava fotografar as ruínas, como se em busca da resposta para uma questão jamais respondida: o que faziam os moradores enquanto aquele pequeno apocalipse se aproximava?
 
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro As cidades afundam em dias normais, lançado pela RoccoO livro é de autoria de Aline Valek.





A pequena cidade de Alto do Oeste costumava ser completamente ignorada na região do Cerrado até o dia em que ela afundou completamente. Um fato curioso? Sim. Alto do Oeste possuía um lago que aos poucos foi invadindo a cidade e tomando todo o local até não restar nada sobre a superfície. 

Dezesseis anos depois desse dia fatídico, a seca foi responsável por trazer a cidade de volta a superfície, com isso, a população que costumava morar na cidade retorna ao seu antigo lar e encontra a cidade em ruínas. 


Entre a população encontra-se Kênia, uma jornalista que retorna ao lugar aonde cresceu com um objetivo: construir um registro daquela população através de entrevistas e vídeos das ruínas que outrora eram as casas daquelas pessoas. Ao entrar no túnel de lembranças de Alto do Oeste, Kênia e seu amigo Facundo começam a entender um pouco mais sobre o vazio do esquecimento e o poder da memória. 

História é tudo, gosto de acreditar nessa frase. Somos constituídos de histórias, memórias que guardamos e criamos afeto ou aversão; todo lugar carrega consigo uma história que pode ser sentida e vivenciada de maneiras diferentes a cada um. Acredito que esses elementos são bem explorados por Aline Valek em sua narrativa. 

Esse foi meu primeiro contato com a autora, e me peguei intrigado em descobrir mais a respeito dos personagens que compõem a narrativa de Cidades afundam em dias normais, todos parecem ter relatos pessoais bem nostálgicos a respeito da cidade (inclusive a própria Kênia), e essa dinâmica funciona muito bem em toda a trajetória do livro.


Livro curto e conciso, em duas 250 páginas dividias em capítulos curtos, temos diversos relatos das entrevistas conduzidas por Kênia, entre elas o relato de Erica (professora de história), foi o que mais me intrigou! Além disso a protagonista encontra um diário que pertencia a uma menina chamada Tainara, nesse diário Kênia encontra um fragmento do passado que a ajuda a se redescobrir, o processo é incrível!


Entre dores do abandono e uma luta por encontrar aquilo que ficou para trás, a história que Aline narra tem alto teor poético e até mesmo melancólico, e funciona muito bem para uma leitura que nos faz refletir e, até mesmo, emocionar. 



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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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