16 de setembro de 2025

RESENHA: NÃO PERTUBE A FLORESTA

 


Organizadores:  CG Drews
Editora: P21
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Andrew Perrault encontra refúgio nos contos de fadas sombrios que escreve e depende de Thomas Rye, seu melhor amigo, para manter os pés na realidade. Mas tudo mudo quando os pais de Thomas somem misteriosamente, e o garoto aparece para o último ano da Academia Wickwood com a camisa manchada de sangue. Thomas não responde às perguntas de Andrew e se torna uma sombra de si mesmo – não desenha, não fala e se encolhe diante de algo que Andrew não é capaz de enxergar. Só que a verdade está à espreita. Desesperado para saber o que realmente está acontecendo com Thomas, Andrew o segue até a floresta proibida numa madrugada e descobre o impossível: os monstros dos desenhos de Thomas agora habitam o mundo real. Matam – e estão cada vez mais famintos. Para impedir outras mortes, os dois enfrentam as criaturas noite após noite. Mas os monstros parecem ficar mais fortes à medida que a obsessão entre os garotos se intensifica, e Andrew teme que a única maneira de eliminar as criaturas seja destruindo seu criador.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Não Perturbe a Floresta, lançado pela editora Plataforma21. O livro é de autoria de CG Drews  e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.


Eu já conhecia histórias de "dark academia", com seus colégios internos cheios de segredos, mas não estava preparado para o que encontrei aqui. Eu esperava um suspense gótico, talvez um mistério. O que recebi foi um conto de fadas sombrio e visceral que me agarrou desde a primeira frase: "Não doeu, no dia em que ele arrancou o próprio coração". A partir daí, mergulhei na mente de Andrew Perrault, um garoto que se sente "ferido e oco", e não consegui mais sair.

Quando comecei a ler Não Perturbe a Floresta, confesso que fiquei bem intrigado. A atmosfera é melancólica e as belíssimas ilustrações em preto e branco que permeiam o livro criam um clima de horror folk imediato. A história me motivou a entender a relação complexa entre Andrew, sua irmã gêmea perfeita, Dove , e seu melhor amigo, o artista volátil Thomas Rye.

Mas o que acontece quando os monstros que você cria no papel se tornam reais? Pois bem, essa é a pergunta que assombra os corredores da Academia Wickwood, um colégio isolado e cercado por uma floresta "lupina". A trama se desenrola quando os pais de Thomas desaparecem misteriosamente, e a polícia o considera um suspeito. Ao mesmo tempo, criaturas aterrorizantes, saídas diretamente dos contos de fadas cruéis de Andrew e dos desenhos macabros de Thomas, começam a assombrar a escola.


O que vemos como um mistério sobre um desaparecimento, na verdade, se aprofunda em um horror psicológico. O livro nos faz acreditar que os monstros nascem dos desenhos de Thomas, mas a verdade é muito mais sombria. São as histórias de Andrew, seus "cortes de papel", que dão vida a essas criaturas. A floresta, então, revela sua verdadeira face: uma entidade faminta que exige um sacrifício.

Essa informação é assustadora, sim. Todavia, é a forma como a autora usa o horror como uma metáfora para a saúde mental que torna este livro tão poderoso. A obra vem com um aviso de conteúdo sobre violência, ataques de pânico e automutilação, e esses temas são o verdadeiro coração da história. Os monstros que Andrew e Thomas enfrentam são manifestações de seus traumas: a ansiedade paralisante de Andrew , seu distúrbio alimentar , a dor da automutilação  e o luto que ele não consegue processar. A floresta não é apenas um lugar; é uma representação física da dor.

Enquanto o terror cresce, a relação entre Andrew e Thomas se aprofunda de uma maneira dolorosa e bela. Andrew, que se sente um "covarde" , faria qualquer coisa por Thomas, até mesmo "mataria por ele". A tensão entre eles é palpável, um amor queer que floresce em meio ao horror, tornando a luta pela sobrevivência ainda mais desesperada.


Essa questão é aplicada de forma brilhante. Não Perturbe a Floresta é um livro sobre como usamos a arte para lidar com nossos demônios e como, às vezes, esses demônios nos devoram. A dedicatória do livro, "Para os monstros da sua cabeça", resume perfeitamente a obra. É uma história que nos alerta sobre o poder das narrativas que contamos a nós mesmos e sobre a coragem necessária para enfrentar o que nos assombra.
 

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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