24 de setembro de 2025

RESENHA: NÃO PISQUE

 


Organizadores: Stephen King
Editora: Suma 
Compre através deste link.

Em mais um romance protagonizado por Holly Gibney, Stephen King retorna com uma história que entremeia duas linhas narrativas: a primeira sobre um assassino em busca de vingança, e a segunda sobre um justiceiro cujo alvo é uma celebridade feminista. Izzy Jaynes é uma investigadora experiente de Buckeye City que, ainda lidando com traumas de ocorrências pregressas, depara-se com uma carta contendo uma grave ameaça: em breve, o texto alerta, pessoas inocentes serão assassinadas. Buscando desvendar o caso e descobrir quem está por trás disso, ela recorre à detetive e amiga Holly Gibney. Em pouco tempo, no entanto, a ameaça se torna real: uma mulher é morta de forma aleatória num parque de subúrbio, e elas têm de correr para que o assassino não execute outras pessoas.Enquanto isso, uma controversa defensora dos direitos das mulheres está em turnê pelos Estados Unidos para promover seu trabalho, mas há alguém em seu encalço que não concorda com suas ideias. 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Não Pisque, lançado pela Suma. O livro é de autoria do mestre Stephen King e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.,


Pouco conhecia sobre a trama de Não Pisque. Eu esperava o terror sobrenatural clássico de Stephen King, talvez fantasmas ou alguma criatura indescritível. No decorrer das primeiras páginas, no entanto, a história se revelou um thriller policial tenso e pé no chão. Tudo começa com um homem que se apresenta como Trig em uma reunião dos Narcóticos Anônimos , atormentado por uma notícia que acabou de ler: um homem chamado Alan Duffrey foi assassinado na prisão , e um podcast sugere que ele era inocente.

Quando recebi o livro, confesso que fiquei intrigado. A premissa parecia a de um bom romance policial, mas eu me perguntava como King, o mestre do horror, iria desenvolver essa história. Suas páginas me levaram a uma jornada sombria, motivado a entender a mente de Trig e a acompanhar a investigação de uma das personagens mais queridas do universo King: a detetive particular Holly Gibney.

Mas o que leva um homem a cruzar a linha? Pois bem, a pergunta que move a trama é apresentada em uma carta anônima enviada à polícia. Assinada por "Bill Wilson" (o fundador dos Alcoólicos Anônimos) , a carta anuncia um plano terrível: "Eu vou matar treze inocentes e um culpado". O objetivo não é punir os assassinos diretamente, mas fazer com que "os que causaram a morte do inocente vão sofrer". Como podemos começar a entender uma violência dessas?

King é um mestre em construir narrativas de tirar o fôlego, e em Não Pisque ele nos coloca em um jogo de gato e rato. De um lado, acompanhamos a caçada da polícia, liderada pela detetive Isabelle "Izzy" Jaynes  e auxiliada pela brilhante Holly Gibney. Do outro, mergulhamos na mente fria e metódica de Trig, que começa a executar seu plano nefasto, assombrado pelo mantra de seu pai: "Não pisque, sem vacilar, sem desistir".

Nós vemos os crimes como assassinatos aleatórios, mas eles são parte de um ritual macabro. Trig não mata as pessoas que ele considera culpadas. Em vez disso, ele mata inocentes — uma mulher caminhando com seu cachorro , dois homens em situação de rua atrás de uma lavanderia — e deixa em suas mãos os nomes dos jurados que condenaram Alan Duffrey.

Essa informação é assustadora, sim. Todavia, extremamente necessária para entendermos a lógica do assassino. King nos dá a seriedade que o assunto merece e faz um excelente trabalho ao construir o perfil de Trig. Além disso, eleva a personagem Holly Gibney a um novo patamar. Enquanto a polícia segue as pistas de forma procedural, Holly, com sua sensibilidade única, é quem decifra os enigmas. É ela quem entende que os "treze inocentes e um culpado" se referem aos doze jurados, ao juiz e ao promotor do caso Duffrey.

Enquanto os assassinatos acontecem, a tensão na cidade de Buckeye aumenta. A investigação parece não levar a lugar nenhum, e Holly precisa usar todo o seu brilhantismo para encontrar um padrão onde não parece haver nenhum. Ela é a única que percebe uma pequena alteração na agenda de uma das vítimas, descobrindo o nome "Trig" onde deveria estar "Briggs", uma pista que muda o rumo da investigação.

A genialidade de Holly é o que move a trama, mas também expõe a fragilidade do sistema. A perseguição se torna uma corrida contra o tempo quando Trig planeja seu grand finale: um incêndio no antigo rinque de hóquei Holman durante o jogo de softball beneficente entre policiais e bombeiros.

Essas questões são aplicadas de forma magistral em Não Pisque. King nos faz compreender a magnitude de uma única injustiça e suas consequências devastadoras. O autor também nos alerta sobre como a culpa e o trauma podem se transformar em uma espiral de violência, e como a busca por reparação pode se tornar mais monstruosa que o crime original.



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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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