Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês uma entrevista feita com Maya Lygya, autora de A Filha da Mãe: 7 Passos Que Curam Relacionamentos Tóxicos com a Mãe
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1. O que foi mais desafiador ao revisitar lembranças tão profundas para escrever "A Filha da Mãe"?
O maior desafio foi me permitir sentir novamente a dor da rejeição paterna que carreguei por toda a vida e, depois de adulta, ter que enfrentar o que eu interpretava como rejeição materna também. Foi um processo de mergulhar em feridas antigas para poder transformá-las em cura.
2. No livro, você apresenta sete passos práticos para quem deseja romper padrões emocionais nocivos. Qual deles você considera mais difícil de aplicar na vida real — e por quê?
O passo mais desafiador é desenvolver força interior suficiente para criar coragem e superar sozinha o trauma de infância da desvalorização pessoal.
Quando crescemos acreditando que somos "menos" — incapazes, limitadas intelectualmente — a tendência natural é aceitar essa narrativa e viver como vítimas das circunstâncias até o fim da vida.
O autoconhecimento e a autovalorização, mesmo diante de situações que constantemente nos diminuem, são fundamentais para quebrar esse ciclo. Esse padrão de vítima — "a pobre menina que não é amada por ninguém" — contamina nosso amor-próprio de tal forma que atraímos exatamente aquilo que acreditamos merecer. Isso determina nosso sucesso em todas as áreas: relacionamentos, finanças, romance, saúde.
O maior desafio da vida é aprender a se amar apesar da sensação de incapacidade que carregamos desde a infância.
3. Muitas leitoras se identificam com sua história ao lidar com mães narcisistas ou relacionamentos familiares complexos. O que você diria para alguém que está apenas começando a perceber que vive um ciclo tóxico?
Concentre-se em você, no seu autoconhecimento, no presente. Foque em como superar as limitações que sua história de vida lhe ensinou a sentir e aceitar.
Independentemente das interpretações que carrega desde a infância, é difícil, mas não impossível: coloque-se em primeiro lugar. Quando você amadurece e desenvolve amor-próprio suficiente, naturalmente produz energia positiva em forma de maturidade para lidar com relacionamentos tóxicos de maneira construtiva.
Nunca se esqueça que nossos pais também passaram por perrengues na vida, estamos todos no mesmo barco no oceano emocional da vida e cabe a nós melhorar a maré.
4. A obra equilibra autobiografia e orientação terapêutica de forma muito orgânica. Como você encontrou esse ponto de equilíbrio entre narrativa pessoal e guia emocional?
A curiosidade sobre minha missão neste planeta me inspira desde os 12 anos. Pesquisei intensamente por muitos anos sobre meu assunto favorito, li obras filosóficas, participei de seminários com mestres pelo mundo, até chegar à conclusão de que minha missão era criar histórias de superação através da minha própria vida.
Vejo minhas experiências como um filme onde sempre tenho o controle do volante. Aceito os desafios como pérolas de coragem, fortalecimento e evolução. Minha maior realização é saber que minha história serviu para despertar alguém.
Todos os meus livros partem da biografia porque acredito que uma boa história contada com emoção inspira, motiva e eleva a frequência de quem foi atraída para ler. Acredito que os desafios nos são dados para aprendermos a nos fortalecer e evoluir. Minhas histórias são verídicas — experimentei cada uma delas para honrar o que vim aqui fazer e para quem as lê.
5. Depois de escrever "A Filha da Mãe", o que mudou no seu relacionamento com suas próprias memórias?
Hoje me amo mais do que nunca. Ver minha mãe, aos 97 anos, sorrir ao acordar e dar o melhor de si para que vivamos em harmonia — ao invés de dar ordens como fazia — não tem preço.
Sinto orgulho de ter aprendido a viver e dado à minha mãe uma lição de vida inesquecível. Hoje, ao invés de reclamar diariamente como fazia, ela elogia e verbaliza sua gratidão por ser bem cuidada.
Me surpreendo ao perceber que temos a escolha do empoderamento, assumindo o papel de quem ensina e expande a mente de quem faz parte de nossa vida. Afinal, fomos ensinadas a andar, falar e escrever — geralmente por nossas mães. Os anos passam e alguns de nós somos chamados a amadurecer e compartilhar o que aprendemos.
Quando assumimos que tudo se recicla, temos a escolha de decidir como finalizar nossa história: de forma positiva ou negativa? Usando criatividade, persistência e coragem para guiar e ensinar, ou permanecendo no complexo de vítima?
Qual sentimento você acha que mais se adequa à vitória de viver feliz com quem nos deu a oportunidade de existir?




















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Esse tipo de conversa sempre me atravessa de um jeito único. A forma como a Maya fala sobre revisitar feridas antigas me lembra o quanto a gente cresce quando encara o que sempre evitou. Fiquei bastante tocada com a explicação sobre o passo mais difícil, porque é exatamente ali que muitos de nós tropeçam!
ResponderExcluirHá algo de interessante na forma como a autora consegue unir relato pessoal e orientação terapêutica sem perder o rigor narrativo. Não é algo fácil de fazer, e aqui ficou bastante equilibrado. A entrevista abre portas para reflexões sobre legado, memória e reconciliação consigo mesmo. Um conteúdo muito valioso para quem aprecia livros que nascem de experiências reais.
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