Organizadores: Raul Henrique Amaro da Silveira Ortellado
Editora: UICLAPCompre através deste link.
“E se os deuses do Olimpo decidissem abandonar sua imortalidade para experimentar as paixões, desejos e dores dos mortais?Em “A paixão de Hefesto”, Raul Henrique Ortellado nos transporta para uma narrativa envolvente onde Hefesto, o deus da forja, e Afrodite, deusa do amor, descem a terra para explorar os limites da emoção humana. Enquanto Hefesto se perde um turbilhão de prazeres carnais e caos teatral, Afrodite enfrenta as consequências se sentir o amor de forma terrena, intensa e devastadora. Entre traições, reflexões filosóficas e a transitoriedade da vida mortal, os dois deuses questionam suas próprias essências e o significado de amar e ser amado. Será que imortalidade pode sobreviver à fragilidade do amor humano?"
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é de A Paixão de Hefesto, escrito por Raul Henrique Amaro da Silveira Ortellado e publicado pela UICLAP. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
E se deuses resolvessem abrir mão da própria imortalidade para tocar aquilo que sempre observaram de longe? É assim que Raul constrói o ponto de partida do livro. Hefesto, o deus da forja, e Afrodite, a própria personificação do amor, descem ao mundo mortal para experimentar emoções que, até então, só existiam para eles como conceitos abstratos. O que acontece a partir disso é uma linha entre desejo, dor e descoberta.
A primeira metade da narrativa fica com Afrodite, e aqui Raul faz um trabalho muito bonito. A escrita dela é quase um fluxo que mistura mito, sensações e imagens que parecem nascer de dentro da personagem. Afrodite tenta entender o amor quando ele não é mais um poder, mas uma experiência falha e profundamente humana. Em vários trechos, o livro abraça uma poesia que coloca essa deusa num estado quase ritualístico de despertar.
Quando a perspectiva muda para Hefesto, o tom vira de forma brusca Ele é mais dionisíaco, mais instintivo, mais entregue ao corpo. Raul não suaviza essa diferença; ele deixa claro que Hefesto enxerga a paixão como uma força que nasce do atrito, do caos, da carne. Enquanto Afrodite se expande em abstração, Hefesto se comprime no corpo. Esse contraste faz o livro andar, porque cada um enxerga o humano de um jeito oposto, mas igualmente frágil.
O que mais me impressionou foi perceber o quanto o autor domina o imaginário grego. Nada ali é gratuito. Desde as metáforas até as pequenas observações filosóficas, tudo parte de quem esses deuses sempre foram. O texto respeita o mito e, ao mesmo tempo, recria suas nuances para um contexto intimista. Há várias camadas que conversam com lendas antigas sem deixar a narrativa pesada. Pelo contrário, o livro tem pouco mais de cem páginas e corre com uma facilidade que surpreende.
As artes espalhadas pela edição ajudam a reforçar esse clima introspectivo. São pequenas pausas que expandem o que já está no texto, quase como se nós tivéssemos acesso a fragmentos visuais do próprio mito.
Terminei a leitura com aquela sensação boa de que o autor não queria só recontar uma história conhecida, mas testar o limite entre divino e humano, ver onde uma coisa começa a desmoronar dentro da outra. O resultado é um livro curto, mas carregado de sentimento. Daqueles que você lê numa sentada, mas continua pensando depois.
Se você gosta de mitologia grega, de narrativas que investigam emoções com profundidade e de autores que realmente conhecem o terreno onde pisam, A Paixão de Hefesto merece entrar no seu radar. Eu me apaixonei pelo que o Raul propõe aqui. Leiam


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