Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês três motivos para ler A Noiva de Ravel, lançado pela Editora M.inimalismos. O livro é de autoria de L. S. Oliveira.
“Um herói não é o que idealizamos e, por vezes, pode ser assustador. Assim, olho para meu caminho, traçado como que por acaso para o ódio pelo amor. Apaixonei-me há muitos anos quando era alguém que já não reconheço em mim. Pouco sobrou do que fui, e o que sobrou fez de mim alguém capaz de tudo para oferecer como sacrifício cruento ao meu espírito atormentado os que se tornaram meus inimigos.Meu nome é Ravel, e eu era apenas mais um simples rapaz de mais uma bela cidade do interior deste país, chamada Paraíso. Desde que nasci até meus dezoito anos de idade, quando sofri a violência que contarei adiante, morei com meus pais, numa casa simples, mal servida de infraestutura, mas com luz elétrica, algo já bom nos idos da década de 1980, no distante sítio, do qual muitas estradas de barro deveriam ser cruzadas para percorrer da minha casa ao centro da cidade. Eu era um rapaz considerado feio por muitos, magro, com olhos fundos, uma olheira intensa de quem, desde muito cedo, apresentou problemas para dormir. Da pele facial densa, extremamente seborreica, brotava toda sorte de acne, algumas vermelhas e grandes, como que furúnculos no rosto. O corpo magro e desproporcional ganhava contornos ainda mais desproporcionais nas vestes sociais e velhas que não condiziam com a minha idade."
1. Uma história de origem brutal e visceral
Gente, sério. Eu fiquei chocado com a coragem do autor. O livro não alivia em nada. Acompanhamos Ravel, um rapaz "feio" , pobre e introspectivo que nutre uma paixão platônica pela garota mais rica da cidade, Beatriz. O que acontece com ele é a destruição completa de um ser humano. Ele é atraído para uma emboscada pela própria Beatriz e brutalmente violentado por Eduardo, o playboy da cidade, e seus três amigos . E o pior: Beatriz assiste a tudo, rindo. O livro te joga no chão junto com ele. E quando você acha que não pode piorar, a justiça falha de um jeito nojento e o pai dele morre em praça pública, humilhado pelos mesmos agressores. É essa tragédia que transforma o simples rapaz num poço de ódio. É um soco no estômago, mas é o que dá base para tudo que vem depois.
2. A mente complexa de Ravel
O livro é todo narrado em primeira pessoa. A gente não está só assistindo à vingança, a gente está dentro da cabeça dele. O mais fascinante é que Ravel não se vê como um monstro ou um simples vingador. Ele se chama de "herói". Ele justifica sua sede de vingança como uma "espécie de lógica matemática, regra de três existencial". Para ele, o que ele vai fazer não é maldade, é um "ritual de purificação" necessário para que ele possa, um dia, voltar a ter a capacidade de amar que lhe foi roubada. É um mergulho profundo e sombrio na mente de alguém que foi quebrado e se reconstrói sobre o ódio.
3. Uma trama de vingança no estilo "Monte Cristo"
Se você, como eu, curte uma boa história de vingança, "A Noiva de Ravel" é um prato cheio. Mas não é uma vingança "fast-food", apressada. É um plano de quase 20 anos. Acompanhamos Ravel sair do nada, ir para a capital, construir uma fortuna milionária (usando métodos bem... questionáveis, incluindo fraude e assassinato) e se tornar um gênio financeiro. Ele se torna o homem mais rico e poderoso da história. Quando ele finalmente retorna a Paraíso, ele é um fantasma. Ele instala uma rede de espionagem que cobre cada canto da cidade e faz a elite corrupta (que um dia o destruiu) comer na palma da mão dele, contraindo dívidas imensas. É uma teia de aranha sendo tecida lentamente, e é delicioso ver.
E aí, ficou curioso? Comece agora mesmo a ler esse livro!




















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