Organizadores: Valéria Leão
Editora: AutografiaCompre através deste link.
“Quando as portas se fecharam para o mundo exterior, quando o som do silêncio ecoou pelas ruas e avenidas, quando o convívio social foi, bruscamente, interrompido, as janelas da alma se abriram. Antigas memórias de experiências afetivas vieram ocupar as horas intermináveis dos primeiros dias de recolhimento, ao mesmo tempo, os acontecimentos atuais levaram à reflexão sobre as muitas questões existenciais. O bem e o mal que permeiam as nossas vidas ganharam outras nuances. Com suas crônicas e poesias, a obra almeja levar ao leitor a certeza de que a capacidade humana de se reinventar e seguir adiante é inesgotável, e que é a resiliência que nos ampara em tempos de crise. Passado e presente em histórias pessoais e, ao mesmo tempo, universais, comuns a todos nós; histórias permeadas de afeto e as melhores expectativas em relação ao futuro: é o que a autora compartilha nessa nova obra."
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Os Afetos que nos Afetam: crônicas e poemas, escrito por Valéria Leão. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Dividido em partes muito bem delimitadas, o livro se constrói como um mosaico de sentimentos, experiências e reflexões que orbitam em torno de uma ideia simples e poderosa: tudo aquilo que nos atravessa, de alguma forma, nos transforma. Valéria transita com naturalidade entre a crônica, a prosa poética e o poema, sem se prender a métricas rígidas ou a uma estética engessada.
Logo no começo nós somos apresentados a textos que falam de família, infância, amizade, perdas, escolhas e memórias. Existe algo muito honesto na escrita da autora: ela não tenta embelezar excessivamente a dor e nem dramatizar o cotidiano; pelo contrário, Valéria escreve como quem conversa, como quem se senta à mesa e compartilha histórias que são profundamente pessoais, mas que ecoam com facilidade na vida de qualquer leitor. Textos como “Cadeira Vazia” e “Minha Caçulinha” carregam uma força emocional silenciosa, daquela que aperta o peito sem precisar levantar a voz.
Como se isso já não fosse o suficiente, Vanessa amplia esse olhar para o mundo ao redor. Assim, ela traz reflexões sobre tempo, solidariedade, fé, encontros inesperados e pequenas gentilezas que muitas vezes passam despercebidas na correria dos dias. Valéria tem um olhar atento para o banal! Ela entende que o extraordinário costuma se esconder nas cenas mais simples: uma conversa no salão de beleza, um elogio inesperado, um gesto de cuidado, uma despedida silenciosa.
Existe uma delicadeza muito particular na forma como a autora observa as relações humanas, sem idealizá-las demais, mas também sem cinismo. É uma escrita que acredita no afeto como força de sustentação, mesmo quando ele falha, machuca ou se transforma.
Por fim, o livro evoca reflexões mais diretas sobre sociedade, isolamento, política, intolerância e esperança. Sem soar panfletária, Valéria se posiciona, questiona e nos convida a refletir sobre o mundo que estamos construindo e sobre o papel que cada um de nós ocupa nele.
Os Afetos que nos Afetam é um livro que pede leitura sem pressa. Ele não foi feito para ser devorado de uma vez, mas para ser sentido aos poucos. É daqueles livros que você lê um texto, fecha, fica em silêncio por alguns minutos e só depois segue adiante. A escrita da Valéria Leão tem essa capacidade rara de acolher. Só leiam.



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