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Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês uma entrevista feita com Ricardo Colares, autora de O décimo terceiro apóstolo.
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1. Ao escolher contar essa história pelos olhos de alguém que ficou à margem dos registros oficiais da fé, o que você queria investigar sobre o cristianismo que não costuma aparecer nas narrativas tradicionais?
Diante da perspectiva de que a história sempre é contada por quem vence, por que tem o poder político, eu gostaria de investigar porque os quatros evangélicos da bíblia foram selecionados deixando outros relatos sobre Jesus e a história do cristianismo ficaram de fora. Entendi, com as minhas pesquisas que nós todos temos o direito de saber que Jesus foi um personagem criado por outros e não somente pela sua mensagem, assim eu coloquei o resultado das pesquisas no olhar de Azaria, para que ele pudesse contar ao meu leitor tudo aquilo que outros viram, escreveram mais que algum motivo foram ignorados pelo conselho de Nicéa e pelo imperador Constantino.
2. Azaria atravessa a história mais como testemunha do que como protagonista dos grandes acontecimentos. Em que momento você percebeu que o silêncio, a observação e a sobrevivência seriam mais importantes para o personagem do que atos heroicos ou milagres?
Azaria é um observador da história responsável por juntar os pontos dela, ele vai analisar o preconceito de Paulo de Tarso e dos primeiros cristãos, por exemplo, ao evangelizarem e tentar impor aos outros aquilo que eles entendiam como verdade absoluta. Ser Cristão nos tempos de Azaria foi muito difícil pois para eles tudo que não estivesse dentro daquilo quele entendiam como correto precisava ser destruído, então por isso, boa parte cultural até então existente no mundo foi destruída, o mundo viveu grande momento de conflito e ainda vive porque a intolerância religiosa passou a ser pauta extrema com o cristianismo. Azaria, prova que Jesus não queria nada disso.
3. O livro humaniza figuras centrais do cristianismo sem transformá-las em símbolos distantes. Como foi o processo de equilibrar respeito à tradição religiosa com a liberdade criativa da ficção histórica?
Eu não me preocupei em santificar os personagens, eu me preocupei em demonstrar que eles eram reais, gente de carne e osso, que também duvidavam, e que questionavam, e que a exemplo de Tomé queria acreditar, mas que buscavam sentido a tudo – Eles eram humanos, como Azaria, a exceção de Maria, que para mim, era realmente um ser de luz os apóstolos todos eram humanos, que tiveram a felicidade de conviverem com Jesus.
4. O Décimo Terceiro Apóstolo dialoga com questões bastante contemporâneas, como exclusão, pertencimento e busca por sentido, mesmo sendo ambientado no passado. Em que medida você pensou no leitor de hoje enquanto construía essa jornada de Azaria?
A toda hora que a pesquisa foi se revelando, eu vi que só mudava o cenário, hoje o medo do homem moderno é de ser “cancelado” de ser excluído e isso é muito visível com a proliferação das redes sociais, como advento da internet. Mas isso existia lá. Quem pensava diferente dos primeiros Cristãos era considerado herege, mulheres foram queimadas como bruxas, cruzadas foram financiadas para impor a fé cristã onde se entendia que era diferente. Azaria passa a ser diferente, ainda que sua ajuda seja necessária, a conclusão que eu tiro de tudo isso é que o ser humano como obra de Deus, é imperfeito, como o mundo que ele próprio criou.



















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