Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês uma entrevista feita com Sheila Mostaço, autora de Adentre o Labirinto da sua alma: No centro não há apenas você, ainda assim a essência de tudo que existe.
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1. Adentre o labirinto da sua alma parte de perguntas existenciais muito amplas, como quem somos e para onde vamos. Em que momento da sua trajetória pessoal essas perguntas deixaram de ser apenas reflexões internas e passaram a exigir forma de livro?
Essas perguntas sempre estiveram comigo, como um ruído constante no fundo da alma. Quem somos? De onde viemos? O que fazemos aqui? Para onde vamos? Durante muito tempo, elas habitaram apenas o território íntimo do silêncio. Vinham nas madrugadas, nos momentos de ruptura, nas despedidas que não sabiam se chamar fim ou recomeço. O livro nasceu quando percebi que já não bastava sustentar essas questões só dentro de mim. Houve um ponto da minha trajetória em que o acúmulo de vivências, dores, despertares e reconciliações internas começou a pedir corpo, palavra, matéria. Escrever deixou de ser um refúgio e passou a ser um compromisso: comigo e com outras almas que também caminham pelo labirinto, muitas vezes achando que estão sozinhas. O livro surgiu como uma necessidade de dar forma ao indizível, de transformar perguntas em caminho, não para respondê-las definitivamente, mas para habitá-las com mais consciência.
2. O fio vermelho aparece como uma metáfora central da obra, ligado à energia vital, à paixão e ao movimento da vida. Como essa imagem surgiu para você e de que maneira ela dialoga com a sua própria experiência de transformação ao longo dos ciclos que o livro aborda?
O fio vermelho me encontrou antes de ser compreendido. Ele surgiu como uma imagem intuitiva, quase visceral, ligada ao sangue que pulsa, à energia que insiste em circular mesmo quando tudo parece estagnado. Para mim, ele representa a força vital que atravessa os ciclos: nascimento, queda, morte simbólica, renascimento. É o fio que costura as versões de quem fui, sem negar nenhuma delas. Ao longo da minha própria transformação, percebi que viver não é seguir uma linha reta, mas aceitar o movimento espiral da existência. O fio vermelho é essa memória viva da paixão que move, da dor que ensina, do desejo que reacende. Ele dialoga diretamente com a minha história porque me lembra que, mesmo nos momentos de perda ou confusão, algo essencial continua pulsando, pedindo passagem.
3. Ao longo da leitura, filosofia, espiritualidade e religiosidade se entrelaçam de forma muito orgânica. Como foi o processo de equilibrar essas três dimensões sem cair em um discurso dogmático ou em respostas fechadas?
O equilíbrio entre filosofia, religiosidade e espiritualidade foi um exercício constante de escuta e humildade. Eu nunca quis oferecer respostas prontas ou verdades absolutas. A filosofia entra como questionamento, como provocação que desestabiliza certezas. A religiosidade aparece como herança simbólica, linguagem ancestral que molda imaginários e afetos. A espiritualidade surge como experiência viva, sentida no corpo e no silêncio, sem precisar de nome. O cuidado foi não hierarquizar essas dimensões, mas permitir que dialogassem entre si, respeitando seus limites e potências. Evitei o dogma justamente deixando espaço para o mistério. O livro não aponta um caminho único; ele abre clareiras para que cada leitor reconheça o seu próprio modo de se relacionar com o sagrado, com o pensamento e com o sentir.
4. A estrutura do livro, organizada em capítulos que acompanham um percurso interior, sugere uma jornada consciente do leitor. Essa ordem foi pensada desde o início ou foi se revelando conforme a escrita avançava?
A estrutura do livro nasceu como nasce uma jornada interior: parcialmente intuída, parcialmente revelada. No início, havia apenas a sensação de percurso. Eu sabia que o leitor precisaria atravessar camadas, não apenas capítulos. À medida que a escrita avançava, a ordem foi se mostrando quase organicamente, como se o próprio texto soubesse para onde precisava ir. Cada capítulo corresponde a um estado de consciência, a um ponto do caminho onde algo precisa ser visto, sentido ou deixado para trás. Não é uma sequência rígida, mas um convite ao percurso. Essa organização reflete a minha própria experiência. Não foi linear, mas foi consciente. E é isso que eu ofereço ao leitor, não um mapa fechado, mas um fio que orienta sem aprisionar.
5. Os exercícios propostos ao longo da obra convidam o leitor a sair da posição passiva. Qual é a importância dessa interação prática para você dentro da proposta de autoconhecimento que o livro apresenta?
Os exercícios são o coração pulsante da obra. Para mim, autoconhecimento não acontece apenas no campo do entendimento intelectual; ele precisa descer ao corpo, à emoção, ao gesto cotidiano. Convidar o leitor à prática é retirá-lo do lugar de espectador e colocá-lo como protagonista da própria aventura. Esses exercícios não buscam performance nem resultado imediato, mas presença. Eles criam pausas, espelhos, espaços de escuta interna. A interação prática é fundamental porque transforma leitura em experiência. O livro não quer ser apenas lido, ele quer ser vivido. E é nesse encontro entre palavra e ação que o verdadeiro movimento acontece, onde o fio vermelho deixa de ser metáfora e passa a ser sentido, pulsando na própria vida de quem se permite transformar.




















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