Organizadores: Renato Ribeiro
Editora: UICLAP
Páginas: 276
Ano de publicação: 2025
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Um asteroide de mais de 200 metros atinge o solo numa área rural do interior do Estado de São Paulo, destruindo cidades, matando milhares e gerando uma tragédia sem precedentes. O Governo Federal fica exposto à carência de recursos e assertividade para conduzir operações de resgate na área da devastação e lidar com a catástrofe, em um cenário de divisão ideológica, religiosa e política, que piora ainda mais a situação. Mas o dano maior está nas vítimas que sobreviveram por pura sorte, que passam a lutar para continuar vivendo, enquanto ajudam uns aos outros a atravessar a devastação e reencontrar as pessoas que amam.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Desolação, lançado de maneira independente. O livro é de autoria de Renato Ribeiro e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
A trama começa estabelecendo um paralelo histórico com o evento de Tunguska em 1908, mas logo nos traz para a contemporaneidade no interior de São Paulo. O enredo gira em torno de uma catástrofe sem precedentes: a queda de um asteroide de 206 metros de diâmetro na zona rural entre as cidades de Aguaí, Estiva Gerbi e Espírito Santo do Pinhal. O autor é extremamente meticuloso ao descrever o impacto técnico e humanitário, detalhando desde a formação de uma cratera de 4 quilômetros até as consequências climáticas globais, como o "inverno de impacto".
Os personagens são o coração dessa história de sobrevivência. Temos Mônica Novaes, uma advogada determinada que, enquanto lida com casos complexos como o divórcio da cliente Caroline, vê seu mundo ruir ao perder contato com o marido. Gael, marido de Mônica e engenheiro civil, é um dos protagonistas que vive o horror do impacto de perto enquanto trabalhava em uma clínica na zona crítica.
Acompanhamos também Caroline Steinchorn e seu pai, o médico Afonso. Ambos sobrevivem milagrosamente ao impacto inicial enquanto almoçavam em um pesqueiro. A dinâmica familiar e o luto pela perda da mãe, Amélia, carbonizada nos escombros da própria casa, trazem uma carga emocional muito forte para a narrativa. Outro ponto interessante é a visão técnica de Anderson Silvério, do CEMADEN, que coordena a análise do desastre e nos oferece a dimensão científica da tragédia.
O cenário de Desolação é, como o nome sugere, aterrador. O autor descreve com precisão a transformação das cidades do interior paulista em paisagens de cinzas, chamas e escuridão ocre, onde a chuva cai negra, carregada de fuligem. A obra não foca apenas na destruição física, mas também no caos social: a propagação de notícias falsas, o pânico generalizado e a intervenção federal no estado de São Paulo.
O que mais brilha em Desolação é a capacidade de Renato de humanizar estatísticas. Enquanto os modelos científicos preveem centenas de milhares de mortos, nós sofremos com Gael tentando voltar para casa e com Mônica usando as redes sociais para clamar por resgates na área abandonada pelas autoridades. É um livro que nos faz refletir sobre a fragilidade humana diante do poder brutal da natureza.
Espero que essa resenha tenha despertado a curiosidade de vocês para conhecerem essa obra nacional poderosa. A edição que li tem uma diagramação cuidadosa e uma capa que já nos prepara para a atmosfera do livro.
Para quem quiser se aprofundar no contexto científico de eventos assim, recomendo os boletins reais do CEMADEN, que serviram de inspiração para a organização do comitê de crise no livro. Aproveitem!





















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