14 de janeiro de 2026

RESENHA: O DÉCIMO TERCEIRO APÓSTOLO



Organizadores:  Ricardo Colares 
Editora: Viseu
Páginas: 192
Ano de publicação: 2025
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Azaria tinha apenas treze anos quando testemunhou a crucificação de Jesus em Jerusalém. Não era um apóstolo, nem um dos escolhidos era apenas um menino judeu comum, curioso, inquieto e marcado para sempre pela cena que presenciou no Gólgota. A partir daquele momento, sua vida se tornaria uma peregrinação silenciosa em busca de sentido, fé e coragem para seguir adiante. O Décimo Terceiro Apóstolo é uma ficção histórica baseada em eventos bíblicos, que reimagina a história do cristianismo primitivo pela ótica de um jovem que viu tudo, mas nunca teve seu nome registrado. Azaria caminha entre os grandes nomes da fé: Maria, João, Pedro, Madalena, Paulo e Lucas. Ele está nas sombras dos evangelhos, nos bastidores da fé, nos corredores da dúvida humana. Conhece o amor, o abandono, o perdão e a solidão. Não realiza milagres sobrevive a eles. Não escreve cartas mas guarda cada memória com o peso de quem sabe que a fé verdadeira começa no íntimo e termina no silêncio. Do Gólgota às catacumbas de Roma, da casa do discípulo amado aos desertos da perseguição, Azaria atravessa o Império como testemunha viva da fé que não se impõe apenas transforma. Enfrenta os dilemas da culpa, da vergonha, do medo e da exclusão até compreender que, para ser de Cristo, é preciso morrer para o mundo. Mais do que uma narrativa sobre o passado, O Décimo Terceiro Apóstolo é uma jornada existencial. Um espelho da alma de quem busca respostas que a religião nem sempre oferece. Um convite para lembrar-se de que, muitas vezes, os maiores pilares da fé são aqueles que nunca subiram a púlpitos mas viveram a verdade de joelhos, no escuro, sem aplausos.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Décimo Terceiro Apóstolo, lançado pela editora VIseu. O livro é de autoria de Ricardo Colares.



Azaria tinha apenas treze anos quando presenciou a crucificação de Jesus em Jerusalém. Ele não era um apóstolo, não fazia parte dos escolhidos e tampouco ocupava qualquer lugar de destaque na história que viria a ser contada séculos depois. Era apenas um menino judeu comum, curioso, inquieto e profundamente marcado pela cena que testemunhou no Gólgota.

A partir desse momento, sua vida se transforma em uma peregrinação silenciosa, guiada mais pela dúvida do que pela certeza. Azaria caminha à margem da fé institucionalizada, atravessando encontross que moldam sua forma de enxergar o mundo e a si mesmo. Ele está presente nos bastidores da história cristã, observando tudo de perto, mas sempre permanecendo fora dos registros oficiais.

O que mais me surpreendeu nessa leitura foi a proposta do autor. Quando peguei o livro, imaginei que encontraria uma reinterpretação direta da crucificação e de seus desdobramentos. Mas Ricardo Colares vai além disso. O livro se assume como uma ficção histórica e utiliza eventos amplamente conhecidos para construir algo muito mais íntimo e humano: a história de como tudo isso foi vivido pelos olhos de uma criança.

Essa mudança de perspectiva faz toda a diferença. A narrativa ganha um peso emocional muito forte ao mostrar figuras centrais da fé cristã (como Maria, João, Pedro, Madalena, Paulo e Lucas)  como pessoas reais, vistas por alguém que está aprendendo a entender o mundo enquanto ele desmorona ao redor.

Azaria não faz milagres, não escreve cartas e não lidera comunidades. Ele sobrevive. Carrega memórias, culpas, silêncios e questionamentos. E talvez seja exatamente aí que o livro encontre sua maior força. A fé apresentada aqui é construída no íntimo, na solidão, no medo e na resistência diária.

Mesmo para quem não é religioso ou não segue o cristianismo, a história funciona muito bem. Os temas abordados são universais: pertencimento, exclusão, vergonha, perdão e a busca por sentido em meio ao caos. É uma narrativa que conversa com qualquer pessoa que já se sentiu deslocada ou invisível em algum momento da vida.

Outro ponto que merece destaque é a escrita do autor. Ricardo Colares consegue criar descrições muito vívidas, trazendo um período histórico pesado e sombrio sem perder a sensibilidade. Existe dor, perseguição e violência, mas também existe beleza nas relações humanas, nos pequenos gestos e na forma como os personagens se conectam. O cenário é rico, bem construído e ajuda a sustentar toda a carga emocional da história.

O Décimo Terceiro Apóstolo é mais do que um romance histórico. É uma jornada existencial sobre aqueles que nunca subiram aos púlpitos, nunca tiveram seus nomes registrados, mas viveram a fé de forma silenciosa, longe dos holofotes e dos aplausos.


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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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