Organizadores: Paulo Costa
Editora: Viseu
Páginas: 159
Ano de publicação: 2025
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Por trás do espelho, havia um garoto que ninguém via.Aos olhos do mundo, ele sorria. Por dentro, colecionava silêncios, cicatrizes e segredos que doíam mais do que os nomes que o chamavam. Este livro não é apenas um relato — é um grito sussurrado de quem aprendeu a sobreviver onde muitos não voltam.Entre abusos, julgamentos e noites vendidas, Paulo escreve com a alma aberta o que tantos tentam esconder. Cada capítulo é um fragmento de verdade arrancado da pele. Cada palavra, uma tentativa de dar sentido ao que parecia impossível de nomear.Não é uma história sobre vergonha — é sobre coragem.Não é sobre prostituição — é sobre o preço da ausência de amor.É sobre encontrar abrigo em si quando o mundo se torna um lugar inabitável.O Garoto por Trás do Espelho é um testemunho nu, real e necessário. Para todos os que já se sentiram invisíveis, impuros ou descartáveis — esta é uma história que também é sua.A obra possui temas sensíveis e pode gerar desconforto ou acionar gatilhos emocionais.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Garoto por Trás do Espelho, de Paulo Costa. A obra foi publicada pela editora Viseu e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Antes mesmo de iniciar a leitura, eu já sabia que não seria um livro fácil. A sinopse deixa isso muito claro. Ainda assim, nada nos repara totalmente para o que está por vir. O Garoto por Trás do Espelho é uma leitura curta, fluida, mas intensa, não pela escrita em si, e sim pelo que ela carrega. Aqui, acompanhamos a história de Bruno, um personagem que sorri para o mundo enquanto, por dentro, acumula silêncios, traumas e feridas que nunca cicatrizaram de verdade.
A narrativa começa ainda na infância, quando Bruno sofre um abuso cometido por um parente. A partir desse evento, Paulo constrói um retrato muito honesto de como a vida desse personagem se fragmenta. Não existe uma tentativa de suavizar o impacto do trauma, nem de nos conduzir pela mão. O que existe é a exposição direta de uma dor que atravessa o tempo e se manifesta em diversas fases da vida adulta.
Um dos aspectos que mais me chamou atenção foi a estrutura do livro. Os capítulos são curtos, quase como pequenos episódios, cada um revelando um recorte da experiência de Bruno. Essa escolha funciona muito bem, porque reflete o estado emocional do personagem: uma identidade quebrada, formada por pedaços, memórias soltas e sentimentos difíceis de organizar. Em especial, os capítulos que abordam a prostituição são escritos de forma crua, sem glamourização, mostrando muito mais o apagamento do indivíduo do que o ato em si.
Logo no início da obra, Paulo deixa claro que não escreveu esse livro para ser aplaudido ou perdoado. Ele escreve porque precisava contar, antes que se esquecesse de vez. Essa frase define muito bem o tom da narrativa. O Garoto por Trás do Espelho não é uma história sobre vergonha, mas sobre sobrevivência. Não é sobre prostituição, mas sobre o preço emocional da ausência de amor, de cuidado e de acolhimento.
Outro ponto muito forte é a nota do autor, em que Paulo revela que Bruno é uma versão criada para suportar aquilo que ele mesmo não conseguia carregar sozinho. Essa revelação dá ainda mais peso à leitura, porque reforça o caráter autobiográfico da obra e deixa claro que estamos lidando com algo que ultrapassa a ficção. A literatura aqui funciona como espaço de voz, de identidade e de resistência.
É importante deixar o alerta: o livro é recomendado para maiores de 18 anos e aborda temas como abuso, violência e experiências sexuais de forma direta, podendo acionar gatilhos emocionais. Ainda assim, é uma leitura necessária. Difícil, sim. Incômoda, também. Mas essencial dentro da literatura contemporânea, justamente por dar palco a histórias que, por muito tempo, foram empurradas para o silêncio.



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