15 de janeiro de 2026

RESENHA: O SAGRADO NO PROFANO

 

 


Organizadores:  Dione Caruzo
Editora: Laurea
Páginas: 213
Ano de publicação: 2026
Compre através deste link.

Esta obra expõe verdades que, por séculos, permaneceram ocultas ao grande público sobre a relação entre religião e política – dois campos que, mais do que nunca, influenciam e moldam a humanidade.Dione Caruzo, teólogo e administrador público, destrincha como essas forças caminharam lado a lado nos momentos mais decisivos da história: das Eras Bíblicas – Inocência, Consciência, Governo Humano, Patriarcal, Lei e Graça – até os grandes marcos históricos, como as Guerras Medievais, as Cruzadas, a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa e as Grandes Guerras Mundiais.De forma clara e provocativa, o livro evidencia o papel direto das religiões na política e também as políticas internas que regem cada uma delas: Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Hinduísmo, religiões de matriz africana, Espiritismo, entre outras. Mostra ainda como os chamados “heróis da fé” – Moisés, Abraão, José, Maomé e tantos outros – foram líderes políticos antes mesmo de serem reconhecidos como líderes espirituais. E levanta a questão essencial: teria Jesus Cristo também sido um líder político?Com linguagem acessível e análise profunda, esta é uma obra essencial para quem deseja compreender o mundo além das aparências e construir uma mentalidade crítica sobre o entrelaçamento inevitável entre religião e política..

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Sagrado no Profano: Religião e Política na construção do poder, escrito por Dione Barbosa Caruzo e publicado pela Laurea.


A proposta de Caruzo é simples de entender: questionar se a religião (ou aquilo que ele chama de forças ocultas) comanda ou não a política. E, mais do que isso, mostrar como essa separação tão defendida entre fé e poder nunca existiu de fato.

Ao longo da leitura, o Caruzo constrói a ideia de que a política acompanha a humanidade desde seus primeiros passos, e que a religião sempre esteve no centro dessas disputas. A Bíblia, aqui, aparece como um registro político da história humana. Patriarcas, profetas, reis e líderes religiosos não eram apenas figuras de fé, eram governantes, estrategistas e agentes diretos do poder em seus contextos históricos.

Um dos pontos mais interessantes do livro está na crítica à ideia de que “política é coisa do mal”. Segundo DIone, esse discurso funciona como uma armadilha. Ao afastar da política pessoas que possuem valores, princípios e senso coletivo, o sistema se mantém nas mãos de quem trata o poder como negócio pessoal. Ficar de fora não significa pureza moral, significa fragilidade, exclusão e, em muitos casos, manipulação.

O autor também diferencia bem duas coisas que costumam ser colocadas no mesmo balaio: a igreja na política e a política dentro da igreja. Para ele, o problema não é a religião ocupar o espaço público, mas o uso da fé como instrumento de dominação, enriquecimento e controle. Quando líderes religiosos usam o nome de Deus para justificar interesses pessoais, a discussão deixa de ser humana e se torna intocável, o que torna qualquer questionamento quase impossível.

O livro passa por temas como laicidade do Estado, escatologia bíblica, manipulação da mente humana e o papel das crenças na tomada de decisões políticas. Caruzo defende que não existe política puramente racional, já que toda ação humana envolve emoção, valores e crenças. Separar completamente religião e política seria tão inviável quanto separar razão, emoção e espiritualidade dentro do próprio ser humano.

Na parte final, o autor chega à pergunta que atravessa toda a obra: a política é de Deus ou do Diabo? Tudo depende de como a política é exercida. Quando ela serve ao próximo, baseada em honestidade, idealismo, capacidade e coragem, ela se aproxima do bem. Quando se transforma em instrumento de dominação, violência e exploração, passa a representar o pior da humanidade. 

O Sagrado no Profano é um livro provocativo, denso e, em muitos momentos, desconfortável. Não é uma leitura neutra e nem pretende ser. Concordando ou não com o autor, é impossível sair dessa obra sem repensar a relação entre fé, poder e o nosso próprio papel dentro da sociedade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

Equipe do Porão

.

Caixa de Busca

Destaque

RESENHA: O SAGRADO NO PROFANO

    Organizadores:  Dione Caruzo Editora: Laurea Páginas: 213 Ano de publicação: 2026 Compre através deste link. Esta obra expõe v...

Arquivos

LITERATURA E MÚSICA

LITERATURA E MÚSICA

Posts Populares

ÚLTIMAS LISTAS LITERÁRIAS

Receba as novidades

Tecnologia do Blogger.

SIGA O PORÃO LITERÁRIO!

SIGA O PORÃO LITERÁRIO!