17 de janeiro de 2026

RESENHA: OURO DA FLORESTA

 

 


Organizadores:  Niara Su
Editora: Casa do Escritor
Páginas: 151
Ano de publicação: 2026
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Jonas é um piloto ambicioso que se envolve em um perigoso esquema de garimpo ilegal na Bacia do Tapajós, no Pará. Seduzido pela promessa de riqueza fácil, ele intercepta informações privilegiadas sobre a maior jazida de ouro do país, localizada em território indígena. Tais informações eram destinadas a Rocha, um temido líder do crime organizado na região, que fará de tudo para recuperar o que lhe foi subtraído. Consumido pela própria ganância, Jonas verá suas escolhas causarem efeitos devastadores sobre a floresta e os povos que nela habitam. Para se libertar, precisará enfrentar as consequências e responder a um chamado interior de redenção. Sua jornada o conduzirá a uma missão sagrada ao lado de Kayãn, Ayana, Niara, do Pajé e de toda a comunidade indígena: transmitir ao mundo uma mensagem vital dos espíritos da floresta. Mas antes que essa aliança se forme, eles pagarão um alto preço pelas decisões imprudentes do piloto.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Ouro da Floresta. O livro é de autoria de Niara Su e a resenha foi escrita por Leonardo Santos. 


Aqui nós acompanhamos Jonas, um piloto ambicioso que se envolve em um esquema de garimpo ilegal na Bacia do Tapajós, no Pará. Endividado e seduzido pela promessa de dinheiro rápido, ele passa a transportar mercadorias e informações para grupos criminosos que atuam diretamente em terras indígenas. No início, Jonas enxerga tudo isso apenas como um meio para resolver seus próprios problemas, sem qualquer preocupação com os impactos que suas escolhas causam à floresta e às pessoas que vivem nela.

O que mais me chamou atenção durante a leitura foi justamente a trajetória desse personagem. Jonas começa como alguém completamente tomado pela ganância, disposto a fechar os olhos para qualquer violência ou destruição desde que o dinheiro continue entrando. Aos poucos, porém, a narrativa vai mostrando o peso dessas decisões. A culpa e o medo passam a fazer parte do cotidiano dele, e essa transição é construída de forma muito consistente. 


A autora trabalha muito bem a denúncia social dentro da narrativa onde o garimpo ilegal aparece como o eixo central da história. A violência contra os povos indígenas, a invasão de seus territórios, a destruição da floresta e o envolvimento do crime organizado são apresentados de forma clara, sempre por meio dos personagens e das situações que eles enfrentam. Isso deixa a leitura ainda mais forte, principalmente por sabermos que esse livro nasce de um contexto real, marcado pelo crescimento exponencial do garimpo ilegal entre os anos de 2020 e 2022.

Os personagens indígenas têm um papel fundamental na história. Kayãn, Ayana, Niara, o Pajé e toda a comunidade não estão ali apenas para reagir aos acontecimentos de forma passiva como personagens secundários, mas sim para conduzir parte da narrativa. A floresta também ganha um espaço muito simbólico, quase como um personagem vivo, que se comunica, observa e reage. Esse aspecto mais espiritual funciona muito bem e reforça a ideia de que a Amazônia é um organismo vivo, cultural e simbólico. 


Outro ponto que enriquece bastante a leitura é a forma como a história é contada. Ouro da Floresta nasceu inicialmente como um roteiro de longa-metragem, o que explica o ritmo ágil e extremamente visual da narrativa. As cenas são fáceis de imaginar, há tensão constante e uma sensação de perigo que acompanha o leitor do início ao fim. Esse cuidado com a construção das cenas deixa a leitura envolvente e dinâmica.

Vale destacar também o trabalho de pesquisa por trás do livro. Embora seja uma obra de ficção, a autora se baseou em diversas notícias e reportagens sobre o avanço do garimpo ilegal, o tráfico de armas e o uso da região amazônica por organizações criminosas. Tudo isso aparece de forma integrada à história, sem quebrar o ritmo da narrativa, mas acrescentando peso e relevância ao que está sendo contado.

Ouro da Floresta é uma leitura que envolve tanto pela história quanto pela temática. Um livro nacional importante, contemporâneo e necessário, que usa a ficção como meio para provocar reflexão e consciência. Recomendo bastante, especialmente para quem busca uma narrativa de aventura que também dialogue com questões reais e urgentes do nosso país.

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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