Organizadores: Darlen Gonçalves
Editora: Viseu
Páginas: 48
Ano de publicação: 2025
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Essa história verídica, real , emocionante, dramática e cheia de aventuras que foi noticiada em vários jornais é contada e foi escrita nos mínimos detalhes por um ex presidiário que depois de viver , passar , presenciar e sobreviver aos momentos mais difíceis e tribulados enquanto esteve preso entre a antiga casa de Detenção de SP, conhecida como Carandiru e a penitenciária 2 de Pirajuí. Hoje é um homem regenerado graças à Deus e a sua força de vontade e fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Penitenciária II de Pirajui, de Darlen Gonçalves. A obra foi publicada de maneira independente e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Confesso que eu não sabia exatamente o que esperar antes de iniciar a leitura. A gente consome muita coisa sobre prisões por meio de reportagens, séries e até filmes, mas quase sempre tudo vem filtrado, editado e, em muitos casos, espetacularizado. Aqui, não. Desde as primeiras páginas, fica claro que Darlen escreve como alguém que viveu aquilo na pele.
O livro começa ainda no Carandiru, já nos seus últimos anos de funcionamento. Darlen descreve a Casa de Detenção como um espaço de abandono absoluto, principalmente nas chamadas celas de trânsito, onde ficavam os presos sem dinheiro, sem visitas e sem qualquer tipo de respaldo externo. O que mais me chamou atenção nesses trechos foi a sensação constante de invisibilidade.
Ao longo da narrativa, o autor expõe a lógica interna da prisão, que funciona quase como um mundo à parte. Existe hierarquia, regras próprias e figuras que concentram poder. A faxina, grupo responsável por manter a “ordem” dentro do pavilhão, surge como um dos elementos mais assustadores do livro. Carioca, líder desse grupo, é retratado como alguém temido por todos, capaz de decidir punições, castigos e até mortes.
Outro ponto que me marcou bastante foi a descrição das transferências. O transporte dos presos é narrado de forma sufocante. Caminhões fechados, aviões militares, agressões físicas, humilhações constantes e a sensação de que a vida ali não tinha valor algum.
Quando o autor chega à Penitenciária II de Pirajuí, há um certo contraste. A estrutura é diferente, mais organizada, com acesso à escola, enfermaria, biblioteca e atividades de trabalho. Ainda assim, o livro deixa claro que isso não significa humanidade plena. A violência continua presente, mas de forma mais silenciosa, mais institucionalizada. Pequenas melhorias estruturais fazem diferença, mas não resolvem o problema central de um sistema que parece mais preocupado em punir do que em recuperar.
Darlen também fala muito sobre fé e transformação pessoal. A espiritualidade surge como uma âncora em meio ao caos, algo que o ajudou a sobreviver mentalmente e a ressignificar sua própria trajetória. Isso não aparece como discurso forçado ou moralizante, mas como parte genuína da experiência de alguém que precisava se agarrar a algo para não ser engolido pelo sistema.
Penitenciária II de Pirajuí é um livro difícil de ler, não pela escrita, mas pelo que ela revela. É um relato cru, incômodo e necessário. Darlen Gonçalves expõe um sistema prisional falido, violento e profundamente desumano, longe da narrativa simplificada que costuma aparecer nos jornais. Não é um livro sobre justificar crimes, mas sobre entender o que acontece depois da sentença.




















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