Organizadores: Jorge Lander Kenworthy
Editora: Labrador
Páginas: 96
Ano de publicação: 2025
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Seleção de versos nascidos entre 1998 e 2022, soletrados principalmente em noites cujas imperfeições, em meio à escuridão, conseguiram se camuflar com duvidosa eficiência ― e nas quais as rimas se conheceram aos tropeços, impunes e desavergonhadas. É fato que algumas tardes intrometidas colaboraram; guardanapos rascunhados em mesinhas de bar com o velho papo de sempre: tempo, saudade, paixão, amor, todos esses elementos com os quais os versos costumam sonhar. E aos quais nós, pobres criaturas sentimentais, nos submetemos com indevida, mas necessária, intensidade ― como se não houvesse amanhã.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro À noite todos os versos são perfeitos, escrito por Jorge Lander Kenworthy, publicado pela Editora Labrador, e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Comecei essa leitura sem esperar uma grande narrativa ou algo que me conduzisse pela mão. Poesia, pelo menos pra mim, sempre foi mais sensação do que explicação. Ainda assim, logo nas primeiras páginas ficou claro que esse não é um livro feito para ser apenas lido, mas vivido em pequenos intervalos, quase como quem atravessa a própria madrugada acompanhado de pensamentos que insistem em não dormir.
À noite todos os versos são perfeitos é um livro que respira noite. Não só pelo título, mas pelo tom. Silêncio, memória, espera... Lander escreve como um observador do mundo pela janela deixando que as palavras surjam sem pressa e sem a necessidade de impressionar.
Os poemas falam de amor, ausência, saudade, tempo, família e cotidiano. Tudo isso aparece de forma muito honesta. Há textos sobre filhos, sobre a casa, sobre a madrugada, sobre pequenos objetos e cenas simples que, nas nossas mãos, ganham um peso emocional inesperado.
O que mais me chamou atenção foi como o livro entende a melancolia sem exagerar nela. Existe tristeza, claro, mas também existe carinho, humor sutil e uma certa aceitação do tempo como ele é. Muitos poemas soam como conversas internas, pensamentos que surgem quando o barulho do dia some. Em vários momentos tive a sensação de estar lendo algo extremamente pessoal que acabou chegando até nós por acaso.
A variação de formatos também ajuda muito na leitura. Há poemas longos, quase narrativos, e outros curtíssimos, diretos, que funcionam como pequenas pausas. Isso faz com que o livro nunca se torne cansativo, mesmo quando retorna aos mesmos temas. Porque ele retorna como a vida retorna aos assuntos que nos perseguem, sempre com uma nuance diferente.
Esse não é um livro para ser devorado de uma vez! Funciona muito bem naquele momento em que o dia termina, a luz se apaga e a cabeça começa a trabalhar sozinha. É poesia que não grita, não tenta ser maior do que é e talvez por isso acerte tanto.
No fim, À noite todos os versos são perfeitos deixa a sensação de companhia. Como se alguém tivesse passado várias noites escrevendo para não se sentir sozinho e, sem perceber, acabou fazendo companhia a quem lê. Um livro que entende que nem toda pergunta precisa de resposta e que algumas noites existem apenas para sentir.


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