Organizadores: Matheus F. Pirolo.
Editora: Ipê das Letras
Páginas: 354
Ano de publicação: 2025
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Um herói brasileiro, um país colorido e desigual, a luta pela sobrevivência, a vitória diante do cotidiano, conheça Glauco. Um jovem que acreditava que sua vida toda já havia sido traçada quando soube da gravidez de sua parceira, o destino tem grandes planos para esse rapaz. O reino do amanhã o espera. Camilla, Davi, Antônio, Alceu e muitas outras personagens compõem essa novela, recheada de mistério, aventura, sonhos, romances e músicas, permita-se conhecer esse reino. Glauco, filho de mãe preta, nasceu para vencer e entrar para história brasileira como aquele que não está aqui, nem acolá.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O reino do Amanhã, lançado pela editora Ipê das Letras. O livro é de autoria de Matheus F. Pirolo. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Glauco é o nosso protagonista. Um jovem que acreditava que sua vida já estava completamente traçada quando descobre que será pai. Ele é casado com Camilla e vive aquela rotina instável de quem trabalha como faz-tudo: um serviço aqui, outro ali, sempre dependendo da demanda do dia.
É o tipo de personagem que a gente reconhece de imediato, porque ele conversa com a realidade de muitos brasileiros que vivem no improviso, na persistência e na tentativa diária de fazer dar certo.
A história começa nesse registro mais pé no chão, acompanhando o cotidiano de Glauco, seus pequenos trabalhos, suas dificuldades e as relações familiares. Em um desses serviços, ao instalar quadros para um senhor, ele acaba se envolvendo em uma sequência de acontecimentos que parecem simples, mas que funcionam como ponto de virada da narrativa.
O senhor falece, deixa um cheque com valor simbólico, assinado de forma equivocada, e esse detalhe acaba levando Glauco a um velório onde ele entra em contato com figuras do seu passado.
É nesse momento que o nome de Alceu ganha força na história. O pai ausente. Um homem que desapareceu da vida de Glauco quando ele ainda era muito novo. A partir de um pedido inesperado, Glauco precisa ir até Peruíbe, onde o pai está preso. Esse reencontro muda completamente o ritmo do livro.
O que eu achei interessante é como a primeira parte da obra é dedicada a estabelecer Glauco como protagonista. O autor constrói o personagem com cuidado, mostrando sua rotina, seus medos, sua relação com a família, com o trabalho e com o país ao seu redor. Quando essa guinada acontece, a narrativa ganha outra camada, quase como se estivéssemos atravessando um portal simbólico para algo maior, o tal Reino do Amanhã.
Matheus F. Pirolo escreve com uma força muito particular ao retratar o cotidiano. Existe uma potência nas pequenas coisas: no trabalho instável, nas conversas familiares, nas frustrações silenciosas. E quando os elementos de mistério e destino começam a aparecer com mais intensidade, eles não soam deslocados, mas como consequência natural do caminho que estava sendo traçado desde o início.
O livro também traz uma reflexão muito forte sobre identidade. Glauco é filho de mãe preta, carrega uma herança marcada por ausência paterna e desigualdade social, mas também por resistência. Ele é apresentado como alguém que nasceu para vencer, ainda que o mundo ao seu redor insista em colocá-lo à prova.
O Reino do Amanhã mistura drama, mistério, romance e até música em sua construção, criando uma narrativa que começa intimista e vai se expandindo aos poucos. É o primeiro volume de uma série, e dá para sentir que ainda há muita coisa por vir.
Se você gosta de histórias que partem do cotidiano brasileiro e, aos poucos, revelam camadas mais profundas sobre destino, família e identidade, essa é uma leitura que vale a pena conhecer.


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