Organizadores: Jacy Couto Júnior
Editora: Ipê das Letras
Páginas: 79
Ano de publicação: 2025
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O romance "Permanências" desafia o leitor a encontrar em seu texto o que sempre está conosco como sociedade humana. Sendo passado e presente de um mesmo núcleo humano, deixa a cada um a escolha do que vê como permanente. Um dirá que é a luta pela sobrevivência; outro que a luta pela dignidade. Alguém dirá que permanecem os laços com antepassados; outro o pacto com os futuros descendentes. Há quem veja a ligação com o território; outro o valor da riqueza imaterial. Cada um responderá corretamente porque onde houver homem haverá tudo isso e existirá amor ligando e criando saídas.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Permanências, de autoria de Jacy Couto Júnior, e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Antes de tudo, preciso comentar: Esse livro fala sobre passado, presente e aquilo que insiste em permanecer na experiência humana, mas não entrega caminhos fáceis. E isso, logo de cara, me chamou atenção. É um livro curto, com pouco mais de setenta páginas, mas que claramente não pretende ser simples ou confortável.
A leitura é dividida em duas partes, dois contos que conversam entre si mesmo estando separados por séculos. No primeiro, voltamos ao Brasil do século XVI e acompanhamos Araribóia, jovem cacique dos temiminós, em meio às disputas entre portugueses, franceses e povos indígenas. Araribóia desconfia dos portugueses, sabe que os interesses deles não são limpos, mas ainda assim se vê obrigado a firmar alianças para garantir a sobrevivência de seu povo.
Ao longo dos capítulos, acompanhar Araribóia aprendendo a língua dos estrangeiros, entendendo seus costumes e lidando com acordos frágeis é algo extremamente envolvente. Existe um peso constante nas decisões dele, como se cada escolha carregasse consequências que ultrapassam sua própria vida. E, no meio disso tudo, surge o amor proibido por Beatriz, uma mulher mestiça, inteligente e sensível, que acrescenta ainda mais tensão à narrativa. Esse romance não é apenas um elemento emocional, ele aprofunda os conflitos culturais e expõe as feridas abertas daquele período.
Já na segunda parte do livro, a história salta para o presente e nos apresenta Caio, um jovem negro, morador da Rocinha e descendente de quilombolas. Aqui, o cenário muda completamente, mas a sensação de luta permanece a mesma. Caio enfrenta o racismo, o preconceito social e a disputa por território, tentando manter viva a memória e o direito sobre as terras herdadas de sua família. Ao lado de Helena, filha de um grande empresário do setor imobiliário, vive mais um amor atravessado por desigualdade, poder e interesses econômicos.
O que mais me impactou em Permanências foi perceber como essas duas histórias se refletem. Passado e presente se encaram sem precisar de explicações didáticas. A disputa por território continua e a dignidade segue sendo questionada.
A escrita de Jacy Couto Júnior é direta, imagética e muito consciente do que quer provocar no leitor. Mesmo com poucas páginas, ele consegue construir personagens sólidos, ambientações bem definidas e reflexões que ficam depois do fim da leitura. Não há excesso, nem pressa. Tudo parece estar exatamente onde deveria.
Permanências é um livro sobre aquilo que atravessa gerações e insiste em ficar, mesmo quando tudo ao redor tenta apagar. Uma leitura rápida, intensa e necessária, que mostra como a literatura nacional pode ser potente mesmo em formatos curtos.


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