24 de fevereiro de 2026

RESENHA: SOMBRAS DE PEQUIM



Organizadores:  MARILIA ANDREÄ
Editora: Artêra
 Ano de publicação: 2026
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Um intrigante romance que explora as complexas teias do tráfico humano, da corrupção e do narcotráfico, através das vidas interligadas de três protagonistas de diferentes nacionalidades. A narrativa inicia-se em um ponto quase terminal, criando uma atmosfera de mistério e suspense que desafia o leitor a desvendar a verdadeira identidade dos personagens. Dayse, uma mulher determinada e resiliente, luta contra as sombras do passado enquanto busca justiça em meio a um sistema corrupto. Karl, um homem ambíguo e carismático, navega por um mundo repleto de segredos e traições, questionando suas próprias lealdades. Rafael, por sua vez, representa a vulnerabilidade em meio à brutalidade do tráfico, sendo um elo crucial entre os diferentes mundos que se entrelaçam na história. Dividida em capítulos que revelam as perspectivas e os dilemas de cada personagem, a narrativa mantém o leitor em constante dúvida sobre quem é o verdadeiro vilão e quem é o herói. À medida que a trama se desenrola, as relações entre os personagens tornam-se mais complexas, e o leitor é levado a questionar a moralidade e a ética em um cenário onde a linha entre o bem e o mal é tênue.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Sombras de Pequim, de Marilia Andreä e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.


Dayse é uma mulher marcada pelo passado. Quando a conhecemos, ela já está em um ponto quase terminal da própria história: casada com John, vivendo um relacionamento frio, distante, sustentado mais por silêncios do que por afeto. Há uma solidão muito evidente ali, uma sensação constante de deslocamento.

A narrativa então começa a se fragmentar, alternando tempos e perspectivas, e vamos entendendo que aquela mulher carrega muito mais do que um casamento em crise. Aos poucos, através de suas memórias e de conversas que revelam camadas do passado, descobrimos sua juventude na Colômbia, a relação abusiva com Diego e a decisão impensada  (mas compreensível dentro de seu contexto) de aceitar uma proposta que, mesmo sem saber, a levaria para dentro de uma rede de tráfico humano e exploração sexual.

Paralelamente à trajetória de Dayse, conhecemos Karl, um homem ambíguo, carismático e cercado por segredos, e Rafael, cuja vulnerabilidade escancara a brutalidade do sistema que envolve narcotráfico, corrupção e tráfico de pessoas. A autora constrói esses três núcleos de forma interligada, criando uma teia em que ninguém é completamente inocente e ninguém é totalmente vilão.

Essa ambiguidade moral é, para mim, um dos maiores acertos do livro. Marilia não entrega respostas fáceis. Pelo contrário, ela nos coloca em um terreno instável, onde as lealdades são questionáveis e as intenções nunca são totalmente claras.

A escrita é fluida, mesmo diante de uma temática pesada. Estamos falando de tráfico humano, abuso, corrupção estrutural, assuntos que exigem responsabilidade e sensibilidade. E a autora consegue abordar tudo isso de maneira impactante, sem transformar a dor em espetáculo. Há momentos difíceis de ler, sim, e é importante que o leitor esteja atento aos gatilhos, mas a narrativa nunca perde a profundidade emocional.


Gostei muito da estrutura fragmentada da história. A alternância de tempos e pontos de vista cria um efeito quase investigativo. Conforme as peças vão se encaixando, começamos a compreender as conexões entre os personagens e os motivos que os levaram até aquele ponto inicial quase terminal.

Karl, especialmente, é um personagem que me intrigou bastante. Sua primeira interação com Dayse já carrega tensão e ambiguidade. Ele transita entre charme e ameaça com naturalidade, e isso mantém o leitor em constante estado de alerta. Já Rafael representa o lado mais vulnerável dessa engrenagem cruel, funcionando como um elo emocional importante dentro da narrativa.

Com cerca de 600 páginas, “Sombras de Pequim” é um livro extenso, mas que não se torna arrastado. A construção cuidadosa dos cenários e das relações faz com que a leitura avance com intensidade. Existe sempre algo a ser revelado, uma nova camada a ser compreendida.


Mais do que um romance de suspense, o livro é um retrato duro de estruturas criminosas que infelizmente não pertencem apenas à ficção. Ao finalizar a leitura, fiquei com a sensação de que a autora não queria apenas contar uma história, mas provocar reflexão.

“Sombras de Pequim” é uma leitura impactante, complexa e necessária. Um livro que desafia o leitor a olhar para zonas cinzentas da moralidade e a questionar até que ponto conseguimos, de fato, distinguir heróis de vilões em um mundo corrompido por interesses e sobrevivência.

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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