Organizadores: Bruno Andrade
Editora: MinimalismosAno de publicação: 2026
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Ele ficou me encarando, incrédulo, e eu escondia a carta entre minhas pernas para que não houvesse uma discussão sobre o conteúdo. Ele sumiu da minha visão periférica e entrou no hotel. Observei o azul profundo do mar que beijava o céu, senti a areia agarrar os dedos dos meus pés e absorvi o calor que se derramava da esfera acima de mim, e imaginei Lúcio ao meu lado, olhando as ondas calmas e sentindo o aroma salgado das espumas quietas. Ele adorava praia.— O futuro não foi o que pensamos — eu disse para o espectro. — Mas daqui para a frente tudo vai ser diferente. Eu prometo.Olhei para o lado e o encarei: o sorriso impresso em seus lábios finos, os traços firmes e a barba e cabelo grandes, os olhinhos rasgados e alegres, azuis como um céu sem nuvens.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Céu azul sem nuvens e outros contos, de Bruno Andrade. O livro foi publicado pela editora Minimalismos e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
O livro reúne uma série de contos que, à primeira vista, parecem independentes, mas que compartilham um mesmo tipo de olhar sobre o mundo. As histórias acompanham personagens em momentos muito específicos das suas vidas, quase sempre atravessando situações de desconforto, perda ou estranhamento. Não existe uma linearidade entre os textos, mas existe uma unidade no sentimento que atravessa todos eles.
Cada conto apresenta um recorte diferente, com personagens que lidam com relações quebradas, silêncios difíceis e decisões que nem sempre fazem sentido no primeiro momento. O autor não se preocupa em explicar tudo. Muitas vezes, somos colocados no meio da situação e precisamos entender o que está acontecendo a partir das ações e dos pequenos detalhes. Isso faz com que a leitura peça atenção, principalmente porque muita coisa fica nas entrelinhas.
O que mais me chamou atenção foi a forma como o Bruno Andrade constrói esses cenários. Mesmo quando o conto parte de algo cotidiano, existe sempre um incômodo ali, uma sensação de que alguma coisa está fora do lugar. Esse clima se mantém do começo ao fim do livro, e ajuda a dar identidade para a coletânea.
Os personagens funcionam bem dentro dessa proposta. Eles não são apresentados de forma aprofundada no sentido mais tradicional, mas ainda assim são suficientes para sustentar as histórias. O foco está muito mais no momento que eles estão vivendo do que em quem eles são por completo, e isso combina com o formato dos contos.
Outro ponto que gostei bastante foi a confiança do autor em deixar a narrativa aberta. Nem todos os contos fecham com respostas claras, e isso pode causar estranhamento dependendo da expectativa de leitura. Pra mim, funciona, porque reforça justamente essa ideia de fragmento, de algo que a gente observa por um tempo e depois abandona, mesmo sem entender tudo.
No geral, é um livro que funciona melhor quando você entra no ritmo dele. Não é uma leitura para fazer correndo, porque muita coisa se constrói no detalhe. É o tipo de obra que vai depender bastante da disposição do leitor em aceitar essas lacunas e participar da construção de sentido.
Se você gosta de contos que trabalham mais com atmosfera do que com explicação direta, Céu azul sem nuvens e outros contos avulsos é uma leitura que vale a pena.


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