30 de março de 2026

RESENHA: ENTRE O AQUÁRIO E O PEIXE



Organizadores: Pedro Augusto da Silveira
Editora: Talentos da Literatura Brasileira
Ano de publicação: 2022
Compre através desse link

Após os conturbados anos da sua adolescência, onde viveu profundas paixões e dolorosos rompimentos, Ricardo inicia sua juventude já bastante calejado, porém, ainda completamente apaixonado pela vida. Na expectativa por passar o resto dos seus dias com Gustavo, seu grande amor, ele anseia pelo momento em que ambos estarão livres para viverem juntos, sem medos, sem mentiras.Como já preconizado no final do primeiro volume da trilogia, contudo, os deuses são ardilosos. Eles não se furtam ao direito de interferir na vida dos mortais, e não será diferente com nosso lindo casal.Depois de lidar arduamente com as trapaças da sorte, Ricardo conhece Renato, um verdadeiro anti-herói, que rouba, não apenas o coração do protagonista, mas também, o foco da narrativa.Recheado com a deliciosa presença das tias-avós, Clotilde e Genoveva, e as irritantes intervenções de Dona Sara, o segundo volume da trilogia “O Lado Quente do Ser” narra um rito de passagem e aborda questões pertinentes à vida adulta de qualquer ser humano: as perdas, as frustrações e a responsabilidade por suas escolhas 


Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Entre o Aquário e o Peixe, segundo volume da trilogia O Lado Quente do Ser. O livro é de autoria de Pedro Augusto da Silveira e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.




Depois de tudo que viveu durante a adolescência, Ricardo entra na juventude carregando marcas que não são simples de ignorar. O primeiro volume já deixava claro que sua trajetória seria atravessada por afetos intensos e, principalmente, por rupturas difíceis de lidar. Aqui, a história retoma esse ponto e acompanha um protagonista que, mesmo mais maduro, ainda está tentando entender o que fazer com tudo aquilo que sente. Existe um desejo muito claro de estabilidade, especialmente na relação com Gustavo, que surge como esse grande amor que parecia prometer um futuro possível. Só que o livro não se constrói nesse conforto.

O relacionamento entre os dois se desenvolve sob pressão constante, principalmente por conta do ambiente em que estão inseridos. A expectativa social, a imposição de uma vida heteronormativa e o peso familiar vão minando esse vínculo até chegar em um rompimento que não é apenas doloroso, mas também bastante duro na forma como acontece. Não é um término idealizado, é desconfortável, é frustrante e deixa marcas claras no Ricardo. A partir daí, o livro muda de eixo.


Com o fim desse ciclo, entra em cena Renato, uma figura que altera completamente o ritmo da narrativa. Ele não aparece como um substituto simples, mas como alguém que representa uma outra forma de viver. Renato é mais direto, mais livre e menos preocupado em se encaixar. A relação entre ele e Ricardo começa de forma atravessada, com resistência, com conflito, mas aos poucos ganha espaço e passa a ocupar o centro da história. Existe aqui uma exploração mais aberta da sexualidade e também de como o Ricardo passa a enxergar a si mesmo nesse novo contexto.

Um ponto que me chamou bastante atenção foi a presença das tias-avós, Clotilde e Genoveva. As cenas com elas trazem um respiro importante dentro da narrativa. Existe uma troca muito honesta ali, principalmente quando o assunto é sexualidade, afeto e vivência. Não é algo tratado de forma superficial, pelo contrário, essas conversas ajudam a construir uma base emocional para o protagonista. Ao mesmo tempo, Dona Sara aparece como um contraponto, reforçando tensões que já fazem parte da vida do Ricardo.

O que mais me pegou nesse segundo volume foi perceber o quanto o autor evolui na condução da história. O Ricardo aqui é mais velho, e isso se reflete diretamente nos conflitos. Eles deixam de ser apenas descobertas iniciais e passam a envolver responsabilidade, escolha e consequência. O livro trabalha muito bem essa ideia de rito de passagem, mostrando que crescer não resolve tudo, só muda a natureza dos problemas.

A escrita também me parece mais segura. Existe uma construção mais consciente das relações e dos momentos-chave da narrativa. Os diálogos funcionam bem, principalmente nos momentos mais íntimos, e ajudam a dar peso às decisões do protagonista. É um livro que se apoia bastante nas relações interpessoais e consegue sustentar isso sem perder o ritmo.


No geral, Entre o Aquário e o Peixe é uma continuação que amplia o que foi apresentado no primeiro volume. Ele aprofunda o Ricardo como personagem e coloca ele em situações que exigem mais dele, tanto emocionalmente quanto nas escolhas que precisa fazer. É uma leitura que se apoia muito na experiência de quem está tentando entender o próprio lugar no mundo, lidando com perdas, desejos e com tudo aquilo que não dá pra controlar.

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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