31 de março de 2026

RESENHA: PONTO CIRÚRGICO

 



Organizadores: cassiano jørgensen
Editora: Minimalismos 
Páginas: 80
Ano de publicação: 2026
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Livre para pensar pensei; de pensar morreu um homem. Pronto; agora eu sou obrigado a seguir as regras do jogo. Ah … eu me atrevo a dizer que … o ser é uma piada de mau gosto.A história se repete, o homem provedor da família. Cuida da rotina, cuida da moral. Mas deita-se na cama com a amante e a engravida. Sinceramente?E u não jogo pra perder.O primeiro bicho homem que atravessar a rua ponho o ponto no rastro da questão. E tenho dito, o engravido e o abandono. Depois talvez um dia eu volte … quando for tarde demais. Esse cântico me faz atolar no brejo das almas.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Ponto cirúrgico, escrito por Cassiano Jørgensen. O livro foi publicado pela editora Minimalismos e a resenha foi escrita por Leonardo Santos. 

A obra é um livro de poesia dividido em capítulos que acompanham uma voz narrativa inquieta, alguém que parece estar constantemente tentando entender o próprio lugar no mundo. Ao longo das páginas acompanhamos uma sequência de poemas curtos que funcionam quase como fragmentos de pensamento, reflexões que surgem de maneira direta enquanto o narrador observa a própria existência, a sociedade e as contradições humanas.

Logo no início do livro percebemos que essa inquietação existencial será um dos motores da obra. O narrador coloca em dúvida sua própria presença no mundo e transforma esse questionamento em poesia:

“Hoje eu … eu acordei de um sonho onde eu era eu, em completa estádia.
Mas a minha existência vale tão pouco!
Eis aqui minha sina, existir senão existir!”

A partir desse ponto o livro passa a explorar diversas camadas da experiência humana. Em alguns momentos os poemas parecem nascer de reflexões muito íntimas, quase como se estivéssemos acompanhando o pensamento do autor no instante em que ele surge. Em outros, a obra se abre para uma crítica mais direta à sociedade e às formas como as pessoas se comportam dentro dela.

Essa alternância entre introspecção e observação social aparece várias vezes ao longo do livro. Em um dos poemas, por exemplo, o narrador fala sobre a rotina humana de forma quase irônica, reduzindo as certezas da vida a algo simples e até banal:

“Não chego à conclusão nenhuma.
Mas devo chegar a alguma conclusão?
Como já disse, as galinhas põem ovos
E eu … eu vivo a defecar, a comer e beber!”

Outro aspecto interessante do livro é a maneira como Cassiano Jørgensen mistura elementos do cotidiano com reflexões mais filosóficas. Em alguns momentos a poesia assume um tom provocativo, principalmente quando aborda temas como moralidade, julgamento social e hipocrisia coletiva.

Isso aparece de forma bastante clara quando o narrador fala sobre o modo como a sociedade reage ao artista e ao próprio ato de escrever poesia:

“Hoje no centro da cidade vi pessoas atirarem pedras em um poeta que não tem diploma algum.
Em nada se formou, apenas subtrai o pão que lhe é dado diariamente e o transforma em poesia.”

Essa percepção sobre o lugar do poeta dentro da sociedade acaba se tornando um dos fios condutores da obra. Em vários momentos o narrador parece refletir sobre o valor da arte e sobre como a criação poética muitas vezes surge justamente da inquietação e da inconformidade com o mundo.

Outro ponto que chama atenção é a liberdade estrutural da escrita. Cassiano Jørgensen não parece preocupado em seguir formas rígidas dentro da poesia. Muitos poemas surgem como pensamentos interrompidos, frases que se expandem ou que simplesmente param no meio do caminho. Isso cria uma leitura bastante dinâmica, que acompanha as oscilações emocionais do narrador.

Em certos momentos o livro também mergulha em temas mais sombrios, como solidão, loucura e a sensação de inadequação diante da vida. Em um dos poemas mais diretos do livro, o narrador sintetiza esse sentimento de forma bastante clara:

“Quero que saibam,
O meu maior fantasma sempre foi a solidão.”

Minha experiência com Ponto cirúrgico foi interessante justamente por causa dessa liberdade que o livro assume. A obra aposta em uma poesia que mistura reflexão existencial, crítica social e observações bastante humanas sobre o cotidiano. É um livro que não tenta oferecer respostas definitivas, mas que provoca o leitor a pensar sobre temas como identidade, pertencimento e o próprio sentido de existir.

Para quem gosta de poesia contemporânea que trabalha com ideias e questionamentos, Ponto cirúrgico traz uma proposta curiosa. Cassiano Jørgensen constrói uma obra que acompanha os pensamentos de um narrador inquieto, alguém que utiliza a poesia como uma forma de tentar entender o mundo e a si mesmo.



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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

Equipe do Porão

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