Organizadores: Sonia Ribeiro Gonçalves e Alex Ferreira
Editora: Astrid Editora Ano de publicação: 2026
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Você sabia que ouvir histórias pode ser mais poderoso do que qualquer técnica de disciplina? Que uma fábula bem contada pode ser a chave para acalmar uma criança agitada, ansiosa ou insegura?Este livro é um convite encantador para pais, educadores e terapeutas mergulharem na mágica conexão entre contos de fadas, teoria polivagal e autorregulação emocional. Unindo neurociência, ludicidade e poesia, os autores revelam como narrativas simbólicas tocam o sistema nervoso da criança, ativando o “Guardião da Calma” – uma metáfora poderosa que ensina os pequenos a lidarem com emoções de forma leve e segura.Com linguagem acessível, orientações práticas e meditações guiadas , Por que Fábulas Acalmam? transforma ciência em aconchego, teoria em afeto, e comportamento em conexão.Como seria se, em vez de controlar, você pudesse acalmar com histórias?Descubra o poder terapêutico das fábulas e ofereça às crianças um presente que elas levarão para a vida toda: a capacidade de se autorregular com amor, segurança e imaginação.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Porque fábulas acalmam, lançado pela Editora Astrid. O livro é de autoria de Sonia Ribeiro Gonçalves e Alex Ferreira e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Em Porque fábulas acalmam, Sonia Ribeiro Gonçalves e Alex Ferreira partem de uma ideia muito interessante: a de que contar histórias para crianças pode ser mais do que um gesto de afeto ou um hábito de rotina, podendo também se tornar uma ferramenta concreta de acolhimento emocional. A obra se apoia principalmente na Teoria Polivagal para explicar como o sistema nervoso infantil responde a estados de segurança, alerta e retraimento, e transforma esse debate em uma proposta acessível, que mistura explicação teórica, linguagem lúdica, imagens simbólicas e pequenos roteiros meditativos.
Ao longo do livro, os autores apresentam conceitos como o “Nervinho Vago”, o “Guardião da Calma”, o “Guerreiro do Alerta” e o “Guardião do Silêncio”, para então mostrar como esses símbolos podem ser usados por terapeutas, educadores e responsáveis no contato com a criança. Depois dessa base, o livro entra de vez em sua parte mais prática, com fábulas e exercícios guiados pensados para trabalhar respiração, presença, percepção corporal, medo, calma e autorregulação.
O que mais me chamou atenção aqui foi justamente a forma como o livro entende a criança sem simplificá-la demais. Existe um cuidado real em não tratar a infância como um espaço de ingenuidade vazia, mas como uma fase em que o corpo, a emoção e o vínculo com o outro estão o tempo inteiro moldando a forma de estar no mundo. Isso aparece desde os primeiros capítulos, quando os autores reforçam que regulação emocional não tem a ver com silenciar a criança ou exigir calma à força, mas sim com criar condições de segurança para que ela consiga voltar ao próprio centro.
Eu gostei bastante dessa escolha porque ela afasta o livro de um discurso moralista, daqueles que transformam qualquer proposta de acolhimento em regra de comportamento.
Outro ponto forte está na maneira como a teoria é reorganizada para caber no universo infantil. A decisão de transformar o nervo vago no “Nervinho Vago” e os estados fisiológicos em personagens internos podia facilmente soar artificial, mas aqui funciona. Funciona porque o livro entende que a criança acessa o mundo por imagem, repetição, brincadeira e simbolização.
Quando os autores falam do Guardião da Calma como esse personagem que observa, escuta e ajuda a decidir o que fazer, eles não estão apenas inventando uma metáfora bonita, mas criando uma linguagem possível para que a criança reconheça o que sente sem precisar nomear tudo de forma técnica. Essa mediação entre ciência e imaginação é o que sustenta o livro.
Também acho que Porque fábulas acalmam acerta ao não ficar só na explicação. O livro tem uma parte muito prática, com roteiros curtos como A Concha Brilhante Falante, O Tambor da Selva, A Tartaruga do Tempo, A Bolha do Ursinho, A Caverna Secreta e Respiração dos Flocos de Neve, entre outros. Esses textos são simples, guiados por repetição e imagens tranquilizadoras, e deixam claro que a proposta do livro é oferecer um material de uso real, não apenas uma reflexão abstrata sobre infância e emoção. Em vez de se fechar num discurso acadêmico, os autores escolhem o caminho da aplicação. E isso faz diferença.
Uma coisa que eu valorizo bastante é que o livro sabe qual é o seu propósito. Ele não tenta ser tratado clínico completo, não tenta substituir acompanhamento profissional e também não finge resolver sozinho questões complexas da infância. Pelo contrário: em mais de um momento, a obra delimita seu lugar como material educativo e de apoio emocional. Isso é importante porque dá honestidade ao projeto. O livro quer ajudar responsáveis e profissionais a criarem experiências de calma, presença e escuta com as crianças, e é dentro desse escopo que ele funciona melhor.
No fim, Porque fábulas acalmam me parece um livro que encontra valor não apenas no que diz, mas na forma como escolhe dizer. Ele pega uma discussão importante sobre sistema nervoso, vínculo e autorregulação e tenta levá-la para um campo mais próximo, mais sensível e mais utilizável. Não é uma obra voltada para quem busca aprofundamento teórico mais rígido, mas sim para quem quer pensar a infância com mais cuidado e encontrar maneiras concretas de transformar escuta em prática. E, nesse sentido, é um livro coerente, afetuoso e muito claro no que se propõe a fazer.



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