1 de março de 2026

TRÊS MOTIVOS PARA LER "SOB O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO"


Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês três motivos para ler o livro Sob o Trópico de Capricórnio, primeiro volume da trilogia O Lado Quente do Ser, escrito por Pedro Augusto da Silveira. 

Ricardo Buíse tem 14 anos e tenta viver a adolescência como qualquer garoto de classe média — namoros, amigos e sonhos de futuro. Mas, longe dos olhos dos outros, ele vive uma relação secreta com seu melhor amigo, marcada por desejo, dependência e desequilíbrio emocional.Entre conflitos familiares, silencios e descobertas dolorosas, Ricardo tenta entender quem é em uma sociedade onde certas verdades não podem ser ditas. Quando essa relação se rompe de forma traumática, ele acredita que poderá recomeçar — primeiro buscando se encaixar no que esperam dele, depois tentando construir uma nova vida ao entrar na engenharia na Unicamp, em Campinas.É ali que conhece Gustavo, o homem que mudará tudo. Entre amizade, afeto e sentimentos que nenhum dos dois consegue nomear, nasce um romance intenso e delicado, vivido sob o peso do medo e das pressões externas — um amor que pode libertar, mas também ferir profundamente.
 

1. Um romance de formação muito honesto

Uma das coisas que mais me chamou atenção em Sob o Trópico de Capricórnio foi a forma como o livro acompanha o amadurecimento do Ricardo ao longo dos anos. A história começa quando ele ainda tem 14 anos, vivendo aquela fase confusa da adolescência em que tudo parece novo e, ao mesmo tempo, difícil de entender.

O autor constrói esse processo de crescimento de forma muito gradual. Não existe uma mudança repentina no personagem. A gente vai acompanhando as experiências que moldam quem ele está se tornando, principalmente as relações que ele estabelece ao longo da narrativa.

Esse tipo de abordagem funciona muito bem porque transforma o livro em algo mais do que apenas uma história sobre romance ou descoberta da sexualidade. É realmente um retrato de formação. O Ricardo erra, se contradiz, tenta se encaixar em lugares que não fazem sentido para ele e, aos poucos, começa a entender melhor quem é.

Esse desenvolvimento cuidadoso do personagem faz com que a história ganhe bastante força, principalmente porque o leitor consegue perceber claramente como cada fase da vida dele deixa alguma marca no caminho que ele segue depois.


2. Relações complexas que fogem da romantização

Outro ponto forte do livro está na forma como ele trabalha os relacionamentos do protagonista. A primeira grande relação que aparece na história, entre Ricardo e Márcio, é marcada por descobertas, mas também por um desequilíbrio emocional muito evidente.

O livro não tenta transformar essa relação em algo idealizado. Pelo contrário, ele mostra como certos vínculos podem se tornar confusos e até prejudiciais quando os personagens ainda estão tentando entender a própria identidade. Essa abordagem deixa a narrativa muito mais realista.

Mais tarde, quando Ricardo entra na universidade e passa a viver em Campinas, novas relações surgem na vida dele. Entre novos amigos e novos afetos, o autor mostra como essas conexões podem funcionar tanto como feridas quanto como caminhos de reconstrução.

Essa forma de trabalhar os relacionamentos dá bastante profundidade à narrativa. As pessoas ao redor do Ricardo não existem apenas para movimentar a história. Elas têm peso dentro do processo de amadurecimento do personagem e ajudam a mostrar diferentes formas de lidar com sentimentos, expectativas e pressões sociais.


3. Uma ambientação que reforça o peso da história

A escolha de ambientar a narrativa entre os anos 80 e o início dos 90 também é um elemento importante dentro do livro. Esse período aparece não apenas como cenário, mas como parte ativa da construção da história.

O autor utiliza referências culturais da época, principalmente músicas, para criar uma sensação muito clara de tempo e lugar. Esses detalhes ajudam a construir uma imersão interessante, porque o leitor consegue sentir que os personagens realmente pertencem àquele contexto específico.

Ao mesmo tempo, esse recorte histórico também reforça alguns dos conflitos centrais da narrativa. O livro mostra um momento em que falar abertamente sobre certas questões ainda era muito mais difícil do que hoje. Isso acaba influenciando diretamente as escolhas do Ricardo e o modo como ele lida com os próprios sentimentos.

Esse cuidado com a ambientação ajuda a tornar a história mais convincente e também dá mais peso emocional aos acontecimentos que moldam a trajetória do protagonista.

No fim das contas, Sob o Trópico de Capricórnio é um livro que se apoia principalmente na construção dos personagens e na forma como suas relações evoluem ao longo do tempo. É uma leitura sensível, que trabalha bem as dificuldades de crescer, de lidar com o passado e de tentar construir uma identidade em meio às expectativas dos outros.

Como primeiro volume de uma trilogia, ele estabelece muito bem o ponto de partida da jornada de Ricardo e deixa claro que ainda existe muito espaço para essa história continuar se desenvolvendo nos próximos livros.


E aí, ficou curioso? Comece agora mesmo a ler esse livro! 

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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