20 de abril de 2026

RESENHA: INSULAR



Organizadores:  Graziela Izauro da Silva
Editora: Artêra
Ano de publicação: 2025
Compre através desse link

No cotidiano insular habita um fascínio por mistérios anunciados e previsíveis ocultos. Em São Francisco do Sul, uma península ou “ex-ilha” de Santa Catarina, Helen, uma jovem, afro e luso-descendente, traz em sua essência uma estreita ligação com a natureza, a religiosidade, o misticismo, a cultura e a ancestralidade. Sob o encanto das melodiosas ondas do Atlântico, ela vive com Júlio César e João Pedro, relacionamentos de pulsão magnética extasiante, de energias contrárias que se atraem e se repelem, com uma expectativa vulcânica em que fogo e água se colidem em busca do fôlego perpétuo: o ar. Em meio à guerra da poluição ambiental, pactos, promessas, preconceitos, profecias, ritos, festas sagradas e pagãs, fatos da região se fundem com o imaginário fantástico do povoado insular, viventes de uma ilha que já não existe e onde forças além da nossa compreensão oferecem uma encantadora história de amor. Não resista ao transe ofertado: permita-se.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Insular: Fascínio Além do Litoral, da autora Graziela Izauro da Silva. O livro foi publicado pela Artêra Editorial e a resenha foi escrita por Leonardo Santos. 


A história acompanha Helen, uma jovem que vive em São Francisco do Sul, uma península de Santa Catarina que carrega em si esse sentimento de isolamento e pertencimento ao mesmo tempo. Desde muito nova, ela demonstra uma ligação forte com a natureza, com o vento, e com tudo aquilo que não se explica de forma simples. Essa sensibilidade se mistura com uma busca mais concreta: entender suas próprias origens.

Enquanto investiga a própria árvore genealógica, Helen se depara com uma ancestral marcada pela perseguição da Inquisição, acusada de bruxaria e forçada a carregar esse estigma ao longo das gerações. Esse passado não fica preso nos documentos ou nos relatos antigos, ele atravessa o presente e começa a moldar a forma como Helen enxerga o mundo e a si mesma.


Ao mesmo tempo, a vida dela segue em movimento. Seus caminhos se cruzam com Júlio César e João Pedro, dois personagens com energias muito diferentes, mas que acabam se conectando com ela de formas intensas. Entre relações, conflitos familiares, questões sociais e ambientais que cercam a cidade, o livro constrói uma narrativa que mistura o cotidiano com elementos místicos sem separar muito bem onde termina um e começa o outro.

O que mais me chamou atenção aqui foi como a autora trabalha a ancestralidade de forma direta, sem transformar isso em algo distante. A história da família da Helen não está ali só para contextualizar, ela tem peso, tem consequência, afeta as escolhas e até a forma como a protagonista se entende. E isso fica ainda mais evidente quando o livro toca na diferença entre as origens que conseguem ser rastreadas e aquelas que foram apagadas, principalmente quando entra a questão da herança afro-brasileira.

Outro ponto que funciona muito bem é a ambientação. A cidade interfere na narrativa o tempo todo. Existe uma preocupação em mostrar o cotidiano local, os problemas sociais, o impacto das drogas, as dinâmicas familiares, tudo isso de forma íntegra ao próprio texto enredo dos personagens. A história se constrói a partir desse espaço e isso ajuda muito na imersão.


Os personagens também sustentam bem a narrativa. O Júlio traz essa impulsividade, essa relação complicada com o próprio corpo e com o mar, enquanto o João Pedro aparece com uma presença mais enigmática, quase deslocada em alguns momentos. E a Helen funciona como esse ponto de convergência, alguém que ainda está tentando entender o que carrega, mas que já sente o peso disso tudo.

Além disso, o elemento místico é inserido com calma e com um quê de naturalidade naquele universo. Isso faz com que a leitura flua sem quebrar o ritmo, mantendo essa sensação constante de que existe algo além do que está sendo dito.


No fim das contas, Insular: Fascínio Além do Litoral é um livro que se apoia muito bem na própria atmosfera que constrói. Ele mistura passado e presente, realidade e misticismo, sem precisar separar essas camadas. E funciona justamente por isso! Leiam, pois ele é incrível.



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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

Equipe do Porão

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