Organizadores: Emílio M. Curcelli
Editora: Editora Alarde Ano de publicação: 2026
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Era para ser apenas mais um paciente no fim de um plantão exaustivo. Uma simples picada de cobra. Algo rotineiro para um infectologista como Antônio. Mas nada naquele caso era comum, nem a toxina no sangue, nem os olhos do homem, nem o silêncio que se seguiu.À medida que os sintomas se espalham além do corpo do paciente, Antônio se vê preso a uma rede de segredos, símbolos e delírios que desafiam sua lógica médica e sua sanidade. E quando uma pomba literalmente cai no seu quintal, ele precisa decidir: está ficando louco ou finalmente começando a enxergar?O dia em que a pomba caiu é um suspense psicológico que atravessa os resquícios da pandemia, os limites da ciência e os ruídos de uma cidade do interior onde todos fingem normalidade até que o absurdo se impõe. Uma história sobre medo, coragem, e a difícil arte de olhar além do óbvio..
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O dia em que a pomba caiu, lançado pela Editora Alarde. O livro é de autoria de Emílio M. Curcelli e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
A história acompanha Antônio, um infectologista acostumado a lidar com o previsível dentro do caos hospitalar. No fim de um plantão exaustivo, ele recebe um paciente com uma suposta picada de cobra, algo que deveria ser simples de tratar. Mas desde o primeiro contato fica claro que há algo errado. A toxina não se comporta como deveria, os sintomas extrapolam o corpo do paciente e, aos poucos, a lógica médica que sustenta Antônio começa a falhar.
Ao mesmo tempo, elementos externos passam a invadir sua rotina de forma inquietante. Uma carta deixada por um antigo professor aponta para um segredo que precisa ser encontrado antes que seja tarde. Na cidade, surgem relatos de desaparecimentos e de pessoas apresentando sintomas inexplicáveis, enquanto um grupo silencioso parece observar tudo à distância. E então há a pomba, que literalmente cai em seu quintal, como um sinal impossível de ignorar. A partir desse ponto, a narrativa mergulha em uma investigação que mistura ciência, paranoia e a sensação constante de que existe algo muito maior se desenrolando por trás das aparências.
O que mais me chamou atenção foi a forma como o autor constrói essa quebra de confiança na realidade. A gente começa a leitura ancorado na lógica científica do protagonista, mas aos poucos essa base vai sendo corroída. Não é uma virada brusca, e sim um processo gradual, quase incômodo, que faz com que todo mundo (com todo mundo digo eu, que estava lendo avidamente) comece a duvidar do que está vendo. Essa transição funciona muito bem porque o livro nunca abandona completamente a ideia de explicação racional, ele só coloca essa explicação sob pressão o tempo todo.
Outro ponto que funciona é a ambientação. A cidade do interior carrega essa sensação de normalidade forçada, como se todo mundo estivesse ignorando pequenos sinais de que algo está errado. Isso cria um contraste interessante com o que Antônio está vivendo, porque enquanto ele se aprofunda em uma rede de segredos, o restante do mundo parece seguir como se nada estivesse acontecendo. Esse tipo de construção ajuda a aumentar a tensão sem precisar recorrer a exageros.
A narrativa também flerta bastante com temas como obsessão científica e as consequências das escolhas humanas. Existe um questionamento constante sobre até onde a ciência consegue explicar o que está acontecendo e em que momento essa busca por respostas começa a cobrar um preço alto demais. Isso dá uma camada a mais para a história, que poderia ser só um suspense investigativo, mas acaba se tornando algo mais inquietante.
O ritmo é ágil, com capítulos que sempre entregam alguma nova informação ou ampliam o mistério. Em alguns momentos, essa velocidade faz com que certas explicações fiquem mais sugeridas do que aprofundadas, mas, dentro da proposta do livro, isso também contribui para manter a sensação de instabilidade que a história quer provocar.
E gente, que edição LINDA! Eu comentei sobre isso nos stories que gravei, mas vocês podem ver nas imagens que a editora Alarde fez um trabalho muito bem feito na diagramação desse livro. Enfim, é uma leitura que vai te puxando aos poucos para um terreno onde a lógica já não dá conta de explicar tudo, e quando você percebe, já está tão envolvido quanto o protagonista, tentando entender o que é real e o que não é.

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