Organizadores: Pedro Augusto da Silveira
Editora: Talentos da Literatura BrasileiraAno de publicação: 2022
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Após “Sob o Trópico de Capricórnio” e “Entre o Aquário e o Peixe”, o terceiro livro da trilogia “O Lado Quente do Ser” fecha a lemniscata que representa a vida de Ricardo Buíse, bauruense nascido na década de 1960. Depois dos intensos anos de convivência com Renato, um homem apaixonado e apaixonante, o protagonista precisa decidir qual caminho trilhar: ou permanece fiel ao seu marido ou se entrega a Gustavo, seu amor dos tempos de faculdade. Escolhendo a segunda opção, terá como bônus Dinho, filho do homem mais lindo do mundo, um menino esperto, espontâneo, feliz e cheio de vida.Tendo, mais uma vez, o cancioneiro popular brasileiro como trilha sonora, “O Rugido do Leão” aborda diversos temas profundos tais como fidelidade, conflitos familiares, bissexualidade, transfobia, família LGBT e autoaceitação, tendo, como cenário, a extraordinária década de 1990, com todas as suas delícias e mazelas.Conseguirá nosso protagonista, finalmente, a paz e a felicidade com que tanto sonhou? Não deixe de ler para descobrir.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O Rugido do Leão, terceiro volume da trilogia O Lado Quente do Ser, escrito por Pedro Augusto da Silveira.
Aqui a gente acompanha mais uma vez o Ricardo Buíse, agora em um momento bem delicado da vida dele. Depois dos acontecimentos do segundo livro, principalmente a morte do Renato, o Ricardo entra em um período de luto que atravessa boa parte do início da narrativa. Ao mesmo tempo em que ele precisa lidar com a perda, também surgem outras questões práticas, como a disputa pela herança deixada pelo Renato, que coloca a família dele, principalmente a Raquel, como uma presença constante e incômoda na vida do protagonista.
Paralelo a isso, o livro retoma a relação do Ricardo com o Gustavo, que já vinha sendo construída desde os volumes anteriores. Só que agora essa relação ganha um novo peso, porque não é mais sobre reencontro ou possibilidade, é sobre escolha. O Ricardo precisa entender se ele consegue seguir em frente e construir algo novo, ou se permanece preso ao que viveu antes. E junto com o Gustavo vem o Dinho, que acaba entrando nessa dinâmica e trazendo também essa discussão sobre família, pertencimento e responsabilidade.
A história se passa nos anos 90 e continua trazendo muito forte essa ambientação, tanto pelo contexto social quanto pelas referências musicais. O livro mantém essa ideia de usar o cancioneiro popular brasileiro como parte da narrativa, o que ajuda bastante a criar essa sensação de tempo e de atmosfera.
O que mais me chamou atenção nesse terceiro volume foi justamente o cuidado em desenvolver essa fase mais cotidiana da vida do Ricardo. O livro não tem pressa em resolver as coisas. Ele vai acompanhando a rotina, as conversas, os conflitos internos e as pequenas decisões que vão moldando o caminho do personagem. Em muitos momentos, parece até que a gente está lendo crônicas da vida dele, o que funciona bem dentro da proposta da trilogia.
Outro ponto que eu gostei bastante foi a forma como o autor trabalha o luto. Não é algo que simplesmente passa ou que fica em segundo plano. O Renato continua presente, mesmo depois da morte, influenciando diretamente as escolhas do Ricardo. E isso torna toda a construção da relação com o Gustavo mais interessante, porque não é uma substituição, é um processo completamente diferente.
Também vale destacar como o livro consegue fechar os arcos dos personagens. Pessoas que acompanham a história desde o primeiro volume voltam aqui e têm seus momentos de conclusão. Tem encontros importantes, conversas que ficam pendentes por anos e que finalmente acontecem, e isso dá uma sensação de encerramento bem consistente para a trilogia.
A relação com o Dinho também é um ponto que cresce bastante ao longo do livro. Isso porque ela vai sendo construído aos poucos, e isso deixa tudo mais natural. Essa ideia de formar uma família dentro daquele contexto dos anos 90, com todas as limitações e preconceitos da época, é trabalhada de forma bem interessante.
Sobre o ritmo, é um livro longo, com quase 800 páginas, e isso impacta diretamente na leitura. É uma narrativa mais pausada, que exige tempo, mas que recompensa quem entra nessa proposta mais contemplativa.
No geral, O Rugido do Leão consegue encerrar bem a trajetória do Ricardo. É um livro que não busca grandes reviravoltas, mas sim fechar a história de forma coerente com tudo o que foi construído desde o início. E funciona justamente por isso, porque respeita o tempo do personagem e tudo o que ele viveu até aqui.
Se você já leu os volumes anteriores, acho difícil não se envolver com esse fechamento. E pra quem ainda não começou a trilogia, fica a recomendação, porque é uma história que cresce muito conforme avança.
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