6 de maio de 2026

RESENHA: DESCER UM DEGRAU



Organizadores: Plínio Meirelles
Editora: Artêra
Ano de publicação: 2026
Compre através desse link

Até quando é possível recomeçar? Rodrigo é recém-divorciado e, após uma pandemia, viu sua pequena empresa ir à falência. Sem muitas opções, vivendo em um Brasil de poucas oportunidades e já entrando na meia-idade, ele se vê obrigado a mudar de casa, ocupando um antigo imóvel da família na região metropolitana de São Paulo. De suas memórias de infância bucólica, a pequena chácara agora faz parte de uma periferia onde Rodrigo precisará aprender a habitar. Será que todos somos frutos de um contexto?


Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Descer um Degrau, do Plínio Meirelles. O livro foi publicado pela editora Artêra e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.

A história acompanha Rodrigo, um homem que já passou da fase em que a vida parece promissora e começa a dar sinais mais concretos de desgaste. Recém-divorciado e com a empresa praticamente falida depois da pandemia, ele se vê sem muitas alternativas além de voltar para um antigo imóvel da família em Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo. O que antes era uma lembrança de infância, quase bucólica, agora se apresenta como um espaço completamente diferente, inserido em uma realidade que ele não conhece e, principalmente, não entende.

Esse retorno não tem nada de confortável. Rodrigo chega deslocado, tentando encaixar uma vida que não cabe mais ali. Desde os primeiros momentos, isso fica claro: a casa vazia, a mala que carrega o que sobrou, o esforço quase ridículo para conseguir um sinal de celular. Tudo aponta para um personagem que não só perdeu estabilidade, mas também referência.

A partir disso, o livro passa a acompanhar esse processo de adaptação. Rodrigo começa a circular pelo bairro, conhece pessoas, tenta entender as dinâmicas daquele lugar e, aos poucos, vai sendo confrontado com a própria visão limitada que tinha sobre a periferia. Esse contato direto quebra várias ideias prontas que ele carregava, mas não de forma didática. É tudo muito natural, vindo das interações, principalmente com personagens como o Kris, que ajudam a expor essas diferenças sem transformar o livro em um discurso.

Em paralelo, quando ele começa a trabalhar como motorista de aplicativo, a narrativa se expande. Boa parte dos capítulos passa a acontecer dentro do carro, e isso funciona muito bem. São Paulo aparece nesses trajetos de forma fragmentada, quase como um mosaico de histórias rápidas. Cada passageiro traz um recorte diferente da cidade, e isso amplia bastante o alcance do livro sem tirar o foco do Rodrigo.

O que mais me pegou na escrita do Plínio Meirelles foi justamente essa capacidade de observar. O texto é muito atento aos detalhes, mas sem parecer excessivo. Pequenas coisas, como um gesto, um silêncio, um comentário atravessado, carregam bastante significado no contexto geral da história. E isso faz com que a leitura flua de um jeito muito natural.

A ironia do Rodrigo também é um ponto forte. Isso porque ela funciona mais como uma forma de lidar com o desconforto, com a sensação constante de estar fora do lugar. E essa sensação atravessa o livro inteiro. A solidão do personagem é outro aspecto que se destaca, mesmo quando ele está cercado de gente, existe uma distância que não se resolve. As conversas com passageiros, com vizinhos, com conhecidos… tudo parece sempre um pouco superficial, como se faltasse alguma coisa para realmente criar conexão. E isso dialoga muito com o momento da vida dele.

Outro ponto interessante é como o livro trabalha a ideia de fracasso. Não como algo pontual, mas como um acúmulo. Rodrigo tem consciência disso, e em vários momentos ele mesmo ironiza o próprio caminho que percorreu. Existe ali uma crítica bem direta a essa ideia de sucesso pronto, de fórmula que dá certo para todo mundo.

No fim, Descer um Degrau é um livro muito centrado no personagem e nas experiências dele. Não é uma história que busca grandes reviravoltas, mas sim acompanhar esse processo de recomeço, que está longe de ser bonito ou inspirador no sentido mais comum. É uma leitura que funciona justamente por ser honesta no que se propõe a mostrar!

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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