Organizadores: George Ornellas
Editora: Independente Ano de publicação: 2026
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Após 20 anos brilhando na Europa, conquistando múltiplas vezes o título de melhor jogador do mundo e ter se tornado uma verdadeira lenda do futebol, o craque brasileiro retorna para jogar no Brasil, em um dos maiores clubes do Rio de Janeiro. No entanto, uma tragédia pessoal devastadora ameaça sua carreira, fazendo-o questionar se ainda vale a pena continuar jogando. Enquanto Lendário enfrenta esse drama em sua vida pessoal, em seu antigo clube na Inglaterra, surge uma nova estrela: David Fast, um jovem inglês contratado por uma fortuna para substituir a lenda brasileira. Com talento extraordinário, Fast começa a dominar os campos, ganhando cada vez mais fama e sendo aclamado como o próximo melhor do mundo. Agora, Lendário precisa se reerguer. Mas será que ele ainda tem o que é preciso para se manter no topo? Conseguirá ele superar seus desafios e continuar sendo o melhor, ou cederá o trono ao jovem prodígio? Essas e outras perguntas serão respondidas no novo livro de George Ornellas. Uma emocionante história de superação, rivalidade e paixão pelo futebol. Prepare-se para uma narrativa repleta de aventura, drama e ação em cada jogada, até o tão aguardado confronto final, entre o veterano brasileiro e a nova promessa inglesa.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje a resenha é de uma trilogia nacional que me surpreendeu bastante: “Lendário”, do George Ornellas. Os três livros acompanham a trajetória de Geovan Orlins, conhecido mundialmente como Lendário, um jogador brasileiro que saiu do país ainda muito jovem, construiu uma carreira gigantesca no futebol europeu e se tornou uma das maiores figuras do esporte dentro desse universo criado pelo autor.
Mesmo sendo uma história centrada no futebol, acho importante já deixar claro que essa não é uma narrativa feita apenas para quem acompanha campeonatos ou entende do esporte. Eu mesmo não sou alguém que vive futebol no dia a dia, não acompanho partidas, mas o que me fez continuar lendo a trilogia foi justamente a forma como o George usa o futebol mais como um plano de fundo para desenvolver os personagens e os conflitos pessoais deles.
O Lendário é apresentado quase como uma figura inalcançável dentro daquele universo. Todo mundo conhece o nome dele, todo mundo acompanha a carreira dele e existe um peso muito grande em cima da imagem que ele construiu ao longo dos anos. Só que os livros não ficam presos nessa ideia do jogador perfeito. Existe uma preocupação muito grande em mostrar quem ele é fora dos campos, principalmente quando retorna ao Brasil depois de duas décadas na Europa. O contato com a família, a relação com o filho, o casamento e até a pressão de continuar sendo o melhor mesmo depois de tantos anos acabam se tornando partes muito importantes da narrativa.
Ao mesmo tempo, a trilogia apresenta David Fast, um jovem jogador inglês que surge como a nova promessa do futebol mundial. E eu gostei bastante da forma como o autor constrói essa rivalidade entre os dois, porque ela não acontece de maneira exagerada ou caricata. Existe competição, existe provocação, mas também existe uma construção muito humana desses personagens. O David carrega uma necessidade constante de provar seu valor e conquistar o espaço que o Lendário ocupou durante anos, enquanto o próprio Lendário tenta entender até onde ainda consegue sustentar tudo aquilo que representa.
Uma coisa que me surpreendeu positivamente foi perceber que o George não limita a história apenas aos protagonistas. Ao longo dos livros, vários personagens ganham espaço e ajudam a deixar esse universo mais vivo. Gostei muito da forma como ele trabalha capítulos focados em personagens secundários, mostrando relações familiares, amizades, bastidores e até os impactos emocionais que o futebol causa na vida de cada um deles. Isso faz com que os livros tenham um tom muito mais próximo e menos mecânico.
E apesar de existirem muitas cenas de jogos e campeonatos, principalmente no terceiro volume, o foco da trilogia nunca é explicar futebol de maneira técnica. O autor se preocupa mais em construir tensão, rivalidade e emoção dentro das partidas. Você sente o peso daqueles momentos porque já conhece os personagens, entende o que cada vitória ou derrota representa para eles e acompanha o desgaste emocional que vai crescendo ao longo da história.
Outro ponto que gostei bastante foi como os livros mantêm um ritmo muito acessível. A leitura flui rápido, os capítulos são curtos e sempre existe alguma movimentação acontecendo. É uma trilogia que consegue equilibrar drama, rivalidade esportiva, relações pessoais e momentos mais emocionais sem ficar cansativa. Além disso, a diagramação das edições físicas está muito bonita e confortável de ler, algo que também faz diferença numa série longa.
No fim, “Lendário” acabou sendo uma experiência muito diferente do que eu imaginava quando comecei o primeiro volume. Achei que encontraria uma história extremamente focada em futebol, mas o que encontrei foi uma narrativa muito mais centrada em legado, pressão, ambição e na forma como as pessoas lidam com expectativas. É uma trilogia que funciona tanto para quem gosta de esportes quanto para quem simplesmente quer acompanhar personagens carismáticos dentro de uma história cheia de rivalidade e emoção.
Então fica a indicação, principalmente para quem gosta de romances esportivos, histórias de superação e narrativas que acompanham personagens ao longo de muitos anos. Ornellas conseguiu construir uma trilogia bem envolvente e que prende justamente pela conexão que a gente cria com esses personagens.


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