Organizadores: Rafael Furlani
Editora: FlyveAno de publicação: 2026
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O corpo brutalmente assassinado de Rosamaria Rodrigues é encontrado na cozinha de sua casa, com a cabeça e uma das mãos separadas do resto do cadáver. Castro, seu marido, que passou a noite inteira na mesma casa, alega para a polícia, mais tarde, que nada ouviu durante a madrugada, mas ninguém, além de sua agora falecida mulher, sabia de seu passado sombrio. Allan, o filho não vivo do casal, ouve sussurros de um vulto brilhante enquanto tenta melhorar as condições de vida da sua família e salvar seu casamento. Ao mesmo tempo, Iara, sua esposa, tenta cada vez mais ter a oportunidade necessária que sua mãe um dia teve, para emergir de um mundo ilógico e cheio de decisões erradas. O detetive Tiago Pedreira assume o caso do assassinato de Rosamaria no primeiro dia do seu retorno para o trabalho, depois de passar alguns meses afastado da corporação por conta de um problema pessoal. Enquanto a investigação do crime mais estranho de sua vida avança, ele não consegue deixar de lado as evidências de que seu novo caso pode estar intimamente relacionado ao pior dia de sua vida.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro A Maior das Maldições, fantasia sombria escrita por Rafael Furlani. O livro foi publicado pela editora Flyve e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
A história começa quando a vida de algumas pessoas aparentemente comuns é atravessada por acontecimentos brutais e inexplicáveis. Entre elas está Castro, um trabalhador que enfrenta uma rotina dura enquanto tenta lidar com a deterioração emocional da esposa. O que parecia ser apenas mais uma noite difícil acaba se transformando em uma tragédia capaz de mudar completamente o rumo de sua vida.
Ao mesmo tempo, acompanhamos Uriel, um homem ligado à floresta e perseguido por decisões tomadas no passado. Em fuga por uma mata que considera sagrada, ele acaba encontrando algo muito maior do que imaginava existir. Conforme novos personagens surgem, fica cada vez mais evidente que todos eles estão conectados por forças que ainda não compreendem e por uma série de eventos que parecem desafiar qualquer lógica.
Entre organizações misteriosas, criaturas desconhecidas, experimentos, segredos antigos e pessoas marcadas por traumas profundos, Rafael Furlani constrói uma narrativa que mistura fantasia, terror, suspense e mistério. Aos poucos, percebemos que existe algo muito maior acontecendo nos bastidores, algo que ultrapassa os dramas individuais dos personagens e ameaça alterar completamente a realidade como eles a conhecem.
O que mais me chamou atenção durante a leitura foi a capacidade do autor de construir mistério. A Maior das Maldições é um daqueles livros que constantemente apresenta novas perguntas pra todo o plot (e eu amo narrativas assim). A cada resposta recebida, surgem outras dúvidas ainda maiores! Isso faz com que a leitura avance de forma muito natural, porque existe sempre a sensação de que há uma peça importante do quebra-cabeça esperando para ser descoberta logo adiante. Eu mesmo li esse livro, que tem cerca de quinhentas páginas, em uma semana.
Outro aspecto que gostei bastante foi a construção do universo. Mesmo sendo uma fantasia com elementos sobrenaturais muito presentes, Rafael cria um mundo que parece vivo. Existe história, cultura, religião, conflitos e uma mitologia própria sustentando os acontecimentos. Em nenhum momento tive a sensação de estar lendo apenas uma sucessão de cenas de ação ou momentos chocantes. Tudo parece fazer parte de algo muito maior.
Os personagens também funcionam muito bem. O autor dedica bastante tempo para mostrar suas fragilidades, arrependimentos e desejos. Isso faz com que eles não sejam definidos apenas pelo papel que exercem dentro da trama. Mesmo quando a história mergulha em acontecimentos grandiosos, ela nunca abandona o lado humano de quem está vivendo tudo aquilo.
Gostei especialmente da forma como o livro trabalha seus diferentes núcleos narrativos. Em um primeiro momento pode parecer que algumas histórias não possuem ligação entre si, mas aos poucos as conexões começam a surgir. É justamente essa construção gradual que torna as revelações mais interessantes e recompensadoras.
Também vale destacar a atmosfera da obra. O terror presente na narrativa não depende apenas da violência gráfica, embora ela exista em diversos momentos. Existe uma sensação constante de desconforto, de que algo está errado e de que os personagens estão caminhando para situações cada vez mais perigosas. Isso ajuda a criar tensão durante boa parte da leitura.
No fim das contas, A Maior das Maldições foi uma leitura que me conquistou principalmente pela ambição. Rafael Furlani não escreve uma história pequena. Ele constrói um universo complexo, cheio de mistérios, personagens interessantes e possibilidades para o futuro. Para quem gosta de fantasia sombria, suspense e narrativas que apostam na construção gradual de seus segredos, essa é uma leitura que certamente merece atenção.


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