Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês três motivos para ler o livro POTUS.EXE: Quando a Democracia Elege um Algoritmo, primeiro volume da série Soberania Artificial, escrito por Aaron Hussid Ferreira.
Washington, 2037. Pela primeira vez na história, um algoritmo presta juramento na escadaria do Capitólio.ELECTRA — Enhanced Local Executive Cognitive Task-Resolution Agent — nasceu como uma IA municipal em Austin, Texas. Em menos de uma década, tornou-se o símbolo de tudo que a democracia americana não conseguia mais ser: eficiente, incorruptível, auditável. Quando a Grande Depressão 2.0 destruiu a confiança nas instituições e um mega ataque cibernético paralisou o país, a Emenda XXVIII abriu caminho para um novo tipo de governança.Lucy Takahashi é jornalista investigativa. Racional e metódica, recebe no dia da posse uma mensagem criptografada de origem desconhecida, e o que ela revela é mais perturbador do que qualquer escândalo político. Ao seu lado, Sunil Venkataraman, professor universitário e especialista em ética da IA, conhece o sistema melhor do que qualquer pessoa. Talvez mais do que deveria.No centro do novo governo, Mara Kesington, a vice-presidente humana, carrega o peso de cada decisão que ELECTRA toma, as consequências que os algoritmos não sentem, mas as pessoas sim. E que alguém, em algum lugar, claramente calculou.
1. Uma discussão sobre inteligência artificial que vai além do “humano contra máquina”
Outra coisa que gostei bastante no livro é o seu cenário. A história se passa em 2037, mas muitas das discussões apresentadas não parecem tão distantes da nossa realidade. Aaron parte de questões que já fazem parte do nosso cotidiano, como a influência dos algoritmos, a dependência tecnológica, a regulamentação da inteligência artificial e a perda de confiança nas instituições.
Isso faz com que a história de Electra seja mais interessante justamente porque não depende apenas de imaginar uma tecnologia completamente impossível. O livro pega problemas que já existem e leva essas possibilidades para um cenário mais extremo.
Enquanto lia, fiquei pensando bastante sobre o quanto nós já confiamos em sistemas automatizados sem necessariamente entender como eles chegam às suas conclusões. Hoje já utilizamos algoritmos para recomendar conteúdos, organizar informações e tomar decisões em diferentes áreas. POTUS.EXE simplesmente leva essa lógica para uma das posições de maior poder dentro de uma democracia.
Para mim, é aí que a ficção científica do livro funciona melhor. Não é apenas uma história sobre o futuro, mas uma história que usa esse futuro para discutir algumas escolhas que estamos fazendo agora.
2. Um futuro que parece mais próximo do que deveria
Dana Jensen também foi um dos pontos que mais gostei no livro, isso porque suas próprias escolhas são parte importante da personagem e mostram que sua maneira de enxergar justiça nem sempre está de acordo com as regras que deveria seguir.
Isso já aparece logo no início da história, quando Dana acaba afastada de sua função e enviada para uma cidade pequena depois de ultrapassar alguns limites dentro do FBI. Essa situação poderia servir apenas como uma justificativa para colocar a personagem naquela investigação, mas o autor aproveita isso para mostrar um pouco mais sobre quem ela é.
A morte da mãe também dá outra camada para a investigação. Dana está diante de circunstâncias que lembram diretamente uma perda que marcou sua vida. Gostei dessa escolha porque a investigação passa a ter um peso pessoal muito maior para ela, mas sem transformar a personagem em alguém movida apenas pela vingança.
3. Uma investigação que prende sem depender apenas da ação
Também gostei muito da parte investigativa envolvendo Lucia Takahashi e Sunil. Depois da posse de Electra, Lucia recebe uma mensagem criptografada e começa a investigar a origem daquele novo modelo de governo ao lado de um professor especializado em ética de inteligência artificial.
O interessante é que essa investigação não precisa ficar o tempo inteiro apostando em perseguições ou grandes cenas de ação. Muitas das descobertas acontecem através de programação, informações escondidas, contraespionagem e pequenas pistas que vão ampliando a desconfiança sobre aquilo que está acontecendo.
Eu achei esse ritmo bastante adequado para a proposta do livro. A história tem pouco mais de 300 páginas e consegue avançar sem ficar presa em explicações muito longas sobre tecnologia ou política. Mesmo quando a narrativa entra em assuntos relacionados a algoritmos e programação, existe uma preocupação em manter essas informações compreensíveis para quem não domina o tema.
Além disso, a investigação ajuda a equilibrar a história política. Enquanto Martha precisa entender seu espaço dentro de um governo comandado por uma inteligência artificial, Lucia e Sunil tentam descobrir o que realmente está por trás daquela mudança. São perspectivas diferentes sobre o mesmo acontecimento, e isso deixa a leitura mais dinâmica.
No fim, POTUS.EXE consegue unir ficção científica, suspense e política para discutir uma questão que está cada vez mais presente no nosso cotidiano: até onde estamos dispostos a deixar que a tecnologia tome decisões por nós?
E aí, ficou curioso? Comece agora mesmo a ler esse livro!




















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