
Olá pessoal do Porão Literário! Hoje vou compartilhar com vocês uma entrevista feita com Quem escolhemos por amor. O livro é de autoria de Camila Taguti..
Vamos ao post, mas antes: Compre o livro clicando aqui
1. 1. Em Quem escolhemos por amor, Anita começa a história acreditando que permanecer perto da família e daquilo que conhece é a escolha mais segura para sua vida. A mudança de cidade para cursar a faculdade acaba transformando essa perspectiva e colocando seus sentimentos em conflito. Como surgiu a ideia de criar uma protagonista que precisa questionar as próprias certezas para descobrir o que realmente deseja?
Eu acabei me espelhando na minha própria vida. Eu fiz o mesmo movimento da Anita. Fui estudar no interior, enquanto minha família e meus amigos ficaram em São Paulo. Foi uma decisão muito difícil, mas a primeira decisão da vida adulta e a mais acertada. Não porque foi fácil, muito pelo contrário, mas foi a escolha que mais me mudou como pessoa. Foi o momento que eu me desafiei a viver algo novo, a conhecer pessoas, a criar laços com gente que eu nunca vi na vida e que hoje levo comigo para sempre. Foi o momento que eu me senti muito sozinha e que aprendi a conviver com isso sem fugir. Foi isso que eu quis mostrar com a história da Anita. Muitas vezes é preciso sair da zona de conforto para poder simplesmente ver o que acontecerá. No final, ela não sabia se aquilo ia a deixar mais feliz, na verdade ela se sentiu bem triste ao fazer aquela mudança, mas era o certo a se fazer pelo futuro dela.
2. A relação entre Anita e Jonathan é construída aos poucos, a partir da convivência e de uma aproximação que faz com que os dois desenvolvam sentimentos inesperados. Como foi trabalhar essa construção romântica e encontrar o equilíbrio entre os momentos de aproximação, as dúvidas de Anita e os conflitos que impedem esse relacionamento de seguir um caminho simples?
Eu realmente não queria que fosse fácil. A Anita e o Jonathan merecem estar juntos, eu tenho certeza disso, mas uma história de amadurecimento e auto conhecimento se constrói com erros e acertos. Cada um com seu passado e suas dores. Enfrentando seus medos e naturalmente voltando para o que é conhecido. Jonathan se fechando. Anita voltando para o Nicholas. É preciso muito esforço para ficar com quem se ama de verdade. É necessário abrir a mão do orgulho, abrir o coração, deixar com que aquela pessoa faça parte da sua vida. Confiar, se envolver. Amar não é simples. Nunca foi. Isso que eu quis deixar muito claro em Quem Escolhemos por Amor. Nunca foi uma história simples de amor, é muito mais uma história de amadurecimento e escolhas.
3. A descoberta da gravidez muda bastante os rumos da narrativa e acrescenta novas camadas aos conflitos de Anita, Nícolas e Jonathan. Por ser um acontecimento que afeta diretamente as escolhas e o futuro de todos eles, como você trabalhou esse momento da história? Desde o início, a gravidez já fazia parte dos planos para o livro ou foi uma decisão que surgiu durante o processo de escrita?
Sempre quis colocar a maternidade como um ponto de virada de chave. Eu sou mãe de dois pequenos e para mim a maternidade precisa ser exaltada, não romantizada. A mulher mãe precisa aprender a se doar, a ser um porto seguro para um serzinho tão indefeso, mesmo ela mesmo se sentindo sozinha e desprotegida. Ela assume responsabilidade por tudo, mesmo sabendo que algum prato vai cair. Ela quer dar conta, a gente quer dar conta de tudo pelos nossos filhos. Essa força que eu quero homenagear no livro. A Anita sempre teve a família ao lado dela, o que é um privilégio, mesmo assim em certo ponto ela quis seguir sozinha. Além disso, a maternidade veio no pior momento o que deixa o livro ainda mais intenso e emocionante. A Anita se vê grávida de um cara que não quer ser pai, mas ela não tem a opção de não ser mãe. Quantas mães não passam por isso, quantas mães não estão sobrecarregadas levando a maternidade e tantos outro papéis sozinhas. É sobre isso.
4. Um dos aspectos interessantes do livro é a maneira como as atitudes dos personagens revelam diferentes formas de lidar com o amor e com as responsabilidades que surgem a partir dele. Enquanto Nícolas se afasta, Jonathan oferece a Anita um apoio importante, mesmo diante das próprias dificuldades emocionais. Você acredita que o amor também se revela nas atitudes que tomamos quando uma relação deixa de ser simples? Como essa reflexão influenciou a construção dos personagens?
Eu acredito sim. Quanto mais assumimos compromisso com aquela pessoa que amamos, mais as nossas atitudes são relevantes para mostrarmos nosso amor. Não é preciso grandes gestos. A Anita jamais exigiu demonstrações de amor de Nicholas. Ela queria carinho, respeito, companheirismo, amizade. No começo era simples, eles estavam juntos, quando eles se afastam começam: dificuldades, desconfianças, medos. Foi assim que construi o amor de Anita e Nicholas. Parecia tudo perfeito, até que a vida acontece de uma maneira que nenhum dos dois estava esperando. Anita estava disposta a continuar com Nicholas mesmo diante das dificuldades, mas para Nicholas ficou dificil demais. Agora, o oposto foi o amor de Jonathan e Anita. Começou complexo. Jonathan tentando fugir, por medo de se magoar e porque não era possível ter Anita. E o que era complexo ficou ainda mais difícil com a gravidez e Nicholas indo morar na mesma cidade que os dois. Só que diante do amor que sentia por Anita, Jonathan não consegue deixar de se preocupar, de querer protegê-la e de mostrar o que sente com atitudes. Como quando a encontrou desmaiada no apartamento de Nicholas. Jonathan escolhe por amor, mesmo diante de todo o seu histórico, ele decide viver o amor e para ele fica fácil, porque ele encontrou o amor da maneira mais difícil.
5. O título Quem escolhemos por amor permite pensar tanto nas pessoas que escolhemos para compartilhar a vida quanto nas decisões que tomamos em nome dos nossos sentimentos. Depois de escrever a trajetória de Anita, sua percepção sobre o amor e as escolhas afetivas mudou de alguma forma? E o que você espera que os leitores levem consigo depois de acompanhar a história desses personagens?
Eu mudei um pouco minha percepção sim. Eu sempre fui uma romântica incurável. Eu ficava totalmente decepcionada quando um casal não ficava junto ao final de um filme ou de um livro. Eu queria que aquilo mudasse, eu não achava justo. Só que agora, com o meu livro, independente de Anita e Jonathan ficarem juntos ou não, a trajetória de amor e de amizade dos dois para chegarem onde chegaram já me dá uma sensação de dever cumprido. Eu quero que os leitores percebam que não é uma história de amor simplesmente e sim uma jornada de auto descoberta, uma história de amor próprio, de amizade, de mudanças de perspectiva. Uma história onde o personagem sai da zona de conforto para viver. Começa pequena, até invisível para se tornar dona de si e responsável inclusive por outra vida. Mesmo com a família super rica, mesmo com todas as oportunidades do mundo, Anita consegue seguir seu próprio rumo e se amar. É sobre isso! Quem escolhemos por amor, é sobre amor romântico, por também sobre nós nos escolhermos e nosso amor próprio!



















.png)
.png)

