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RESENHA: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA

28 de setembro de 2018

Corte de Névoa e Fúria
Autora: 
Sarah J. Maas
Editora:
 Galera Record
Páginas
: 656
Resenha escrita por:
 Leonardo Santos


O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos.

Um livro sobre abuso. 
Fiquei muito tempo pensando em como começar a resenha do segundo livro da trilogia da corte, chamado Corte de Névoa e Fúria. Minha dificuldade em escrever essa resenha se deu por conta da complexidade do livro e em abordar temas que tem foco cunho social, entre eles o abuso. 

Antes de entrar nesse tema, vou dar um pequena sinopse do livro, lembrando que essa resenha é SEM SPOILERS, porém a leitura não é recomendada para aqueles que não leram Corte de Espinhos e Rosas, para esses a leitura indicada é a resenha do primeiro volume, que se encontra neste link. 


Vamos lá, após o eletrizante final do primeiro volume, onde Feyre é morta por Aramantha num emblemático confronto Sob a Montanha, os sete Grãos-Feéricos a trazem de volta como forma de agradecimento pelo seu sacrifício, já que graças a ela a maldição está quebrada. Com a morte da vilã pelas mãos de Rhys (sujeito do qual Feyre ainda tem opiniões divididas), a paz parece chegar as terras feéricas. 

Meses se passam, nisso a protagonista volta a Corte Primaveril com Tamlin e tenta se acostumar com seu novo corpo (agora feérico), suas novas habilidades (até então inexploradas e desconhecidas) e a lidar com traumas psicológicos devido aos eventos acontecidos Sob a Montanha. Tamlin entretanto, continua inflexível quando a questão é a liberdade de Feyre, o Grão-Senhor usa o discurso de que ela, como sua fêmea e futura esposa, deverá manter uma rotina que circula entre cuidar da Corte e zelar pela relação entre os dois, enquanto Tam (cada vez mais distante), a mantém fora de qualquer decisão e notícia sobre o mundo fora daquelas quatro paredes. Isolada naquela mansão, Feyre implora a Tam por envolvimento no mundo exterior, porém só é autorizada a cuidar dos detalhes de seu casamento junto a grande-sacerdotisa Ianthe, uma de suas únicas companhias. 

Mesmo com a paz reinando, a mente de Feyre continua sendo atingida pela mais forte tempestade, as paredes da Corte aos poucos se tornam as paredes de sua cela Sob a Montanha, a vontade de se unir a Tamlin em assuntos que vão além dos preparativos do casamento é intensa, assim como sua frustração por não conseguir mais pintar e se sentir extremamente infeliz. Porém, o cenário muda quando Rhys a convoca para cumprir sua semana da Corte Noturna, com uma proposta de ajudá-lo contra a ameaça que que surge no horizonte, e aquilo que poderia ser sua sentença aos poucos parece se tornar sua salvação. 

Revelar mais poderia trazer spoilers para a narrativa, por isso evitarei falar mais sobre a trama e partirei para a análise da obra de Sarah J. Maas, mas já garanto que fiquei completamente extasiado com essa obra. Muito se dizia a respeito dos livros dessa autora, e lendo o Corte de Espinhos e Rosas não senti total entusiasmo devido aos problemas que apontei na resenha que fiz, entretanto, boa parte dos "erros" na verdade são dicas para o que estaria por vir nesse livro. 

O modo como Sarah demonstra como uma relação abusiva funciona é de se assustar, e creio que esse seja o grande vilão do livro, como relações como essa podem aprisionar a pessoa e sugar sua vitalidade. Isso é perceptível nas primeiras páginas do livro, a forma como Feyre continua lutando com seu subconsciente para afirmar que Tam está certo em tomar as decisões que toma, que tudo isso é feito para que ela esteja segura e como estaria errada em dizer que não, já que ela era extremamente grata a todo o conforto que ela e sua família agora tinham... Tudo isso entra em contraste com sua vontade de ser livre, de conhecer o mundo de Prythian, que até então é completamente desconhecido aos olhos da personagem. 

Ao contrário do primeiro livro, um dos principais pontos que merece ser destacada é o desenvolvimento da mitologia feérica. Sarah criou um mundo incrível para ser explorado, e Prythian se materializa na frente dos nossos olhos de forma fantástica, aqui a política e a cultura dos feéricos são explorados nos momentos em que Rhys está com Feyre. Gostei muito do papel de conector que Rhys acaba sendo, pois é através dele que Feyre (e nós, leitores) recebe as informações sobre a história feérica que serão extremamente importantes para a trama.

Outro ponto louvável da história é o leque de personagens que surge, se no primeiro livro o fato da narrativa se basear em poucos personagens me incomodou, aqui respiro aliviado ao ver que outros personagens são apresentados e desenvolvidos. Dos que mais me cativou, creio que Mor mereça sua devida atenção, os diálogos dela com Feyre são ótimos e servem de reflexão para o tema que a autora continua abordando de forma tão brilhante. 
... Certa vez vivi em um lugar onde a opinião de outros importava. Isso me sufocava, quase me destruiu. Então, vai entender, Feyre, quando digo que sei como se sente, e sei o que tentaram fazer com você, e que, com coragem o suficiente, pode mandar a reputação para o inferno. — A voz de Mor se suavizou, e a tensão entre todos eles se dissipou com isso. — Faça o que gosta, aquilo de que você precisa.
Mas o ponto principal pra mim é a transformação de Feyre. Não só a transição de humana para feérica, mas de uma pessoa submissa para independente, de alguém que precisa ser cuidada para uma arma. O livro É sobre isso, não tem como negar, Feyre encontra sua voz, e disso faz com que seja ouvida e respeitada. 
Estou pensando que era uma pessoa solitária e sem esperanças, e talvez tivesse me apaixonado pela primeira coisa que me mostrou um pingo de bondade e segurança. E estou pensando que talvez ele soubesse disso... talvez não conscientemente, mas talvez ele quisesse ser aquela pessoa para alguém. E talvez isso desse certo para quem eu era antes. Talvez não dê certo para quem... o que sou agora.
Vendo do lado social, o mundo feérico é extremamente patriarcal e cruel, um ótimo exemplo disso é a cultura Illyriana, uma raça de feéricos alados que guerreiam em exércitos das Cortes. Na tradição Illyriana, as fêmeas tem suas asas cortadas pelos machos para não conseguirem gerar filhos perfeitos e são impedidas de excarcerem outra função além de procriadora. Há vários outros exemplos e trechos do livro que ressaltam a representação feminina naquele mundo, e assustadoramente, muitos deles se adequam ao nosso.
— Na Corte dos Pesadelos — continuou Mor, aquela voz ficou baixa e um pouco fria mais uma vez — fêmeas são... um prêmio. Nossa virgindade é preservada e, depois, vendida ao lance mais alto, qualquer que seja o macho que dê mais vantagem a nossas famílias

No geral, Corte de Névoa e Fúria me impressionou muito, sendo EXTREMAMENTE superior ao primeiro e provavelmente um dos meus livros preferidos, Sarah J. Maas conseguiu construir uma narrativa impecável sobre temas sociais importantes e também sobre como encontrar uma voz, nos valorizar  e abraçar nossas partes mais sombrias para nos tornarmos completos. A narrativa em si flui muito mais e as coisas acontecem uma seguida da outra, sem tempo de nos deixar respirar! O gancho para o terceiro livro me deixou sem ar nenhum, e confesso que terminei as 600 páginas com um largo sorriso no rosto de orgulho pelo que Feyre se tornou. MAL POSSO ESPERAR PARA LER CORTE DE ASAS E RUÍNA! 
— Há tipos diferentes de escuridão — falou Rhys. Mantive os olhos fechados. — Há a escuridão que assusta, a escuridão que acalma, a escuridão do descanso. — Visualizei cada uma. — Há a escuridão dos amantes, e a escuridão dos assassinos. Ela se torna o que o portador deseja que seja, precisa que seja. Não é completamente ruim ou boa.

24 comentários:

  1. Fico deslumbrada com pessoas que conseguem fazer resenhas sem dar spoilers e ainda por cima deixam o leitor com vontade de ler os livros, acredito que essa seja uma das funções das resenhas, mas pena que não são todos que tem esse dom da boa escrita de resenhas. Beijo
    Mundo de Nati

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    1. Muito obrigado pelo elogio, Nati! Espero que tenha consigo deixar a resenha boa sem nenhum spoiler haha

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  2. Eu irei colocar essa trilogia nas minhas leituras de Janeiro, pois estou muito curioso e só leio resenhas fantásticas sobre os livros. Esse ano já estou comprometido até Dezembro, por isso deixei para 2019. Parabéns pela resenha.

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    1. Sei como é, viu. Saiba que não vai se arrepender da leitura

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  3. Que interessante a abordagem de relacionamento abusivo dentro de uma trama de fantasia. Apesar do enredo ter como pano de fundo um universo imaginário, o tema está muito em foco no mundo real, gostei da conexão.

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    1. Sim! Foi esse um dos pontos que mais me interessou durante a leitura

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  4. Olá.
    É sempre muito bom quando os autores dão destaque ao cenário, eu, como uma apreciadora de mundos, sempre fico muito feliz.

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  5. Gosto quando o segundo livro supera o primeiro. Não li ainda nenhum dos dois, mas acho importante trazer assuntos polêmicos em suas histórias.

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  6. Não é o estilo que gosto, mas depois da sua resenha, confesso que fiquei muito curiosa pra ler.

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado da resenha, obrigado pela visita!

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  7. Eu já estava com vontade de comprar esta trilogia, pois havia lido a resenha do primeiro livro e fiquei muito curiosa. Porém, a sua resenha só aumentou a minha vontade de comprar os livros e ler todos o mais rápido possível!
    Seu post está impecável! Você se preocupou em não deixa spoilers e as fotos estão MARAVILHOSAS!! Amei demais.

    Muito sucesso a você.
    Abraço.

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    1. Olá! Muito obrigado pelo elogio, foi realmente uma resenha difícil de se fazer.
      Espero que goste da leitura.

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  8. Olá, tudo bem? Bem, não tem como eu não dizer que estou surpreendida com a sua escrita! Você traduz bem do que se trata a história, mas sem dar spoiler algum, o que é admirável! Seu post está impecável, assim como suas fotos! Parabéns pelo capricho e dedicação.
    Beijos
    www.cheiadeassunto.com

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    1. Muito obrigado pelo elogio Daiane! Espero que tenha gostado da história <3

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  9. Adorei a resenha, ainda não li nada da autora, mas essa série tá na minha lista.

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  10. Logo de cara já curti a capa do livro, bem diferente.
    Ainda não conhecia, mas achei perfeito.
    https://blogdajenny2014.blogspot.com/

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  11. Já vi muitas resenhas positivas desses livro, mas ainda não os li e já estão em minha lista de leitura.
    Vou ler a primeira resenha para poder saber mais da história.

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  12. Oi,tudo bem ?

    Nossa já ouvi falar muito bem sobre essa trilogia e ela já está na minha lista de leitura, então encontrar este post só aumenta minha vontade de ler e reforça muito bem o quanto é uma ótima indicação.

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    1. Ai que ótimo que gostou! Assim que ler me diga o que achou!

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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