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RESENHA: SERPENTÁRIO

20 de setembro de 2019


SerpentárioSerpentário
Autora:  Felipe Castilho

Editora:
  Intrínseca
Páginas
: 368
Resenha escrita por:
 Leonardo Santos

Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.
Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.
Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior... e maligno.

Fala galera do Porão Literário, tudo bem? Hoje a resenha que trago a vocês é de um dos lançamentos da Intrínseca, e o melhor de tudo é que é de autoria nacional! Serpentário, de Felipe Castilho? Bora lá?




Mariana, Hélio e Caroline são três adolescentes de classe média que vivem em São Paulo, porém, todo final de ano o grupo viaja ao litoral para passar as festividades e encontrar seu amigo Paulo, que se diferencia de seus amigos pela condição financeira mais carente e cor da pele (é o único negro entre os amigos brancos). Em 1999 não poderia ser diferente, o grupo se reúne para  aquele que seria um encontro fatídico, Caroline compartilha com os amigos seu interesse em visitar a "ilha das cobras", arquipélago que é muito conhecido pela comunidade científica. Aspirante a médica veterinária, Carol consegue gerar o interesse dos seus amigos para visitar a ilha. 

A ida até a ilha das cobras deixa uma marca em cada um, marca que vai além das deixadas pelas presas das criaturas, mas talvez a pior marca tenha sido a culpa em deixar Paulo na ilha, o garoto é dado como morto. Dezenove anos se passam, Carol trabalha em uma livraria, traumatizada pela experiência da qual mal se lembra, a mulher se assusta ao ver Paulo como autor na orelha de um livro de autoajuda, afinal ele estava vivo! Com essa informação em mente, Carol convoca uma reunião com seus antigos amigos para tentar entender o que ocorreu na ilha no pouco tempo em que lá estiveram. 

Vamos lá, pra começar esse é o primeiro livro que eu leio do Felipe Castilho, o autor já foi indicado ao Prêmio Jabuti e tem um outro título lançado pela Intrínseca, intitulado Ordem Vermelha. Por isso não sabia muito bem o que esperar da trama e como seria seu estilo de escrita, e é a partir daí que as surpresas começam, pois já fiquei intrigado desde as primeiras páginas. 

Primeiramente somos movidos pela curiosidade em entender a trama, Castilho não nos entrega a história com facilidade não, isso é evidenciado pela linha do tempo bifurcada (rs), a construção dos capítulos vão se dando em diferentes épocas; seja na adolescência do grupo, em sua idade adulta ou até mesmo durante a segunda guerra mundial. Por mais que pareça confuso, não é. É aí que mora a grande sacada do autor em nos confundir até o ponto necessário para então começar a entregar algumas respostas, tal estilo de narrativa me lembrou a do Stephen King em IT!

Dito isso podemos partir para os personagens, é muito bom ver o desenvolvimento de cada um após a experiência na ilha! Os capítulos que se passam em 2019 mostram bem como o trauma afetou cada um em particular, os dando uma complexidade gigante! Entre os quatro, a que mais me impactou foi Mariana, que em sua adolescência seguia o estilo fã de punk/rock e ovelha negra da família  passou a ser uma fanática religiosa quando adulta. 

Mas nenhum personagem me cativou tanto quando o Homem de Terno Branco, que se ostenta como uma figura medonha e onisciente, os capítulos que contam com sua participação são definitivamente os melhores pois além da figura mexer com a cabeça do grupo de amigos, ele com certeza mexe com a do leitor. Seu papel de antagonista é o maior acerto de Castilho num livro cheio deles, acredito que as referências a Robert W. Chambers (autor de Rei de Amarelo) e H.P Lovecraft tenham sido bem utilizadas. 

Falando em referências, Serpentário é cheia delas. Mesmo lendo minuciosamente, creio que perdi várias referências contidas nas páginas, mas além das referências a autores já citados acima, Castilho faz uma analogia interessante em questões sociais e políticas que circulam na nossa realidade. Com uma pitada de humor sarcástico e mortal, é interessante analisar o papel das cobras na trama, sendo um elemento cultuado pela sua sabedoria, podemos analisar o discurso do Homem de Branco em contraponto dos personagens que circulam os protagonistas. 

Temas como preconceito, racismo, homofobia, ganância e poder são tratados durante a obra de forma exemplar justamente pela sutileza, sim, o livro fala de todos eles! Mas é importante valorizar o quão o autor consegue fazer isso de forma que faça sentido a história no geral. Depois de dizer tudo isso, faço uma ressalva para a genialidade técnica utilizada pelo autor durante o capítulo 11, para você que estiver lendo essa resenha, prepare-se para este capítulo! 

Em resumo, Serpentário faz o papel que um bom livro deve fazer: Cativar desde o principio com uma trama promissora e instigante,  tecer a narrativa de uma forma que não subestime o conhecimento do leitor e fazer refletir a respeito da sociedade que vivemos e os problemas que nelas serpenteiam. 

4 comentários:

  1. Que livro fora de série, que história fantástica! Fiquei bem curioso para conhecer essa narrativa na íntegra, anotei aqui na minha lista. Aliás, estou gostando muito de suas postagens, tanto aqui no blog, quanto no ig. Você está de parabéns!!!

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  2. Adoro esses suspenses que misturam temas polêmicos, tabus e preconceitos. Aproxima mais da realidade. Me lembra a última série que assisti e - pela sua resenha - parece mesmo a forma que Stephen King escreve. Curti.

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  3. Oi Leo! Eu já tinha visto esse livro no instagram da editora, mas não tinha parado para ler sobre ele. Fiquei bem impressionada com a obra. Adorei a ideia de envolver a Ilha de Cobra, que só de escrever me dá arrepios. E to aqui com trocentas teorias com o nome do cara na capa. MEODEOS hahaha. A editora não tinha me deixado com vontade de ler, mas a sua resenha me deixou louca pela compra! Parabéns pela resenha. Beijos
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  4. Ainda não conhecia este livro e autor.
    Mas pra quem curte este estilo é uma boa indicação de leitura.
    https://blogdajenny2014.blogspot.com/

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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