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RESENHA: PIANO MECÂNICO

21 de outubro de 2020



PIANO MECÂNICO
Autor(a): 
 Kurt Vonnegut
Editora: Intrínseca
Páginas: 496
Ano de publicação: 2020
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Em um futuro não muito distante, pós uma nem tão distópica Terceira Guerra Mundial, as máquinas finalmente venceram. Quase tudo foi automatizado e logo a sociedade se dividiu sob um novo sistema de estratificação não mais baseado em dinheiro, mas sim em inteligência. De acordo com seu QI e capacidade intelectual, os indivíduos são classificados e registrados em um cartão perfurado e sua posição social ― um destino de glória ou esquecimento ― só pode ser definida a partir da análise desses dados. Do lado dos privilegiados ― engenheiros e gerentes ― o doutor Paul Proteus leva uma vida confortável no alto escalão das Indústrias Illium, o maquinário que controla toda a vida da cidade homônima. Sua casa confortável, o prestígio entre  os pares, a esposa atenciosa e dentro dos padrões: absolutamente tudo está em seu devido lugar e a ordem impera. A visita inesperada do inquieto e inconformado Ed Finnerty, um ex-colega de trabalho, promove um abalo sísmico em Paul e suas consequências, a princípio restritas à psique, logo se transformam em uma ameaça não apenas ao seu estilo de vida, mas ao de toda a estrutura que o cerca.

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Piano Mecânico lançado pela editora Intrínseca. O livro é de autoria de Kurt Vonnegut e tem tradução de Daniel Pellizzari.

Paul Proteus vive em uma sociedade que se diz em harmonia. Após uma terceira guerra mundial, o povo que não foi para a batalha precisou automatizar os meios de produção para garantir que as cidades continuassem a evoluir. Isso fez com que a tecnologia suprisse quase toda a demanda que antes era feita pela mão-de-obra humana. 





Com o fim da guerra, os soldados retornam para casa e encontram pouca oportunidade de trabalho, visto que o sistema já toma conta de tudo. Assim uma divisão é feita, de um lado da cidade de Ilium moram os cientistas e engenheiros que são detentores do poder econômico e social; do outro lado os outros, que vivem a margem daquele novo mundo. 

Por mais que Paul esteja integrado na casta "rica e produtiva" de Ilium, algo não parece certo. É com esse sentimento que o homem atravessa o rio que separa os dois grupos sociais e acaba descobrindo os horrores que compõem as vidas daqueles que são considerados inúteis para todo o sistema. 


Ao ler o enredo desse livro é bem provável que você pense que ele foi descrito nos últimos anos, sendo assim uma boa crítica ao nosso próprio sistema industrial! Como as pessoas são vistas apenas como peças que podem ser substituídas ou como a tecnologia parece se integrar cada vez mais ao que chamamos de elementos essenciais a vida. É aí que eu preciso te dizer que Piano Mecânico foi escrito em 1952!

Dá pra começar a entender então a genialidade do autor ao evocar temas tão pertinentes em uma época em que a automatização ganhava força. Em seu primeiro romance, Vonnegut escreve sua história após o período sombrio que foi a Segunda Guerra Mundial, se isso influenciou sua visão para o enredo? Imagino que sim! 

O mais interessante no livro se dá pela forma como Kurt constrói seus personagens! Começando pelo protagonista, Paul Proteus é um cientista renomado, porém distraído por tudo aquilo que lhe foge a rotina no mundo pacato em que vive. Conforme o personagem  atravessa o rio e confronta uma série de dilemas morais e filosóficos, surge a questão: o que significa ser humano? 


A narrativa é Kurt é precisa como um corte cirúrgico: Ela já se inicia nos dando as informações básicas para a trama e avança para aonde o autor julga mais necessário. Já tinha lido algo de Kurt anteriormente, o livro também lançado pela Intrínseca que foi intitulado Café da manhã dos campeões. Notei algumas diferenças entre sua escrita desse livro e do seu primeiro trabalho, Piano Mecânico. 

Aqui o senso sarcástico do autor é mais sutil, ele existe, não se engane! (apontando constantemente a hipocrisia da sociedade) Mas realmente ela surge de forma mais sutil, além disso o autor costuma utilizar a quebra da quarta parede em seus textos, entretanto esse recurso não foi utilizado em seu primeiro romance. 

Eu posso dizer que gostei muito mais desse romance dele do que do anterior que eu li, estou muito ansioso para que a Intrínseca traga mais livros do Kurt para o Brasil, até porque as edições padronizadas que a editora está lançando do autor estão INCRÍVEIS. Além de ter capa dura e pintura trilateral, a diagramação está impecável e a leitura acaba fluindo ainda mais por ser confortável! 

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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