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RESENHA: A DANÇA DA ÁGUA

16 de novembro de 2020

A DANÇA DA ÁGUA
Autor(a): Ta-Nehisi Coates
Editora: Intrínseca

Páginas: 304
Ano de publicação: 2020
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Por toda a América as plantações de tabaco floresceram e trouxeram riqueza aos senhores de terra durante o século XIX. Quando a bonança começa seu declínio, Howell Walker já vislumbra o próprio fim e sabe que precisará de um substituto para administrar os últimos dias de Lockless, sua propriedade no coração da Virgínia, Estados Unidos. Logo fica claro que seu único herdeiro, Maynard, não tem a menor aptidão para a missão. E mesmo o jovem Hiram, com sua resiliência e memória infalíveis, não poderia fazê-lo ― além de filho ilegítimo de Walker, ele é um escravo. No entanto, quando os meios-irmãos se afogam nas águas do rio Goose, a vida de Hiram é poupada por um poder misterioso e até então oculto dentro dele, uma herança materna que se perdera junto com as lembranças da mãe, vendida e levada para nunca mais voltar. Desse breve encontro com a morte brota uma grande urgência: Hiram precisa escapar do lugar que foi seu lar e prisão desde o dia em que nasceu. A dança da água narra toda a atrocidade infligida a homens, mulheres e crianças negros ao longo de gerações ― os grilhões da escravidão e o desmembramento cruel de inúmeras famílias ―, compondo um relato comovente e místico sobre destino e propósito, perda e separação.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro A dança da água, lançado pela IntrínsecaO livro é de autoria de Ta-Nehisi Coates e tem tradução de José Rubens Siqueira.





Uma história que se passa em um dos momentos mais cruéis da história americana que mostra a escravidão de uma forma que até então eu nunca tinha visto. Ta-Nehisi Coates consegue utilizar do surrealismo para compor uma trajetória de resistência e poder. 

Em uma américa escravocrata, a situação no condado de Lockless, localizado na Virgínia, não vai muito bem. A propriedade do senhor Howell Walker pode até ser considerada próspera, entretanto o homem está em uma idade avançada e seu único filho elegível a substituí-lo, Maynard, parece ser inapto para o cargo de liderança e controle das terras e dos escravos que a família possuí. 


Enquanto isso o jovem Hiram vive na casa abaixo da grande propriedade dos Walkers, tudo muda quando ele é colocado a viver e trabalhar na casa grande; filho do proprietário, Hiram tem algumas regalias que outros escravos não possuem, entretanto o jovem continua sendo um escravo, propriedade de seu pai que alguns anos atrás, vendeu sua mãe para um outro senhor de terras. 

Hiram não guarda uma mágoa específica do pai, e com a oportunidade de viver na casa grande, Hiram tenta entreter os que vivem ali com seu serviço e alguns jogos de memória. Pelo fato do rapaz ter um raciocínio extremamente aguçado e uma memória fotográfica, seu pai logo o coloca para estudar e ajudar a manter Lockless em pé. 



Em uma volta para a propriedade com seu meio irmão Mayward, a carroça onde os dois estavam é jogada no rio Goose, nisso Hiram tem uma visão fantasmagórica de um espírito dançando na água, e de alguma forma o rapaz consegue chegar até as margens do rio, com isso a percepção de Hiram a respeito daquela realidade muda completamente: seu desejo de escapar daquela propriedade clama em seu peito, ardendo pela liberdade. 

Sabe aquele livro que você não sabia que precisa ler até lê-lo de fato? Pois bem, A dança da água toca em um período que já foi transcrito por muita gente, entretanto a forma como o autor aborda esse período é completamente única. 

Narrado pelo ponto de vista do próprio Hiram, parece que estamos lendo um diário de memórias do personagem (inclusive em um trecho ele cita que começou a escrever o que estamos lendo como uma espécie de registro escrito pessoal), muito dos termos que lemos no livro é criado pelo personagem para designar as coisas, como por exemplo Qualidade (para designar os donos de terra e senhores) e Tarefeiros (os escravos). A escrita de Hiram transborda pelas páginas e é carregada dos sentimentos de o rege: a vontade de ser livre e a frustração com toda aquela realidade banhada de ódio. 


Um outro ponto que eu gostaria de colocar sobre a narrativa: Sim, ela é cansativa! Eu senti que minha leitura foi trabalhosa principalmente nas 100 primeiras páginas, toda a ambientação do autor é muito boa, mas custosa. Quando cheguei um pouco além da página 100 a história parecia sem rumo, não estava entendendo direito para qual lado ela iria... Essa sensação não durou muito, no entanto, a segunda parte do livro começa com um acontecimento que movimenta a história no geral e a partir daí a narrativa corre mais solta e com mais propósito. 

Conforme disse anteriormente, a história traz esse elemento de resistência, eu não vou discorrer mais sobre isso por conta de spoilers, mas é interessante ver como Hiram se adapta a uma realidade completamente diferente daquilo que conhecia anteriormente. Outros personagens brilham em seus momentos, gostaria de dar destaque para uma chamada Harriet, que faz referência a uma mulher negra que entrou pra história ao ajudar centenas de escravos a fugirem do regime escravocrata na américa. 


A trama mistura elementos fantasiosos nisso tudo, a mistura é orgânica e muito interessante! Acho esse um detalhe importante a ser dito. Já a edição está muito bonita, eu simplesmente adorei a capa e a textura dela, só não gostei muito do espaçamento e tamanho da letra, mas isso não me atrapalhou tanto! 






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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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