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RESENHA: NADA ORTODOXA

12 de novembro de 2020


NADA ORTODOXA

Autor(a): Deborah Feldman
Editora: Intrínseca

Páginas: 304
Ano de publicação: 2020
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Deborah Feldman cresceu sob um código de costumes rígidos, que regulavam praticamente tudo que dizia respeito à sua vida, desde o que ela poderia vestir e com quem poderia falar, até o que lhe era permitido ler. Integrante de um grupo de judeus hassídicos — corrente ultraortodoxa da religião — e criada pelos avós, cuja lealdade às tradições muitas vezes intrigava a mente curiosa da jovem, Deborah escondia volumes de Jane Austen e Louisa May Alcott para imaginar uma vida alternativa entre os arranha-céus de Manhattan. Ao fim da adolescência, submetida a um aspecto comum a diversas tradições conservadoras, Deborah se vê presa em um casamento disfuncional com um homem que mal conhece. O isolamento e a intransigência da comunidade deixam o jovem casal despreparado para o relacionamento, bem como para as responsabilidades paternas que se seguem. Quando consegue enfim se afastar do bairro onde sempre morou e organizar uma rotina com algumas liberdades, a tensão entre os desejos e os compromissos religiosos de Deborah aumenta. Até que, farta de ver o marido colocar a estrita observância da tradição acima do bem-estar da família, ela decide abandonar tudo que um dia chamou de vida.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Nada ortodoxa, lançado pela IntrínsecaO livro é de autoria de Deborah Feldman e tem tradução de Cássio de Arantes Leite.




Em uma narrativa autobiográfica, somos guiados pela autora Deborah Feldman em sua infância, adolescência e começo da fase adulta na sociedade de judeus ultra ortodoxos da qual cresceu. Como mulher, Deborah encontrou diversas limitações por conta de seguir a corrente  de judeus hassídicos; seja a respeito do que vestir, o que comer, com quem falar e até mesmo o que ler.

Mesmo com essas várias limitações, Deborah sempre teve um espírito muito curioso e conforme a menina vai crescendo e entrando na sua adolescência, começa a se perguntar do porquê dessas tradições tão rígidas existirem. Esse sentimento de limitação fica ainda mais evidente quando Deborah começa a ler livros clássicos da literatura escondida em seu quarto. 

Entre as páginas de Jane Austen e Louisa May Alcott, Deborah se encontra naquelas personagens femininas. Mulheres que são condicionadas as tradições que acabam as reprimindo e as condicionando a serem vistas como objetos ou adornos.

Após atingir o final da adolescência, Deborah é colocada em um casamento de forma abrupta, sem nenhuma preparação no que se diz a respeito de educação sexual ou até mesmo sem conhecer seu marido, a autora inicia então seu processo de renúncia a religião que tanto a limitou por toda sua vida. 


Meu interesse em ler esse livro surgiu desde quando a série que adapta as memórias da autora foi lançada da Netflix. Tinha começado a assistir e fui procurar mais sobre o enredo, quando eu vi que tinha sido baseado em um livro autobiográfico cujo lançamento seria feito pela Intrínseca no território nacional eu parei de assistir e esperei o livro. 

E que história, viu? Deborah consegue tecer suas vivências de uma forma muito clara e contínua, seus conhecimentos a respeito da cultura e tradição judaica é enorme e eles são aplicados de uma forma muito poderosa no livro - seja explicando os feriados ou os costumes e festas que guiam os judeus hassídicos. 

Mas o que mais me impactou foi a forma como Deborah encontrou um refúgio na literatura, ali ela poderia sonhar com a liberdade de uma forma nunca vista antes. O reconhecimento de seu estado com o de outras mulheres que viviam condicionadas a tradição foi responsável por fazê-la  se perguntar do seu próprio estado como pessoa, e achei isso fascinante.


A edição traz uma diagramação confortável, no entanto eu tenho um problema particular com capítulos muito longos... E bem, nesse livro cada capítulo tem cerca de 40 páginas! Isso deu uma reduzida no meu ritmo de leitura, mas acredito que esse livro seja interessante ser lido aos poucos mesmo,  justamente por ter capítulos longos e por trazer a vivência da personagem nesses seus anos de vida. 

Enquanto a renúncia que a autora faz da corrente ortodoxa da religião, ela ocorre bem próximo ao final do livro , sendo assim ela ocupa uma parte pequena da narrativa (queria que ocupasse uma parte maior, inclusive). Além disso o livro conta com um material interesse no posfácio, onde a autora disserta a respeito da repercussão do livro e da adaptação da Netflix!


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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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