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RESENHA: O ENIGMA DO QUARTO 622

9 de fevereiro de 2021

O ENIGMA DO QUARTO 622

Autor(a): Joël Dicker
Editora: Intrínseca.

Páginas: 528
Ano de publicação: 2021
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Em uma noite de dezembro, o sofisticado hotel Palace de Verbier, nos Alpes Suíços, é palco de um assassinato sem solução, já que a investigação do crime nunca é concluída pela polícia. Anos depois, o escritor Joël decide tirar alguns dias de férias e se hospeda nesse mesmo local. Lá, uma surpresa o aguarda: seu quarto é o 621 bis, a nova nomenclatura do agora estigmatizado 622, e a curiosidade o leva a mergulhar em uma investigação sobre o caso emblemático. Ao longo da corrida para descobrir as motivações para o assassinato, somos apresentados a uma gama de personagens tão interessantes quanto pitorescos em um cenário aparentemente tranquilo e acolhedor: uma aristocrata russa decadente que sonha em casar as filhas com homens ricos, um grupo de banqueiros e um jovem ambicioso e talentoso que causa inveja e intriga entre os herdeiros que disputam a presidência de uma instituição financeira familiar.


Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro O enigma do quarto 622, lançado pela Editora Intrínseca. O livro é de autoria de Joël Dicker e tradução de Carolina Selvatici & Dorothée de Bruchard. 


Na história nós conhecemos Joël, um autor que encontra-se em um estado de tristeza absoluto após a morte de seu querido amigo, o editor Bernard. Bernard foi a pessoa que tornou Joël um escritor bem sucedido, o primeiro que confiou no talento do, na época, rapaz. Para piorar, Joël se envolve em uma relação frágil com uma de suas vizinhas, e com o fim do relacionamento entre os dois, o homem decide tirar umas férias para colocar a mente no lugar e não pensar mais na escrita, pelo menos durante um tempo. 

O retiro de férias é um luxuoso hotel nos alpes Suíços. No Palace de Verbier, Joël fica hospedado no quarto 621 bis, o que lhe causa um estranhamento inicial, afinal o andar tem o quarto 621, 621 e 623. Mas afinal, por que eles não tem o quarto 622? Essa questão parece entreter  Scarlet, uma outra hóspede que Joël conhece no restaurante. 


Juntos, eles começam a investigar o porquê da ausência do quarto. E então descobrimos que o Palace de Verbier foi palco de um assassinato, e no centro dessa tragédia estão uma série de personagens que compõem a narrativa eletrizante dessa história!

Bom, a sinopse que eu fiz pra vocês engloba apenas o início da narrativa, isso porque em "O enigma do quarto 622" nós temos a perspectiva do autor Joël pesquisando sobre a história do hotel e também a narrativa do que aconteceu anos atrás. Somos guiados para a vida dos personagens que estão no centro de todo esse mistério, como o filho do diretor do maior banco de Genebra, Macaire; o jovem banqueiro que ganhou a atenção de todos pelo seu talento e carisma, Lev Levovitch; e a mulher de Macaire, Anastasia.

Esses três personagens se entrelaçam pelo resto da narrativa e gente... Que narrativa! Esse foi meu primeiro contato com um livro do autor Joël Dicker, e sinceramente, não poderia ter sido melhor! A escrita de Joël é extremamente inteligente e afiada, o autor conseguiu prender minha atenção nas primeiras páginas, afinal, ele logo apresenta o primeiro mistério: quem morreu? quem matou? 


Com isso eu fui procurando as respostas, e por mais que o autor se recuse a dar elas no início, fui apreciando a forma como ele nos dava as informações. Já fique sabendo que a história é cheia de idas e vindas, cortes de capítulo e interrupção de narrativas! Mas isso não chega a ser confuso, e é aí que morou a genialidade do autor (pelo menos, pra mim).

É como em um jogo de xadrez, Joël utiliza uma peça (que aqui seria o acontecimento com algum personagem) e o esconde no tabuleiro durante algum tempo, quando nos esquecemos que aquele elemento está ali, Joël mexe a peça e joga em cima da gente, nos surpreendendo! Para uma história tão complexa como essa (e com um belo número de personagens), acredito que o autor tenha se planejado MUITO para contar do jeito que contou, e o resultado foi muito positivo!

"O Enigma do quarto 622" vai muito além de um suspense policial, o livro flerta com vários gêneros literários e isso foi o que mais me surpreendeu durante a narrativa. Temos uma história de amor, uma história de dor, luto, vingança... Tudo se mescla em uma forma que poucos autores conseguem fazer! 


Meu único ponto que eu nem chego a considerar negativo, mas pode deixar o leitor confuso, é o fato da história pular entre pontos temporais com muita frequência. Em um mesmo capítulo nós estamos no presente, em seguida "dez anos no passado", depois "quinze anos no passado", "dois dias antes do assassinato"... Enfim, isso acaba não dando respostas fáceis ao leitor e pode acabar o estressando... Portanto fique ciente de que Joël não irá lhe entregar as respostas rapidamente. 

No entanto, no terceiro ato do livro (últimas 200 páginas), somos bombardeados com diversos plot twists e revelações acerca da obra. Sério, eu fiquei sem fôlego  com todo esse arco final, não esperava a conclusão que teve até ela acontecer, pois a partir do momento em que entendemos tudo, vemos que toda a narrativa foi construída para chegar naquele momento! É isso é muito satisfatório. 

Vou parar por aqui com o seguinte pedido: leiam esse livro no seu tempo, ele é pra ser degustado aos poucos! Vale super a pena!




6 comentários:

  1. Mesmo com esse "defeitinho" das passagens de tempo dentro do mesmo pedaço da estória, eu admito que vejo a hora de saber o que aconteceu de fato no quarto 622.
    Ainda não li nada do autor, mas ele chegou fazendo seu espaço e para amantes de thrillers como nós, isso é sempre um presente!!
    Espero ler em breve!!!
    Beijo


    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Sempre vejo muitos elogios a escrita de Jöel. Realmente a premissa é instigante! Se estivesse no hotel, também iria querer investigar!
    Apesar de curtir várias linhas temporais em uma história, pode confundir mesmo

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  3. Leo!
    Li apenas um livro do autor e me encantei pela leitura e já fiquei bem interessada nesa leitura, porque aparente é ainda melhor do que o que li Essa forma de ir criando como se fose uma teia de aranha e ir mostrando os fatos aos poucos, nos deixando curiosos, é muito interessante.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Eu ameii sua resenha e esse livro, porque acabei de sair de uma leitura que achei bem parecida com essa. O livro "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", já leu? Então, encontrei semelhanças por ser um suspense policial, pelos pulos no tempo e por juntar amor, vingança, dor, luto. Além disso, as capas são bem parecidas. Quero conhecer!

    @yasmindeciles

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  5. Em síntese, a narrativa do livro constitui duas partes. A primeira é sobre o autor e todas as suas conveniências e superficialidade. Em contrapartida temos o Macaire em todo o enredo prazeroso e interessantíssimo que nos é dado. O grande fator negativo do livro é exatamente este: você está absorto nas tramas envolventes, traições, conspirações e mistérios... para logo depois ler sobre quantos cigarros o autor fuma diariamente ou seus pratos favoritos. É claro que há, POR VEZES, importância na aparição autor, não obstante é fragmentado, sendo no geral ocioso e enfadonho.

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Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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