Autor(a): Stênio Gardel
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 148
Ano de publicação: 2021
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Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever. Nascido e criado na roça, não foi à escola, pois cedo precisou ajudar o pai na lida diária. Mas há muito deixou a família e a vida no sertão para trás. Desse tempo, Raimundo guarda apenas a carta que recebeu de Cícero, há mais de cinquenta anos, quando o amor escondido entre os dois foi descoberto. Cícero partiu sem deixar pistas, a não ser aquela carta que Raimundo não sabe ler — ao menos até agora. Com uma narrativa sensível e magnética, o escritor cearense Stênio Gardel nos leva pelo passado de Raimundo, permeado de conflitos familiares e da dor do ocultamento de sua sexualidade, mas também das novas relações que estabeleceu depois de fugir de casa e cair na estrada, ressignificando seu destino mais de uma vez.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro A palavra que resta lançado pela Companhia das letras. O livro é de autoria de Stênio Gardel.
Aos 71 anos Raimundo encontra uma nova missão: aprender a ler a escrever. Desde criança aquela vontade de compreender o mundo das letras que o cercava era grande, entretanto a oportunidade foi tirada de suas mãos por precisar ter que trabalhar para ajudar a família.
A relação de Raimundo com a família, no entanto, torna-se extremamente complicada a partir do momento em que eles descobrem que Raimundo estava se relacionando com Cícero, um dos vizinhos da família. Tomados pelo preconceito estrutural, Raimundo procura Cícero depois de sofrer os diversos castigos de seu pai, mas o rapaz se mudou com a família, deixando apenas uma carta para o jovem.
Depois de receber a carta, Raimundo é expulso de casa por sua mãe, precisando se virar sozinho no mundo para conseguir sobreviver. Agora, aos 71 anos, o homem procura reestabelecer laços com seu passado, e através dessa narrativa conseguimos acompanhar a jornada da vida de Raimundo.
Que livro. É difícil definir em palavras o quanto essa leitura me impactou, mais difícil ainda dizer qual foi o traço que mais me manteve preso à história. Stênio Gardel consegue tecer em sua narrativa um enredo que com certeza vai cruzar gerações e tem tudo pra se tornar um clássico.
Não é uma leitura fácil, a trajetória de Raimundo é muito dolorosa... Quase que visceral, me emocionei muito com toda sua complexidade, pois mesmo depois de sofrer tanto por conta dos pais e de toda a sociedade que o julga pela orientação sexual, Raimundo mantém uma espécie de ingenuidade e inocência que são muito bonitos de ver.
A escrita de Raimundo é o diferencial dessa obra: crua e dialogada. Vários trechos do livro são escritos como se o personagem estivesse conversando com a gente, ou então narrando algo... Isso dá um traço único pra história, que com certeza vai ficar na minha cabeça durante muito tempo!
Personagens complexos e que lhe instigam a sentir algo aliados a um texto com extrema qualidade que te leva para uma realidade que milhões de adolescentes passaram e ainda passam no nosso país e mundo afora, dizer que esse livro entrou para os meus favoritos do ano é pouco! Só recomendo que leiam.
Que título poético e forte.
ResponderExcluirAqui a imaginar o que está escrito na carta e o quão ela impactou Raimundo depois de tantos anos.
E eu achando que as emoções viriam somente pelo aprender a ler e a escrever.
ResponderExcluirMas Raimundo carrega tanto amor, tantas dores que é impossível não se emocionar com cada detalhe.
Já é um livro que preciso muito sentir!
Beijo
Angela Cunha/O Vazio na flor
Leo!
ResponderExcluirFico sempre bem comovida em ver alguém com mais idade querer aprender a ler e escrever e pelo que entendi, ele tinha um objetivo bem específico para isso, apesar de toda confusão familiar e não aceitação.
cheirinhos
Rudy