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RESENHA: A METADE PERDIDA

17 de maio de 2021






A METADE PERDIDA
Autor(a):  Brit Bennett
Editora: Intrínseca

Páginas: 336
Ano de publicação: 2021
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Novo livro de autora best-seller explora questões familiares e preconceito em narrativa sobre gêmeas idênticas que se encontram em lados opostos de uma sociedade racista As irmãs Vignes são gêmeas idênticas. Quando, aos 16 anos, resolvem fugir de casa, elas não fazem ideia de como isso vai alterar suas trajetórias. Mais de uma década depois, uma delas volta para a cidade natal ― uma comunidade negra no sul dos Estados Unidos obcecada por novas gerações de pele cada vez mais clara ―, e o choque não poderia ser maior. Porque ela não apenas chega sem a irmã, mas com uma criança. Uma criança de pele muito escura. Para as gêmeas, a separação não significou apenas o rompimento de um laço sanguíneo. Elas se encontram em pontos muito distantes em uma sociedade racista: enquanto uma se casa com um homem negro e é obrigada a retornar ao lugar de onde escapou tantos anos antes, a outra é vista como branca, e o marido branco não faz ideia de seu passado. Ainda que separadas por milhares de quilômetros ― e incontáveis mentiras ―, o destino das duas permanece interligado. E o que acontecerá quando os caminhos de suas filhas acabarem se cruzando também? Ao reunir diversos núcleos e gerações de uma mesma família, do extremo sul dos Estados Unidos à Califórnia, entre os anos 1950 e 1990, Brit Bennett constrói uma história emocionante, que também analisa de forma brilhante conceitos como passabilidade e colorismo. A metade perdidatrata de questões raciais, explora a influência duradoura do passado em nossas vidas ― seu poder de moldar decisões, desejos e expectativas ― e apresenta as razões pelas quais algumas pessoas se sentem compelidas a se afastar de suas origens.

 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro A metade perdida lançado pela Intrínseca. O livro é de autoria de Brit Bennett.








Em Mallard, pequena cidade localizada no sul dos Estados Unidos, as pessoas seguem uma rotina que pouco varia conforme os anos vão se passando. Em uma américa segregada dos início dos anos de 1950 nós conhecemos duas irmãs gêmeas, Desiree e Stella Vignes tem 16 anos quando decidem partir de Mallard e nunca mais voltar, ou ao menos aquele era o plano. 

Além de ser um pacato vilarejo, a maioria da população de Mallard era negra, logo, por conta de todo o sistema racista que imperava na época, Mallard sofria os reflexos de toda a segregação. Uma característica interessante sobre o vilarejo era que a população de negros que ali viviam eram de peles claras, essa "cultura" da pele clara era enraizada ao pensamento local, assim, quanto "menos negra" a pessoa fosse, mas fácil seria de tentar uma oportunidade fora dali. 


Com isso, as irmãs Vignes se despedem de Mallard e viajam até New Orlans para procurar novas vivências que não se restringissem a trabalhar como domésticas para mulheres brancas. Ambas começam a traçar a vida que sempre almejaram, todavia o destino separa as gêmeas. Anos se passam sem com que uma consiga contato com a outra. 

Diversos anos depois, Desiree volta a Mallard com sua filha, recém saída de um relacionamento conturbado e violento, Desiree retorna com um objetivo em mente: encontrar sua irmã da qual não vê há muito tempo. 

Assim, entramos em uma experiência literária que só Brit Bennett poderia nos guiar em uma realidade que não difere muito da que milhares de mulheres precisam viver diariamente. Esse é o meu primeiro contato com a autora, sei que ela tem outro livro também lançado pela Intrínseca (Mães) que é bem falado, todavia esse foi o primeiro título que li da autora e olha... que surpresa maravilhosa!


Eu simplesmente AMEI a forma como Bennett vai nos guiando pela história, é visceral e extremamente fluída. Por se tratar de um drama familiar que passa por gerações, é extremamente importante ao autor ou autora saber trabalhar com os pequenos conflitos e com o desenvolvimento dos personagens para não deixar a narrativa monótona! Brit vai exatamente isso e muito mais!

O conflito que causa tensão no leitor é: Desiree vai voltar a encontrar sua irmã? O que aconteceu para as duas se separarem? E essas perguntas são respondidas em uma narrativa não linear que nos vai fazendo mergulhar cada vez mais na história dessas duas mulheres tão diferentes e tão incríveis. 


Além disso, Bennett trata de um assunto FUNDAMENTAL em seu livro: o colorismo. Fiquei impressionado em ver como o racismo estrutural se dá nessa narrativa, onde temos pessoas negras de pele clara praticando atitudes extremamente racistas contra pessoas negras de pele escura, inclusive a própria filha da Desiree sofre por isso em determinado momento da história, a crença de que a coloração da pele está ligada a uma determinada pureza (ou elevação) daquele indivíduo é muito bem colocada em A metade perdida, e isso me deixou muito curioso para pesquisar mais sobre o tema!

Eu simplesmente AMEI esse título escolhido pelo Intrínsecos, acho que foi o que eu mais gostei desde Pachinko (título que também retrata um drama familiar e um romance de gerações), a edição do clube está BELÍSSIMA em um tom de amarelo que ficou a coisa mais linda! Além disso o livro veio com um quebra-cabeças magnético com uma arte maravilhosa da qual eu deixarei fotos para vocês verem!


2 comentários:

  1. Leo!
    Interessante ver como a autora construiu um mundo onde o racismo se encontra até entre eles mesmos, que coisa... Vou pesquisar sobre o colorismo também, porque é algo ainda mais absurdo do que o próprio racismo.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  2. Mais uma vez o Intrínsecos arrasando!
    Um livro que nos faz questionar muitas coisas não é?
    Aguardando o lançamento comercial do livro

    ResponderExcluir



Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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