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RESENHA: GUARDEI NO ARMÁRIO

25 de junho de 2021



 GUARDEI NO ARMÁRIO
Autor(a): Samuel Gomes
Editora: Paralela

Páginas: 304
Ano de publicação: 2019
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Samuel Gomes teve uma infância parecida com a de vários outros meninos nascidos na periferia das grandes cidades brasileiras: dividia o quintal de sua casa com muitos parentes, estudava em uma escola do bairro e via seus pais batalharem para dar um futuro melhor a ele e à sua irmã. Porém, logo começou a perceber que era diferente daqueles que o cercavam: ele sentia atração por outros meninos. Assim, o medo de ser quem é foi um fio condutor do seu amadurecimento, ainda mais por ser negro e fazer parte de uma família extremamente evangélica. Além das várias situações de racismo e discriminação que teve que enfrentar, tinha a Igreja, que não era apenas um lugar que frequentava aos domingos com sua família, mas sim uma instância onipresente em sua vida, que ditava seu modo de vestir, de se comportar, de pensar e de viver. Foram longos anos até que pudesse entender que a vida não precisava se resumir à realidade em que nasceu, e que o que sentia não era errado nem “anormal”. Sua luta por estudo, autodescoberta e autoaceitação é narrada neste livro, junto a reflexões que ele tece sobre ser um homem negro e homossexual no Brasil. Além da história de Samuca, o livro conta com entrevistas que ele fez com personalidades LGBTQIA+ brasileiras, que abriram seus armários e compartilharam suas trajetórias para fora deles. 

Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Guardei no armário: Trajetórias, vivências e a luta por respeito à diversidade racial, social, sexual e de gênero, lançado pela editora Paralela. O livro é de autoria de Samuel Gomes


Em um relato pessoal e autobiográfico, conhecemos a vida de Samuel Gomes através da páginas de "Guardei no armário". Sua trajetória se inicia em uma cidade do estado de São Paulo, onde Samuel "Samuca" cresceu em um ambiente conservador. Vindo de família religiosa, o rapaz logo foi acolhido pela igreja e seus dogmas, todavia conforme ia crescendo, Samuel foi percebendo que era diferente dos demais. 


Aquela sensação de não-pertencimento foi evoluindo cada vez mais conforme Samuel entendia mais a respeito de sua orientação sexual. Em um relato extremamente visceral que mistura momentos agoniantes com momentos de esperança, mergulhamos em uma realidade em que muitos adolescentes infelizmente passam no Brasil e no mundo, que sofrem com a  violência de uma comunidade baseada em preconceito e racismo estrutural.


No entanto, Samuel é preciso em nos contar uma história em que nos preencha de esperança e amor (e muita luta), sentimentos que guiam a comunidade LGBTQIA+. É impossível não se emocionar com os relatos do autor e toda sua descoberta. Em capítulos curtos e preciosos, temos um parâmetro de como ele lutou para evitar ser quem era devido a pressão alheia em se encaixar no normativo. (Não ser afeminado, não ter um cabelo grande, não ser isso, não ser aquilo).


A repressão é algo extremamente cruel, que pode nos colocar dentro de uma caixa e sugar toda a nossa identidade, por sorte Samuel contou com uma comunidade que lhe ofereceu ajuda no momento mais difícil e ajudou a propagar sua voz (que tentaram silenciar), tudo isso é narrado de forma sensível e real. 

Além disso, o livro conta com uma espécie de apêndice que trás entrevistas com diversas pessoas da comunidade , entre eles influenciadores, apoiadores da causa e ativistas dos movimentos LGBTQIA+ e movimento negro, isso torna o livro ainda mais rico e importante!


Incitar o debate a respeito do que é considerado "dogmas" por muitos é de extrema importância, e mais ainda é vital dar atenção as histórias e vivências de membros da comunidade! Me apaixonei por cada uma dessas pessoas e me emocionei muito com as histórias e ideias compartilhadas nesse livro. Uma leitura fundamental a se fazer, por isso indico a todes. <3 


Um comentário:

  1. Leo!
    Interessante ver o desabrochar da sexualidade reprimida diante de uma sociedade recriminatória e preconceituosa. O livro deve ser uma viagem pelo mundo 'colorido' da descoberta.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir



Olá leitores e leitoras! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 24 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Minas Gerais cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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