Em "Aurora", somos transportados para um cenário instável no ano 2170. Neste futuro distante, a Terra enfrenta as graves consequências do superaquecimento global. As mudanças climáticas desenfreadas obrigaram a humanidade a buscar refúgio nas regiões polares, enquanto avanços tecnológicos notáveis permitiram a colonização da Lua e de Marte, proporcionando uma nova esperança em meio ao desafio climático global.
No entanto, existe uma propaganda governamental de uma solução um tanto improvável: uma iminente era do gelo, já que com ela os veículos informam que a temperatura da Terra iria baixar consideravelmente, voltando a ser habitável em diversos lugares.
Contudo, por trás dessa aparente salvação, muitos temem que aquilo que é propagado não seja exatamente a verdade. Será que a solução seria assim tão simples? Os líderes mundiais divulgam que a mudança climática é resultado da diminuição da atividade solar, mas há indícios de uma verdade oculta. Nisso, em quem acreditar?
Que fascinante que foi me debruçar no mundo criado por Lucas Pedrosa em Aurora. Em uma espécie de ficção científica distópica extremamente politizada, conhecemos uma Terra que, por mais que esteja mais de cem anos a nossa frente, não é tão diferente assim da nossa. Claro, ali a situação envolvendo o aquecimento global chegou a níveis alarmantes, mas a forma como os seres humanos lidam com isso é tão real que chega a assustar.
Aqui conhecemos personagens que lidarão com os problemas dessa Terra, como o deputado Bruno; Alice, uma militar que vive próxima a um dos polos do planeta Terra; e Quon, uma das peças centrais desse jogo tão bem articulado que é Aurora.
Os capítulos iniciais do livro são direcionados a exposição do enredo, por isso encontramos uma grande quantidade de trechos expositivos, por mais que esse tipo de leitura seja um pouco mais cansativa, ela super vale a pena pois é ali que verificamos o quanto Lucas se empenhou em criar um background potente, científico e verossímil para sua história, principalmente com relação as tecnologias humanas. Entre elas, Inhealsys, que é capaz de curar doenças com enorme facilidade, aumentando a expectativa de vida humana para cerca de 130 anos.
Após nos aprofundarmos nessa civilização, a ação começa. A partir desse momento a leitura fluí mais naturalmente, e é aí que entendemos o porquê era importante termos uma série de informações a respeito dessa história. Gostei muito da forma como o autor constrói a tensão no decorrer da narrativa!
Por meio de um jogo político extremamente articulado, intrincada ciência especulativa e uma tapeçaria de emoções puramente humanas, Pedrosa nos convida a refletir sobre nossa relação com o mundo que habitamos, questionando nossas convicções e valores. 'Aurora' é uma narrativa que transcende a ficção da qual se categoriza, proporcionando uma leitura árdua e que gera muitas recompensas para todos aqueles que se interessam por um vislumbre do futuro.