Organizadores: Lira Neto
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 528
Ano de publicação: 2023
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Neste mergulho radical na trajetória de Oswald de Andrade, Lira Neto explora as muitas contradições da personalidade do polêmico biografado: blasfemo e temente a Deus, burguês e comunista, apaixonado e adúltero. O escritor genial, autor de romances experimentais e poemas revolucionários, exibia comportamento ao mesmo tempo febril e sentimental, amoroso e explosivo. Pensador vigoroso, usava a violência verbal e o sarcasmo como armas contra o conformismo intelectual. Era, acima de tudo, um personagem de si mesmo.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Oswald de Andrade: Mau selvagem, lançado pela editora Companhia das Letras. O livro é de autoria de Lira Neto e a resenha foi escrita por Leonardo Santos.
Escrito com a abordagem cinematográfica característica de Lira Neto, famoso pelas biografias de Getúlio e Maysa, por exemplo, esse livro traz à tona uma análise profunda e eletricamente envolvente da vida e da obra de Oswald de Andrade, explorando não só seu gênio literário, mas também seus excessos, suas paixões e suas contradições pessoais.
Ao longo da narrativa, Lira Neto revela um Oswald multifacetado: blasfemo e temente a Deus, comunista e burguês, um escritor incansável e, ao mesmo tempo, um homem de vida pessoal tumultuada, marcado por amores intensos e traições.
O autor de "Memórias Sentimentais de João Miramar" e de poemas revolucionários é retratado como alguém cuja relação com o Brasil e com a arte estava em constante transformação, moldada por uma energia que se traduziu tanto em sua escrita radical quanto em sua postura pública irreverente.
O que torna essa biografia ainda mais interessante é a maneira como Neto consegue traçar um retrato de Oswald que vai além da figura de ativista do modernismo, uma vez que, ao contrário do que muitos podem pensar, o escritor não se limitou apenas ao papel de vanguardista.
Através de uma pesquisa minuciosa, que incluiu cartas, diários e manuscritos do próprio Oswald, o autor revela um homem à frente do seu tempo, como pensador da literatura e como crítico feroz da sociedade patriarcal, propondo uma visão decolonial muito antes de esse conceito ganhar a forma e o nome que tem hoje.
Esse Oswald, que usava o sarcasmo e a violência verbal como instrumentos de combate à conformidade intelectual, é retratado como um verdadeiro "mau selvagem", que, ao lado de suas ideias modernistas, questionava os pilares da cultura brasileira e de sua própria época.
Lira Neto não deixa de explorar as várias facetas de um escritor que, embora incompreendido em sua época, se tornou uma referência para movimentos artísticos futuros como a Poesia Concreta, o Teatro Oficina e a Tropicália.
Em sua narrativa, Lira Neto destaca ainda a ironia trágica de sua vida: Oswald, embora fosse um dos maiores nomes da literatura brasileira, terminou seus dias empobrecido e quase anônimo. Apenas após sua morte o Brasil reconheceu o impacto e a influência de seu trabalho, cujas ideias ainda reverberam de forma vibrante na cultura contemporânea.




















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