10 de novembro de 2025

RESENHA: O DIÁRIO DE CAROL



Organizadores:  Alexandre Perobelli
Editora: Viseu 
Compre através deste link.

E se hoje você decidisse folhear seu passado? O quanto você mudou em todos esses anos? Quais foram seus sonhos, amores e arrependimentos? Carol registrou tudo isso em seu diário, um confidente que a acompanha desde a infância, guardando suas maiores angústias e segredos.Mas e quando aquela pessoa especial ocupa páginas e páginas de nossa vida, preenchendo capítulo após capítulo em nossa história? Para Carol, essa pessoa é Alice, sua grande amiga, que a apoiou nos momentos mais difíceis e quem que, por ela, começa brigas.O que fazer, no entanto, quando nos afastamos deliberadamente dessa pessoa especial justamente no momento em que mais precisamos dela? Quem nos acolherá quando o mundo se mostrar terrivelmente cruel?Diário de Carol é uma narrativa que se desenrola ao longo de duas décadas da vida da personagem, por meio dos registros íntimos em seu diário. A história é uma jornada de descoberta, amor e amizade, mas também de superação, medos e traumas, tudo apresentado por meio de uma escrita poética que mergulha fundo nas profundezas da alma humana."

 
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje a resenha é do livro Diário de Carol escrito por Alexandre Perobelli. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.


Em Diário de Carol, acompanhamos uma personagem que decide revisitar seu passado por meio das próprias palavras, e o resultado é uma narrativa que atravessa duas décadas de vida, repleta de descobertas, inseguranças, amores, perdas e, principalmente, amadurecimento. O livro se estrutura como um diário real: fragmentado, íntimo, sincero e, muitas vezes, contraditório, como qualquer processo de crescimento.

Cada registro funciona como um recorte temporal. Logo no início, voltamos a 1995, quando Carol ainda é criança e tenta entender quem é, o que gosta e como enxerga o mundo. Os poemas e anotações desse período (como Quem é Carol? e Brinquedo de Menina) mostram uma garota em conflito com expectativas externas: a imposição de brincar “com o que é certo”, a descoberta das próprias preferências, a curiosidade que ainda não sabe exatamente como se expressar...

À medida que avançamos no diário, Carol cresce e sua escrita também. Em textos como O Primeiro Beijo e Sem Retorno, percebemos a transição entre adolescência e juventude: o primeiro amor, a primeira perda, a sensação de não saber lidar com sentimentos novos e intensos. Esses poemas são marcados por ingenuidade e vulnerabilidade, mas também por uma consciência emocional que vai surgindo aos poucos. São momentos em que Carol tenta entender o que significa amar alguém e, ao mesmo tempo, amar a si mesma.

Mais adiante, já na fase adulta, surgem textos como Noite de Cinderela e Distância, que revelam uma Carol mais marcada pela vida: alguém que tenta conciliar responsabilidade, memória, escolhas difíceis e vínculos que nem sempre se sustentam no tempo. Aqui, a figura de Alice, sua melhor amiga e presença constante no diário, torna-se ainda mais importante. Alice é quem a acompanha nos anos mais turbulentos, quem a defende, quem a entende sem esforço… e justamente por isso sua ausência, em determinados momentos, pesa tanto na narrativa.

Ver Carol olhando para essa amizade com carinho, culpa e saudade é um dos pontos mais tocantes do livro, porque deixa claro que amor e afeto existem em muitas formas, algumas simples, outras dolorosamente profundas.

O que mais me chamou atenção no livro é como Alexandre Perobelli consegue transformar esses pequenos fragmentos em uma trajetória coesa e emocionante. A voz da personagem muda com o tempo, amadurece, tropeça, volta a si... exatamente como acontece na vida real. 

O diário não é um relato linear, e justamente por isso ele funciona tão bem. Carol não tenta ser perfeita, não tenta ser coerente o tempo todo. Ela escreve como sente! E isso faz com que a gente acompanhe sua vida de forma quase íntima.

Diário de Carol é uma leitura sensível e carregada de humanidade. Um livro sobre crescer, errar, se apaixonar, afastar quem se ama, tentar reparar danos e, acima de tudo, entender que a pessoa que fomos nunca deixa de existir.

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Leonardo Santos



Olá leitories! Meu nome é Leonardo Santos, tenho 28 anos, sou de São Paulo mas atualmente estou em Guarulhos cursando Letras! Minha paixão pela leitura começou desde muito cedo, e é um prazer compartilhar minhas leituras e experiência com vocês!

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