Organizadores: Otávia Silla
Editora: Ipê das LetrasCompre através deste link.
“No poeirento centro-oeste paulista, Capitolina nasceu do sonho de ser a Itália brasileira e carregou as rivalidades sangrentas de famílias italianas que nunca esqueceram suas origens. Por mais de uma década, Marianna Vilhena viveu à margem desse mundo, criada por sua jovem mãe, sem conhecer o peso de seu sobrenome. Até que o passado bate à porta e, como bastarda dos Senatore, ela é enviada para viver sob o teto da família rival: os Garofallo. Lá, encontra Dante, herdeiro de um império mafioso e o homem que deveria ser apenas seu guardião. Mas ele se torna muito mais do que isso: é tudo o que ela jamais deveria tocar e também a porta de entrada para um mundo do qual ela não quer mais sair. Um mundo onde o desejo já não pode ser controlado. A casa de nossos nomes é um romance visceral sobre amor proibido, heranças insuportáveis e a construção de uma identidade em meio ao caos. Ambientado em uma cidade marcada por máfia, religião e pactos silenciosos, o livro mistura lirismo, erotismo psicológico e tensão familiar, narrando a história de uma protagonista que se recusa a ser domada e de um homem que jamais conseguirá salvá-la, porque talvez tenha sido ele quem a condenou."
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro A Casa de Nossos Nomes, escrito por Otávia Silla. A resenha foi escrita por Leonardo Santos.
No poeirento centro-oeste paulista, nasce Capitolina, uma cidade erguida a partir do sonho de se tornar a Itália brasileira, mas que acabou herdando rivalidades sangrentas entre famílias italianas que jamais deixaram suas origens para trás. É nesse cenário que conhecemos Marianna Vilhena, criada pela mãe à margem desse mundo, sem nunca entender o peso real do próprio sobrenome. Até que o passado cobra seu preço e, como bastarda dos Senatore, ela é enviada para viver sob o teto da família rival, os Garofallo.
É ali que Marianna passa a conviver com Dante, herdeiro de um império mafioso e o homem que deveria ser apenas seu guardião. Mas nada nessa história permanece simples por muito tempo. Capitolina é uma cidade movida por pactos silenciosos, religião, violência e desejo, e crescer nesse ambiente significa aprender cedo demais como o mundo funciona.
A Casa de Nossos Nomes é um romance que acompanha o crescimento de Marianna desde a infância até a vida adulta, sempre cercada por esse clima de máfia e tensão constante. A primeira parte do livro foca bastante na formação da personagem, nos traumas que atravessam sua história e na relação complexa que ela constrói com Dante. São temas delicados, alguns bastante pesados, e a autora deixa claro que essa é uma leitura que exige atenção. Ainda assim, em nenhum momento há romantização do sofrimento; tudo é tratado com responsabilidade e consciência.
A partir de certo ponto da narrativa, quando Marianna já é uma mulher, o livro muda de tom. A história fica mais política, mais tensa, com uma guerra iminente entre facções e esquemas que envolvem falsificação, tráfico e jogos de poder que sempre estiveram presentes em Capitolina. Marianna deixa de ser apenas alguém que observa e passa a ocupar um papel central nesse tabuleiro, tornando-se essencial para que até Dante enxergue o tamanho do caos que os cerca.
É impossível não se impressionar com esse amadurecimento. Acompanhamos Marianna desde criança, então vê-la lidando com esses horrores e escolhas carrega um peso enorme. A relação dela com Dante continua sendo um dos pontos mais intensos do livro: conflituosa, carregada de desejo, culpa e silêncio.
Seria fácil dizer que A Casa de Nossos Nomes é apenas um romance envolvente, mas isso não faz justiça ao controle narrativo da Otávia Silla. A autora sabe exatamente quando acelerar, quando desacelerar e quando deixar o leitor sem chão. A escrita é fluida, intensa, e faz com que quase 400 páginas passem rápido demais.
Fiquei completamente envolvido por esse universo e pelos personagens. O final deixa aquele gosto agridoce, com a sensação clara de que essa história ainda tem muito a explorar. Se existir uma continuação, estarei lá sem pensar duas vezes.
Um livro forte, visceral e marcante, que fala sobre heranças insuportáveis, identidade e desejo de um jeito que não pede permissão. Leiam.

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