Organizadores: Malala Yousafzai
Editora: Companhia das Letras Compre através deste link.
Lançada aos holofotes públicos aos quinze anos, após o atentado perpetrado pelo Talibã contra sua vida, Malala logo se transformou em um ícone internacional, símbolo de bravura e resiliência. Mas, longe das câmeras e das multidões, a garota passou anos lutando para se encontrar em um mundo desconhecido. Agora, Malala apresenta aos leitores — e pela primeira vez — sua trajetória para além das manchetes. No meu caminho é um livro de memórias franco e surpreendente, escrito com originalidade, humor e ternura.Esta é uma história de amizade e primeiro amor, de ansiedade e autodescoberta, de se manter fiel à sua identidade mesmo quando todos insistem em lhe impor rótulos. Malala narra como passou de estudante do ensino médio introspectiva a universitária imprudente até enfim se tornar uma jovem em paz com seu passado. A partir de episódios sinceros e muitas vezes turbulentos— como quase reprovar nas provas, sofrer ghosting e conhecer o amor de sua vida —, Malala nos lembra que as pessoas que se tornam exemplos não são perfeitas, e sim humanas.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje eu trouxe uma resenha de No meu caminho: Memórias, escrito por Malala Yousafzai. A resenha é escrita por Caroline Gomes.
Malala sempre ocupou um espaço muito específico no imaginário coletivo. Desde o atentado que sofreu aos quinze anos, ela se tornou símbolo de resistência, coragem e defesa da educação. Mas símbolos raramente têm permissão para ser humanos, e é justamente isso que torna este livro tão necessário. Aqui, Malala se apresenta sem filtros, sem o peso das manchetes e sem o pedestal que insistiram em colocar sob seus pés.
O livro acompanha essa transição entre a adolescente que só queria estudar e a jovem lançada a um mundo que não escolheu. Longe de qualquer formalidade, Malala revisita os anos em que precisou reaprender a viver depois da violência, enquanto tentava entender quem era além da sobrevivente que todos conheciam. É uma narrativa marcada por humor, desamparo, pequenos romances, inseguranças e aquela confusão emocional que acompanha qualquer pessoa na virada para a vida adulta. E é essa sinceridade que dá força ao texto.
O que mais me tocou foi ver como ela lida com o conflito entre identidade pessoal e expectativa pública. Enquanto o mundo a via como heroína, Malala enfrentava pressões acadêmicas, amizades complicadas, a angústia de primeiros amores e até o medo de decepcionar quem acreditava demais nela. Em vários momentos, ela desarma aquela imagem rígida que criaram ao seu redor e revela alguém que falha, que duvida, que chora e que se levanta sem precisar parecer extraordinária o tempo todo.
Os episódios que ela compartilha (desde quase repetir o ano escolar até encarar um ghosting que a derrubou mais do que ela esperava) constroem uma figura muito mais próxima de nós. A graça desse livro está justamente em expor essa humanidade que sempre ficou escondida sob o título de “símbolo global”. Malala escreve com leveza, mas também com uma honestidade que corta, e isso aproxima cada momento, tornando a leitura íntima e real.
No meu caminho funciona como retomada, como reinvenção e como convite para ver a trajetória dela com novos olhos. A cada capítulo, ela reconstrói a própria narrativa, não como alguém que superou tudo, mas como alguém que segue aprendendo a existir num espaço que ainda tenta moldá-la. É um testemunho de força, claro, mas também de vulnerabilidade, e a combinação das duas coisas é o que torna essa autobiografia tão marcante.
Se você busca um relato sincero sobre amadurecimento, identidade e liberdade, vale muito a leitura. É um livro sobre reencontrar o próprio nome num mundo que insiste em resumi-lo, e Malala mostra que, às vezes, o caminho mais importante é justamente esse.


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