Organizadores: Caio D'Angelo.
Editora: Independente
Páginas: 221
Ano de publicação: 2025
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ADerek trabalha em uma boate de ricaços. Parece um péssimo lugar para se estar em um apocalipse zumbi. Principalmente quando quem você ama também corre perigo.
Fala galera do Porão Literário, tudo certo? Hoje minha resenha é do livro Zumbi: A Volta dos Que Não Foram, escrito por Caio D’Angelo Cardoso Martins.
Quem acompanha o site já sabe que apocalipse zumbi é uma temática que eu gosto muito. Já li vários livros dentro desse universo e também consumo bastante esse tipo de história em jogos e outras mídias da cultura pop, como Resident Evil e Left 4 Dead. Então, quando peguei esse livro, eu já estava naturalmente interessado em ver como o autor iria trabalhar esse cenário tão explorado, mas que ainda rende boas histórias quando bem executado.
Derek trabalha em uma boate frequentada por ricaços onde tudo parece girar em torno de excessos, aparências e dinheiro. O problema é que o mundo acaba exatamente ali. Um apocalipse zumbi irrompe no meio do turno de trabalho, transformando um espaço de luxo em um cenário de puro desespero. Para piorar, alguém que Derek ama está em perigo, e sobreviver deixa de ser apenas um instinto para virar uma escolha carregada de emoção.
Logo no início do livro já somos jogados direto no caos. Não existe uma longa preparação ou um grande prelúdio: a coisa simplesmente acontece, de forma repentina, enquanto Derek está no meio do expediente na boate que fica dentro de um shopping. Essa escolha deixa o começo da leitura muito energético e urgente, dando a sensação de que o apocalipse começa exatamente junto com a leitura (o que gera um começo que já te prende).
O livro cresce muito ao explorar esse cenário pouco óbvio e eu achei uma ótima ideia do autor usar uma boate como plano de fundo. O ambiente confinado molda completamente a tensão da narrativa, trazendo essa sensação constante de pouca chance de fuga e um clima claustrofóbico que funciona muito bem dentro da proposta. Tudo isso enquanto o apocalipse está literalmente rolando do lado de fora e, em alguns momentos, do lado de dentro também.
Derek funciona muito bem como protagonista que poderia ser qualquer um de nós. Ele não tem respostas prontas e nem controle da situação, suas decisões são tomadas no limite, guiadas pelo medo, pelo afeto e pela vontade de proteger quem importa. A relação dele com Dayane, que trabalha com ele na boate e por quem ele nutre um sentimento, adiciona uma camada emocional importante logo no começo da história e ajuda a deixar tudo mais humano.
A narrativa é ágil e sabe dosar bem a ação com momentos mais reflexivos. Em meio ao caos, Caio encontra espaço para mostrar o impacto global do apocalipse e como o vírus alterou completamente a dinâmica do mundo. Em alguns trechos, a mudança de ponto de vista surge como uma escolha narrativa interessante, que amplia nosso conhecimento sobre esse universo e oferece outras perspectivas, deixando claro que o colapso não acontece de forma isolada, mas simultânea, em diferentes lugares e realidades.
Gostei bastante de como o livro trabalha a sensação de ameaça constante. Os zumbis estão sempre presentes, mas o peso maior vem das escolhas, das perdas e da dúvida sobre até onde vale a pena seguir em frente quando tudo já saiu do controle.
Zumbi: A Volta dos Que Não Foram é uma leitura intensa, direta e muito envolvente. Caio D’Angelo entrega um terror apocalíptico que respeita o gênero, dialoga bem com a cultura pop e ainda coloca o fator humano no centro da narrativa. Para quem, assim como eu, gosta de histórias de apocalipse zumbi que já começam com o pé no acelerador, esse livro é uma ótima pedida.




















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